O dólar chegou a cair para perto de R$ 5,07 nesta quinta-feira (3), mas perdeu força ao longo do dia e terminou o pregão novamente acima de R$ 5,10. O movimento ocorreu enquanto investidores acompanhavam o cenário eleitoral brasileiro e aguardavam uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.
A moeda americana também recuou no exterior, favorecida pela queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela redução das apostas em uma alta dos juros americanos em setembro. No Brasil, entretanto, investidores aproveitaram a cotação mais baixa para recomprar dólares.
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Dólar chegou a R$ 5,07 durante o pregão

Na abertura dos negócios, o dólar à vista chegou a cair 0,62%, para R$ 5,0748. Mais tarde, a moeda atingiu uma mínima de R$ 5,0702, acumulando queda de 0,71% no momento de maior baixa.
A recuperação aconteceu durante a manhã. Na máxima do dia, o dólar alcançou R$ 5,1147, antes de voltar a oscilar próximo da estabilidade.
No fechamento, a moeda americana terminou cotada a R$ 5,1043, com baixa de 0,04%. No acumulado de 2026, o dólar passou a registrar queda de aproximadamente 7%.
Por que o mercado estava de olho na eleição?
O cenário eleitoral ganhou espaço nas decisões dos investidores depois que pesquisas recentes apontaram uma disputa mais equilibrada pela Presidência da República.
Na quarta-feira (2), um levantamento da Quaest mostrou redução da distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma simulação de segundo turno, os dois apareceram tecnicamente empatados.
A reação do mercado foi considerada relevante porque investidores tentam antecipar os possíveis efeitos de cada cenário político sobre as contas públicas, inflação, juros e percepção de risco do Brasil.
Com isso, uma mudança nas expectativas eleitorais pode provocar movimentos rápidos em ações, juros futuros e câmbio.
Nova pesquisa Datafolha aumenta atenção dos investidores
A expectativa desta quinta-feira estava concentrada na divulgação de uma nova pesquisa Datafolha.
O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre 1º e 3 de setembro, em entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O levantamento mostrou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 33%. Augusto Cury avançou para 8%.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o resultado foi de 46% para Lula contra 44% para Flávio, diferença que está dentro da margem de erro.
O resultado reforçou a percepção de uma disputa competitiva e manteve o cenário eleitoral no radar do mercado.
Dólar não caiu apenas por causa da eleição
Apesar da influência do cenário político, o comportamento da moeda americana também foi determinado por fatores internacionais.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries recuaram após declarações de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, indicando que poderá defender a manutenção dos juros americanos caso os próximos dados confirmem uma desaceleração das pressões inflacionárias.
Juros americanos menores ou expectativas de uma política monetária menos restritiva tendem a reduzir a atratividade de investimentos denominados em dólar, favorecendo moedas de outros países.
O dólar também perdeu valor frente a outras divisas importantes durante a sessão.
Por que a moeda voltou a subir depois de cair?
A queda abaixo de R$ 5,10 acabou atraindo compradores.
Com a moeda em patamares considerados baixos por parte dos operadores, alguns investidores aproveitaram o momento para recompor posições em dólar. Esse movimento ajudou a interromper a queda observada no início do pregão.
O comportamento mostra por que uma cotação intradiária não deve ser confundida com uma nova tendência.
O dólar pode atravessar diferentes faixas de preço em poucas horas conforme entram ordens de compra e venda e novas informações chegam ao mercado.
Banco Central também realizou operação no câmbio
O Banco Central realizou nesta quinta-feira um leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos previstos para 1º de outubro.
O swap cambial é um instrumento financeiro utilizado pela autoridade monetária para oferecer proteção contra oscilações do dólar e atuar nas condições de liquidez do mercado de câmbio.
Segundo as informações divulgadas durante o pregão, a operação não provocou impacto significativo sobre a cotação da moeda.
O que o dólar a R$ 5,10 representa para o consumidor?
A cotação da moeda americana afeta diretamente quem precisa comprar produtos ou serviços ligados ao mercado internacional.
Quando o dólar sobe, produtos importados, equipamentos, componentes industriais e algumas matérias-primas podem ficar mais caros. O efeito também pode aparecer em viagens internacionais, passagens e compras realizadas no exterior.
Uma moeda americana mais barata, por outro lado, pode aliviar parte desses custos, embora o preço efetivamente pago pelo consumidor dependa de outros fatores, como impostos, tarifas e margens das empresas.
A eleição continuará influenciando o dólar?
A tendência é que o cenário eleitoral permaneça entre os principais fatores observados pelo mercado nos próximos meses.
Novas pesquisas podem provocar mudanças nas expectativas dos investidores, principalmente quando apresentarem alterações significativas na disputa ou nos cenários de segundo turno.
Ainda assim, o câmbio não depende exclusivamente das eleições. Juros nos Estados Unidos, decisões do Federal Reserve, inflação brasileira, taxa Selic, situação fiscal e fluxo de capital estrangeiro também podem provocar movimentos relevantes.
O que esperar dos próximos pregões?

O mercado deve continuar acompanhando a combinação entre dados econômicos internacionais e novas informações da corrida presidencial.
O comportamento desta quinta-feira mostrou que, mesmo quando o dólar rompe um nível considerado importante, não há garantia de continuidade do movimento. A moeda chegou a R$ 5,07 e terminou praticamente estável, acima de R$ 5,10.
Para quem precisa comprar dólares, a principal cautela é não tomar uma decisão baseada em apenas uma cotação ou pesquisa. O câmbio pode mudar rapidamente conforme o cenário econômico e político se altera.
Conclusão
O dólar começou o pregão desta quinta-feira em queda e chegou a R$ 5,0702, mas recuperou parte das perdas durante o dia e fechou em R$ 5,1043. A movimentação refletiu tanto o ambiente internacional quanto a expectativa em torno da nova pesquisa eleitoral.
O Datafolha mostrou uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto Augusto Cury ganhou espaço no primeiro turno. Para o mercado financeiro, a redução das diferenças entre os candidatos aumenta a importância do cenário eleitoral nas projeções para os próximos meses.
Apesar disso, o dólar continuará sujeito a uma combinação de fatores. Por isso, a cotação de R$ 5,10 deve ser observada como parte de um cenário mais amplo, e não como indicação isolada de uma nova tendência para a moeda.
