O dólar à vista iniciou a sessão desta sexta-feira (20/06/2025) com leve queda frente ao real, mas inverteu a direção ao longo da manhã e passou a operar em alta. O movimento reflete a reação tardia dos investidores à decisão do Banco Central do Brasil de elevar a taxa Selic para 15% ao ano, além da influência de fatores externos, como a continuação das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Mercado reage: dólar cai com decisão do Copom e tensão no Oriente Médio
Dólar opera em alta após decisão do BC de elevar a Selic para 15% ao ano. Tensão entre Israel e Irã e fluxo de exportadores influenciam o câmbio.
Por volta de 12h29, a moeda norte-americana era negociada com alta de 0,20%, cotada a R$ 5,512 na venda, segundo dados do mercado financeiro.
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Reação ao aumento da Selic para 15%
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada na quarta-feira (18/06), pegou parte do mercado de surpresa. O Banco Central elevou a taxa básica de juros de 14,25% para 15% ao ano, justificando a medida com base na pressão inflacionária persistente e na necessidade de ancorar as expectativas do mercado.
O aumento da Selic tem impacto direto sobre o câmbio. Em teoria, juros mais altos deveriam atrair investimentos estrangeiros para o Brasil, fortalecendo o real. No entanto, a leitura dos analistas é de que o movimento do BC foi uma resposta defensiva a um cenário de maior risco e instabilidade, o que acaba gerando cautela adicional entre os investidores.
Segundo Jefferson Rugik, diretor da corretora Correparti, o mercado está processando essa informação com um viés de aversão ao risco, o que ajuda a explicar a leve valorização do dólar nesta sexta-feira.
Dólar comercial e turismo: como estão as cotações hoje?
No mercado comercial, a cotação do dólar nesta sexta-feira ficou da seguinte forma:
- Dólar comercial:
- Compra: R$ 5,511
- Venda: R$ 5,512
- Dólar turismo:
- Compra: R$ 5,518
- Venda: R$ 5,698
A diferença entre as duas modalidades se dá pelos custos operacionais e pelas margens aplicadas pelas casas de câmbio e bancos.
Movimentação na B3: dólar futuro com leve oscilação
Na B3, o contrato de dólar com vencimento em julho de 2025, que atualmente é o mais líquido, registrava alta de 0,02%, sendo negociado a 5.495 pontos.
O mercado futuro costuma antecipar as expectativas dos investidores em relação ao comportamento da moeda nos próximos meses. O pequeno avanço reflete a incerteza combinada com baixa liquidez, uma vez que os investidores ainda estão retornando do feriado de ontem (19/06), nos Estados Unidos.
Banco Central realiza leilão de swap cambial

Para ajudar a dar liquidez ao mercado e controlar eventuais oscilações mais fortes no câmbio, o Banco Central anunciou a realização de um leilão de até 35 mil contratos de swap cambial tradicional nesta sexta-feira. A operação tem como objetivo a rolagem do vencimento previsto para 1º de julho de 2025.
Os swaps cambiais são usados pelo BC como uma ferramenta de política monetária para reduzir a volatilidade do dólar e fornecer hedge aos investidores.
Contexto internacional: tensão entre Israel e Irã continua
Além dos fatores domésticos, o cenário internacional segue como um dos principais influenciadores do dólar nesta sexta-feira.
A tensão geopolítica entre Israel e Irã chegou ao oitavo dia consecutivo de confrontos, aumentando a aversão ao risco nos mercados globais.
Nesta manhã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que pretende se encontrar em Genebra com representantes europeus, na tentativa de abrir uma janela para negociações diplomáticas.
No entanto, o chanceler iraniano deixou claro que não haverá diálogo com os Estados Unidos enquanto Israel mantiver os ataques ao território iraniano.
Esse cenário de incerteza mantém os investidores em alerta, com uma postura mais defensiva em relação a ativos de países emergentes, como o Brasil.
Donald Trump adia decisão sobre o conflito
Outro elemento que traz volatilidade ao mercado é a postura do governo norte-americano. O presidente dos EUA, Donald Trump, adiou por pelo menos duas semanas a decisão sobre uma possível entrada militar direta no conflito.
A medida trouxe um alívio temporário para os mercados, reduzindo a pressão sobre o dólar no cenário internacional, mas a situação permanece incerta.
Commodities em alta contribuem para amenizar a pressão
Apesar do cenário de tensão, o mercado de câmbio brasileiro também sente os efeitos da alta nas principais commodities exportadas pelo Brasil.
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O minério de ferro e o petróleo WTI negociado em Nova York apresentaram ganhos nesta sexta-feira, o que estimula a entrada de exportadores no mercado de venda de dólares, ajudando a equilibrar a pressão compradora.
Essa movimentação é típica em dias de recuperação pós-feriado, com investidores ajustando posições e antecipando os fluxos de exportação.
Liquidez ainda baixa no pós-feriado
Outro fator que explica o comportamento mais contido do dólar é a baixa liquidez registrada nesta sexta-feira. Com os investidores norte-americanos voltando de um feriado, o mercado opera em ritmo lento, com volumes reduzidos.
Esse cenário favorece oscilações pontuais, mas sem movimentos de grande magnitude até o fechamento da sessão.
Expectativas para a próxima semana
Os analistas de mercado estão de olho nos desdobramentos tanto do conflito no Oriente Médio quanto nas próximas sinalizações do Banco Central sobre a política monetária.
A elevação da Selic para 15% ao ano levanta dúvidas sobre o impacto nos níveis de consumo, investimentos internos e, principalmente, sobre a trajetória futura da inflação no Brasil.
O mercado também acompanha de perto a agenda de divulgações econômicas, incluindo:
- Índices de inflação
- Dados de atividade econômica
- Fluxo cambial
- Movimentação de reservas internacionais
Possível volatilidade no curto prazo

Especialistas alertam que o mercado de câmbio pode enfrentar volatilidade extra nas próximas semanas, com a combinação de fatores domésticos (Selic alta) e externos (conflito geopolítico).
As recomendações para os investidores incluem:
- Monitoramento constante dos indicadores econômicos
- Cautela em operações alavancadas
- Diversificação de ativos para proteção contra variações abruptas no câmbio
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
