O mercado financeiro brasileiro começou esta terça-feira, 27 de outubro de 2026, em meio à forte instabilidade provocada pelo resultado das eleições presidenciais. Depois de uma disparada histórica do dólar e de uma queda expressiva do Ibovespa na sessão anterior, investidores passaram a acompanhar os próximos passos do governo e os sinais sobre a política fiscal.
Por volta das 9h, a moeda norte-americana recuava 0,06%, negociada a R$ 5,3992. Na segunda-feira (26), o dólar havia avançado 8,21%, encerrando o pregão a R$ 5,4027, enquanto o principal índice da Bolsa brasileira desabou 13,88%, aos 176.608 pontos.
A reação reflete a preocupação de parte dos investidores com as perspectivas para as contas públicas, a trajetória da dívida do país e a condução da política econômica no próximo mandato. No cenário internacional, as atenções também se voltam à decisão de juros dos Estados Unidos, às eleições em Israel e à cotação do petróleo.
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A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surpreendeu parte do mercado financeiro, que acompanhava pesquisas eleitorais que indicavam vantagem de Flávio Bolsonaro (PL). Lula venceu a disputa com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do adversário, segundo os números apresentados na apuração.
A mudança nas expectativas políticas provocou uma reavaliação dos investimentos. Quando os agentes financeiros percebem maior incerteza sobre as contas públicas ou sobre as medidas econômicas de um governo, podem reduzir a exposição a ativos brasileiros e buscar alternativas consideradas mais seguras.
Esse movimento costuma pressionar o câmbio e as ações negociadas na B3. Entretanto, a reação do mercado não significa, por si só, que a economia terá necessariamente um desempenho negativo. O comportamento dos ativos dependerá também das decisões efetivamente adotadas pelo governo, dos indicadores econômicos e das condições internacionais.
Política fiscal está no centro das preocupações
Um dos principais pontos de atenção é a capacidade do governo de controlar as despesas e manter uma trajetória sustentável para a dívida pública. Investidores acompanham as metas fiscais, a arrecadação e a possibilidade de mudanças nos gastos obrigatórios.
A apresentação de medidas concretas para equilibrar as contas pode contribuir para reduzir as incertezas. Por outro lado, dúvidas sobre o cumprimento das metas podem elevar a percepção de risco e aumentar o custo de financiamento do governo e das empresas.
O mercado também observa possíveis propostas de revisão de despesas e os sinais da equipe econômica sobre o compromisso com as metas fiscais. Mais do que declarações, os investidores tendem a avaliar o conteúdo das medidas, a viabilidade de aprovação e os resultados esperados.
O que aconteceu com o Ibovespa?
O Ibovespa registrou queda de 13,88% na segunda-feira, uma das sessões mais negativas de sua história recente. A intensidade das perdas levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo utilizado para interromper temporariamente as negociações em situações de forte oscilação.
A regra tradicional prevê uma pausa de 30 minutos quando o índice cai mais de 10% em relação ao fechamento anterior. Se, após a retomada, a desvalorização alcançar 15%, uma nova interrupção pode ocorrer por uma hora. Na sessão citada, a bolsa também anunciou uma alteração específica no limite para um segundo acionamento.
Entre os destaques negativos estavam Magazine Luiza, com recuo de 58,23%, Vamos, que caiu 56,79%, e Hapvida, com baixa de 54,93%.
As perdas atingiram ainda empresas de grande peso no mercado. O Banco do Brasil recuou 27,31%, enquanto as ações preferenciais e ordinárias do Bradesco caíram 21,70% e 20,65%, respectivamente. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco registrou baixa de 13,66%.
Na Petrobras, as ações preferenciais recuaram 8,18%, enquanto as ordinárias caíram 6,81%. Como o Ibovespa reúne empresas com diferentes participações no índice, o desempenho dos papéis de maior peso pode influenciar significativamente o resultado geral.
Como a cotação do dólar afeta o brasileiro?

A variação cambial não fica restrita aos investidores. Uma moeda norte-americana mais cara pode aumentar os custos de produtos importados, combustíveis, insumos industriais e componentes eletrônicos. Esses aumentos podem chegar ao consumidor por meio dos preços de mercadorias e serviços.
O efeito também pode aparecer nos alimentos, principalmente quando há elevação dos custos de fertilizantes, transporte ou outros insumos vinculados ao mercado internacional.
Além disso, uma alta persistente do dólar pode dificultar o controle da inflação. Caso os preços avancem de forma disseminada, o Banco Central poderá enfrentar maior dificuldade para reduzir os juros. Dependendo das condições econômicas, a pressão cambial pode contribuir para manter a Selic elevada por mais tempo.
Para quem pretende viajar ao exterior, comprar produtos importados ou pagar despesas em moeda estrangeira, a volatilidade aumenta a incerteza sobre os custos. Já empresas exportadoras podem se beneficiar de receitas convertidas em reais, embora o resultado dependa de seus custos, contratos e exposição cambial.
Decisão de juros dos Estados Unidos também influencia os mercados
No exterior, investidores aguardam a decisão do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, prevista para quarta-feira, 28 de outubro. A expectativa predominante mencionada no mercado era de manutenção das taxas, mas as sinalizações da instituição sobre os próximos meses também podem provocar oscilações.
Juros elevados nos Estados Unidos tendem a tornar os títulos norte-americanos mais atraentes, o que pode estimular a saída de recursos de mercados emergentes. Uma eventual redução dos juros, por outro lado, pode favorecer a procura por investimentos em países como o Brasil, dependendo da percepção de risco.
Os preços do petróleo também permanecem no radar. Por volta das 9h15, o barril do Brent recuava 0,80%, para US$ 114,88, enquanto o WTI caía 0,70%, a US$ 101,05. A preocupação com ataques houthis contra território saudita contribui para a atenção sobre os riscos de oferta e abastecimento.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
