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Dólar volta a subir e chega a R$ 5,01 com mercado atento ao segundo turno

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O mercado financeiro brasileiro iniciou esta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, em ritmo de correção após uma forte movimentação provocada pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O dólar voltou a subir, enquanto o Ibovespa recuou depois de alcançar um novo patamar histórico.

No início dos negócios, a moeda americana era negociada próxima de R$ 5,01, depois de ter fechado a sessão anterior abaixo desse nível. Na terça-feira, o dólar comercial caiu 0,51%, para R$ 4,975, enquanto o Ibovespa terminou o pregão aos 205.942 pontos, com baixa de 0,47%.

O movimento ocorre em um cenário de forte sensibilidade dos investidores às notícias políticas brasileiras, às condições do mercado internacional e à trajetória dos juros nos Estados Unidos.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A valorização do dólar nesta quarta-feira não deve ser interpretada isoladamente. Depois de duas sessões de queda da moeda americana, investidores passaram a ajustar posições e realizar parte dos ganhos obtidos com a valorização do real.

O ambiente externo também pesa. O petróleo voltou a superar US$ 100 por barril, aumentando a percepção de risco nos mercados globais. Ao mesmo tempo, investidores acompanham a divulgação da ata da reunião de setembro do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O documento pode oferecer pistas sobre os próximos passos da política monetária americana.

Para o investidor brasileiro, juros americanos mais elevados por mais tempo tendem a aumentar a atratividade de ativos denominados em dólar e podem provocar maior cautela em mercados emergentes. Por outro lado, mudanças nas expectativas sobre juros também podem produzir movimentos rápidos no câmbio.

Ibovespa recua depois de disparar

A Bolsa brasileira passou por uma sessão excepcional na segunda-feira, quando o Ibovespa avançou 7,70% e atingiu novo recorde. No dia seguinte, o índice recuou 0,47%, em um movimento interpretado como realização de lucros.

Esse tipo de correção é comum depois de uma alta muito acelerada. Investidores que compraram ações antes da valorização podem vender parte das posições para transformar o ganho acumulado em resultado efetivo.

O comportamento dos últimos pregões mostra também como o mercado está reagindo rapidamente às expectativas relacionadas ao cenário político e econômico brasileiro. Nos dias 5 e 6 de outubro, o Ibovespa acumulou alta de 7,14%, embora o movimento tenha sido bastante desigual entre as empresas.

Isso significa que a alta do índice não representa necessariamente uma valorização uniforme de todas as ações. Empresas de menor capitalização, bancos e companhias ligadas ao consumo tiveram movimentos expressivos, enquanto algumas exportadoras reagiram de maneira diferente à valorização do real.

Ata do Fed entra no radar dos investidores

A divulgação da ata do Federal Reserve é um dos eventos internacionais mais importantes do pregão desta quarta-feira. O documento detalha as discussões realizadas pelos integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto durante a reunião de 15 e 16 de setembro.

O calendário oficial do Fed prevê a publicação da ata em 7 de outubro, antes da próxima reunião de política monetária marcada para os dias 27 e 28 do mesmo mês.

O interesse do mercado está principalmente nas avaliações sobre inflação, atividade econômica e condições necessárias para novos movimentos nos juros.

Para países emergentes como o Brasil, alterações nas expectativas para os juros americanos podem afetar fluxo de capital, câmbio e preços das ações. Uma percepção de política monetária mais restritiva tende a aumentar a cautela internacional, enquanto sinais de flexibilização podem favorecer ativos de maior risco.

Petróleo acima de US$ 100 aumenta a volatilidade

Outro fator importante nesta quarta-feira é o petróleo. O Brent para dezembro chegou a ser negociado acima de US$ 100 por barril, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A alta da commodity tem efeito relevante sobre empresas brasileiras, especialmente a Petrobras. Ao mesmo tempo, petróleo mais caro pode pressionar a inflação de diferentes economias, principalmente por seus efeitos sobre combustíveis, transporte e custos de produção.

A Petrobras também está ampliando novamente sua atuação internacional. A companhia intensificou esse movimento desde 2024 e anunciou, em setembro, a exploração de oito blocos na Costa do Marfim. A estratégia ocorre enquanto o mercado discute as perspectivas para a produção do pré-sal brasileiro.

Bradesco anuncia R$ 3,8 bilhões em JCP

No ambiente corporativo, um dos destaques é o Bradesco. O banco aprovou R$ 3,8 bilhões em juros sobre o capital próprio (JCP), com valores brutos de R$ 0,342389810 por ação ordinária e R$ 0,376628790 por ação preferencial.

O pagamento está previsto para ocorrer até 30 de abril de 2027. Para ter direito ao provento anunciado, o investidor precisa estar posicionado na data definida pela companhia; as ações passam a ser negociadas sem direito ao JCP a partir do pregão seguinte.

O anúncio chama atenção em um momento de forte movimentação nas ações de bancos. Além dos resultados das próprias instituições, as cotações também respondem às expectativas sobre juros, crédito, inadimplência e cenário econômico.

Banco do Brasil também está no foco

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

As ações do Banco do Brasil passaram por forte oscilação após o primeiro turno das eleições. Depois de uma valorização expressiva, os papéis recuaram em meio à realização de lucros e à revisão de recomendação feita pelo J.P. Morgan.

O episódio mostra como recomendações de grandes instituições financeiras podem aumentar a volatilidade de determinadas ações, especialmente quando ocorrem depois de movimentos muito fortes de alta.

Para o pequeno investidor, porém, uma mudança pontual de recomendação não deve ser analisada isoladamente. Resultados financeiros, qualidade da carteira de crédito, rentabilidade, dividendos, valuation e riscos específicos da empresa continuam sendo elementos importantes para uma avaliação de longo prazo.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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