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Dólar dispara com pacote de medidas para compensar alterações no IOF

Dólar volta a subir após queda na semana passada, impulsionado por incertezas sobre compensação ao aumento do IOF.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
dolar

A moeda norte-americana começou a semana em movimento de valorização frente ao real, revertendo a queda observada nas sessões anteriores. Às 12h42 desta segunda-feira (9), o dólar comercial registrava alta de 0,09%, sendo negociado a R$ 5,575, enquanto o Ibovespa apresentava recuo de 0,64%, com 135.232,56 pontos.

O mercado financeiro brasileiro reage às incertezas em torno da compensação fiscal prometida pelo governo federal para suprir a reversão do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). As propostas foram discutidas no fim de semana entre a equipe econômica e o Congresso, mas ainda aguardam aval final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retorna de viagem à França.

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Imagem: jcomp – freepik

Dólar retoma alta após sequência de quedas

Variações recentes do dólar

Após uma semana marcada por desvalorização da moeda norte-americana frente ao real — com queda acumulada de 2,6% e retorno ao menor patamar desde outubro de 2024 — o dólar voltou a subir neste início de semana. A reversão acompanha o movimento típico de ajuste técnico e cautela dos investidores, que aguardam definições sobre o cenário fiscal brasileiro.

O dólar turismo, utilizado por pessoas físicas em viagens internacionais, também registra alta de 0,24%, cotado a R$ 5,617 para compra.

Desempenho acumulado em 2025

No acumulado do ano, o dólar registra queda de 9,9% frente ao real, reflexo de fatores como fluxo positivo de capital estrangeiro, cenário externo favorável para emergentes e taxa de juros atrativa no Brasil. Porém, os sinais de fragilidade fiscal voltam a pesar na percepção de risco.

Ibovespa segue em queda após semana negativa

O principal índice da Bolsa brasileira também sofre impacto da cautela dos investidores. Às 12h29, o Ibovespa recuava 0,64%, registrando desvalorização acumulada em todas as sessões desde a terça-feira da semana passada. O cenário reflete:

  • Incerteza sobre medidas de compensação fiscal
  • Dúvidas sobre continuidade do arcabouço fiscal
  • Pressão em ações de bancos e empresas de consumo, que podem ser afetadas pelas novas tributações

A volatilidade tende a permanecer nos próximos dias, especialmente até a apresentação oficial do pacote de compensações pelo governo federal.

Mercado repercute alternativas ao aumento do IOF

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Imagem: Freepik e Canva

Origem da preocupação

O governo havia anunciado o aumento do IOF como parte do esforço para cumprir a meta de zerar o déficit fiscal em 2025, mas a proposta enfrentou forte resistência no Congresso Nacional. A saída encontrada foi construir um conjunto de medidas alternativas, debatidas no fim de semana entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e líderes partidários.

Propostas discutidas:

  • Tributação de 5% sobre rendimentos de LCI e LCA, hoje isentos de IR
  • Aumento da carga tributária sobre empresas de apostas esportivas (bets)
  • Equiparação da alíquota da CSLL de fintechs à dos bancos tradicionais

O pacote ainda será apresentado ao presidente Lula para validação antes de ser formalizado por medida provisória (MP) e enviado ao Congresso para aprovação definitiva.

Nova tributação de LCI e LCA: fim da isenção preocupa investidores

Uma das propostas que mais chamaram a atenção do mercado foi o anúncio de tributação de 5% sobre os rendimentos de LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio). Esses ativos, tradicionalmente isentos, são populares entre investidores conservadores, especialmente pelo atrativo da isenção fiscal.

Impactos esperados:

  • Queda na atratividade das LCI e LCA
  • Migração de capital para outros ativos de renda fixa, como CDBs e debêntures
  • Reação negativa do mercado de crédito imobiliário e do agronegócio

O governo, por outro lado, defende que a mudança busca corrigir distorções no sistema financeiro, ampliando a base tributária de forma equilibrada.

Estimativa de arrecadação abaixo do esperado

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Apesar dos ajustes, o novo pacote de compensações deve arrecadar cerca de R$ 7 bilhões, valor significativamente menor que os R$ 20 bilhões estimados com a elevação do IOF. Essa diferença reforça temores de descumprimento da meta fiscal, comprometendo a credibilidade do arcabouço aprovado em 2023.

Economistas alertam que, se as medidas forem insuficientes, o governo pode:

  • Buscar novas fontes de receita no segundo semestre
  • Rever gastos obrigatórios, como subsídios e renúncias
  • Aumentar a pressão por reformas estruturais com foco na eficiência da máquina pública

Taxa Selic permanece inalterada, mas cenário é de cautela

O mercado segue atento à política monetária brasileira, mas, por ora, as expectativas permanecem inalteradas. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a projeção é que a Selic permaneça em 14,75% ao ano até o final de 2025.

Fatores que mantêm a taxa estável:

  • Inflação sob controle, mas ainda sensível ao dólar
  • Dúvidas fiscais e impacto das novas tributações
  • Contexto internacional instável, com foco na China e nos EUA

Reunião entre China e EUA também movimenta os mercados

Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Além do cenário doméstico, investidores acompanham de perto a reunião entre representantes da China e dos Estados Unidos, que ocorre nesta segunda-feira. O encontro foi marcado após conversa telefônica entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, com objetivo de discutir tarifas comerciais e evitar uma nova escalada de tensões.

Possíveis efeitos no mercado:

  • Se o diálogo for positivo, pode haver valorização de moedas emergentes e queda do dólar global
  • Caso haja novos atritos, o movimento pode gerar fuga de capital de países em desenvolvimento, elevando o dólar frente ao real

A reunião é monitorada como termômetro da estabilidade global, em especial por investidores com exposição ao Brasil e outros mercados emergentes.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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