O dono da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, afirmou à Polícia Federal (PF) faturar cerca de R$ 400 mil por mês com o perfil de fofocas nas redes sociais. A declaração foi dada em depoimento nesta quarta-feira (15), em Goiânia, após sua prisão no âmbito da operação Narco Fluxo.
À PF, dono da Choquei afirma faturar R$ 400 mil mensais
Dono da Choquei afirma faturar R$ 400 mil mensais à PF em investigação de R$ 1,6 bilhão. Entenda o caso e os desdobramentos.
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar aproximadamente R$ 1,6 bilhão em um período inferior a dois anos. Além do empresário digital, outros influenciadores e artistas também foram alvo da operação.
A página Choquei, que acumula mais de 27 milhões de seguidores, se consolidou como um dos maiores perfis de entretenimento do Brasil, com forte presença em notícias de celebridades, cultura pop e conteúdos virais.
O que é a operação?
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A operação Narco Fluxo é conduzida pela Polícia Federal e tem como foco desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais.
Segundo as investigações, o grupo utilizava o que foi chamado de “escudo de conformidade” — uma estratégia baseada na exposição pública e no alto engajamento dos envolvidos para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.
Como funcionava o esquema investigado?
De acordo com a PF, o grupo utilizava a indústria da música e o entretenimento digital para movimentar grandes quantias de dinheiro. Na prática, receitas ilegais seriam misturadas a ganhos legítimos oriundos de shows, publicidade e monetização nas redes sociais.
Esse modelo dificultaria a identificação de irregularidades, já que os valores recebidos poderiam ser justificados como fruto de atividades comuns no mercado de influência digital.
Alcance da operação
A operação teve caráter nacional, com cumprimento de:
- 33 mandados de prisão temporária
- 45 mandados de busca e apreensão
As ações ocorreram em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e o Distrito Federal.
Influenciadores digitais sob investigação
Além do dono da Choquei, nomes conhecidos do cenário musical e digital também foram citados na investigação, como MC Poze do Rodo e MC Ryan SP.
A Polícia Federal aponta que a visibilidade desses artistas teria sido fundamental para dar credibilidade às transações financeiras, dificultando a detecção de possíveis irregularidades.
O papel do “escudo de conformidade”
O conceito identificado pelos investigadores se baseia na ideia de que figuras públicas com grande alcance conseguem “normalizar” fluxos financeiros elevados.
Na prática, isso ocorre porque:
- Altos faturamentos são comuns no setor de entretenimento
- Parcerias comerciais e publicidade movimentam grandes valores
- A origem dos recursos pode ser mascarada com contratos e campanhas
Monetização nas redes sociais: quanto ganham páginas como a Choquei
O faturamento declarado de R$ 400 mil mensais está dentro de uma realidade possível para grandes perfis nas redes sociais no Brasil.
Páginas com milhões de seguidores podem lucrar por meio de:
Publicidade e publiposts
Empresas pagam valores elevados para divulgar produtos em perfis com grande alcance. Um único post patrocinado pode render dezenas de milhares de reais.
Programas de monetização
Plataformas digitais oferecem remuneração por visualizações, engajamento e anúncios exibidos nos conteúdos.
Parcerias e campanhas
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+311 mil seguidores
Influenciadores e páginas populares frequentemente fecham contratos de longo prazo com marcas, garantindo receita recorrente.
Investigação levanta debate sobre regulação do setor
O caso reacende discussões sobre a regulação do mercado de influenciadores digitais no Brasil. Apesar do crescimento acelerado do setor, ainda há lacunas na fiscalização de receitas e na transparência das operações financeiras.
Órgãos como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) já monitoram movimentações suspeitas, mas especialistas apontam que o ambiente digital ainda oferece brechas para irregularidades.
Desafios para fiscalização
Entre os principais desafios estão:
- Dificuldade de rastrear receitas internacionais
- Uso de intermediários e contratos informais
- Mistura de rendimentos legais e ilegais
Situação atual do caso
Após o depoimento, Raphael Sousa Oliveira foi encaminhado à carceragem da Polícia Federal, mas deve ser transferido para um presídio em Goiânia, conforme procedimento padrão.
A defesa do investigado ainda não se pronunciou oficialmente até o momento da publicação.
As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias, à medida que a PF analisa documentos, movimentações financeiras e depoimentos.
Considerações finais
A declaração de faturamento mensal de R$ 400 mil pelo dono da Choquei evidencia o potencial econômico das redes sociais no Brasil, mas também expõe os riscos associados à falta de transparência no setor.
A operação Narco Fluxo revela como estruturas digitais podem ser utilizadas tanto para geração legítima de renda quanto, segundo suspeitas, para práticas ilícitas. O caso reforça a necessidade de maior fiscalização e regulamentação do mercado de influência digital, especialmente diante de cifras bilionárias.
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