O desenvolvimento do Drex, a moeda digital oficial do Brasil, segue em ritmo acelerado sob a liderança do Banco Central do Brasil (BCB). Em uma nova etapa crucial, o projeto atingiu avanços significativos em interoperabilidade com outras blockchains, um dos maiores desafios técnicos e de segurança para a integração do Drex com o ecossistema financeiro global.
Drex impulsiona a interoperabilidade entre diferentes blockchains
Projeto Drex avança em testes de interoperabilidade com blockchains públicas e privadas, com participação da UFRJ, Polkadot e Fenasbac.
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O que é o Drex e por que a interoperabilidade é tão importante?
O conceito do Drex
O Drex (Real Digital) é a iniciativa brasileira de criação de uma CBDC (Moeda Digital de Banco Central), com o objetivo de modernizar o sistema de pagamentos, reduzir custos e facilitar a inclusão financeira.
A moeda será operada em uma rede permissionada e fechada, controlada e auditada pelo Banco Central, com foco em segurança, rastreabilidade e eficiência.
O desafio da interoperabilidade
Com o avanço das finanças digitais e a expansão de soluções em blockchains públicas e privadas, surge um grande obstáculo: a fragmentação de liquidez. Cada blockchain opera de forma isolada, com linguagens de programação distintas e regras próprias.
Para o Drex, a necessidade de interagir com esse universo exige soluções robustas de interoperabilidade, capazes de garantir segurança, privacidade e conformidade regulatória.
A segunda fase de testes do Drex e o papel do LIFT Learning
O que é o LIFT Learning?
O LIFT Learning (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas) é uma iniciativa do Banco Central, em parceria com a Fenasbac (Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central). O laboratório reúne universidades, fintechs e instituições financeiras para desenvolver e testar soluções tecnológicas para o Drex.
Foco da segunda etapa de desenvolvimento
Nesta fase, o foco principal é resolver os desafios de:
- Interoperabilidade com blockchains externas
- Privacidade de transações
- Segurança cibernética
- Conformidade com a regulamentação financeira brasileira
Parceria entre UFRJ, Polkadot e Fenasbac: o avanço decisivo
Testes de interoperabilidade com a Polkadot
O avanço mais recente foi obtido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em colaboração com a Polkadot, uma das principais blockchains de terceira geração, e a Fenasbac.
O feito inédito envolveu a realização de uma transação atômica real entre uma rede simulada do Drex e a parachain Moonbeam da Polkadot. O experimento, realizado em fevereiro de 2025, permitiu a troca de tokens entre duas redes distintas, sem a necessidade de intermediários como bridges.
O que é uma transação atômica?
A transação atômica é uma operação que só é validada se todas as etapas forem executadas com sucesso, garantindo segurança contra fraudes como o gasto duplo e evitando o risco de liquidação parcial.
No caso do Drex, isso significa que a moeda digital brasileira conseguiu realizar um swap direto com outra blockchain pública, validando a operação em tempo real.
Por que esse avanço é tão relevante?
Solução para a fragmentação de liquidez
O sucesso da integração com a Polkadot demonstra que o Drex poderá operar de forma eficiente no ambiente Web3, resolvendo um dos principais problemas atuais: a fragmentação de liquidez entre diferentes blockchains.
Redução de riscos com segurança reforçada
Ao evitar o uso de bridges — atualmente um dos maiores vetores de ataque hacker em blockchains — o Drex garante maior segurança e menor exposição a vulnerabilidades externas.
Ampliação das possibilidades financeiras
A interoperabilidade permitirá que o Drex seja utilizado em:
- Finanças Descentralizadas (DeFi)
- Tokenização de ativos
- Pagamentos cross-chain
- Integração com stablecoins e outras CBDCs
Como o Banco Central enxerga a integração com blockchains públicas

Requisitos de privacidade e segurança
Por ser uma moeda digital emitida por um órgão estatal, o Drex precisa atender a altíssimos padrões de segurança, governança e privacidade. A equipe técnica do Banco Central destaca que:
- Todas as transações cross-chain envolvendo o Drex deverão ser auditáveis.
- Haverá camadas adicionais de proteção de dados.
- A integração com redes públicas seguirá protocolos de autorização e verificação rigorosos.
Compliance regulatório
Além das questões técnicas, o Banco Central está atento ao cumprimento das leis nacionais de proteção de dados (LGPD) e às normas internacionais de combate à lavagem de dinheiro (AML) e financiamento ao terrorismo (CFT).
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Caminhos futuros para o Drex
Expansão para outras blockchains
Após o sucesso nos testes com a Polkadot, a expectativa é que o Drex avance nos próximos meses para integrações com outras redes populares, como:
- Ethereum
- Bitcoin
- Avalanche
- Cosmos
Uso no sistema financeiro tradicional
A interoperabilidade do Drex pode transformar:
- Pagamentos interbancários
- Liquidação de ativos tokenizados
- Transferências internacionais
- Integração com bolsas de valores e instituições financeiras globais
Roadmap oficial
As próximas etapas do projeto incluem:
- Validação de segurança em ambiente real
- Simulações com outras blockchains
- Ajustes finais na arquitetura de privacidade
- Lançamento oficial previsto para 2026
Opinião de especialistas: um marco para o sistema financeiro brasileiro
Impacto na inovação financeira
Economistas e especialistas em tecnologia blockchain avaliam que a evolução do Drex representa um marco na modernização do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Ao garantir a integração com blockchains públicas, o Banco Central abre caminho para:
- Redução de custos operacionais
- Maior eficiência nas transferências
- Inclusão de novos participantes no sistema financeiro
Fortalecimento da posição internacional do Brasil

O Drex coloca o Brasil na vanguarda global das moedas digitais de bancos centrais, ao lado de países como China, Suécia e Canadá, que também estão em fases avançadas de implementação de suas CBDCs.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
