O Banco Central do Brasil anunciou uma mudança significativa na estratégia de desenvolvimento do Drex, a versão digital do real. Conforme comunicado durante o evento Blockchain Rio, a instituição optará por lançar o projeto inicialmente sem a utilização da tecnologia blockchain, tradicionalmente associada a moedas digitais.
Drex será lançado sem blockchain, diz BC durante Blockchain Rio
Banco Central confirma Drex sem blockchain em 2026, focando solução prática e tecnologia agnóstica para digitalizar o real.
A decisão visa garantir uma solução mais simples e funcional já a partir de 2026, deixando para uma etapa posterior a implementação de tecnologias mais complexas.
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Banco Central muda rota do Drex e abandona blockchain na fase inicial

Durante a conferência Blockchain Rio, realizada em 6 de agosto, e em entrevista ao jornal Valor Econômico no dia seguinte, o Banco Central reafirmou que o projeto Drex passará por duas fases distintas de desenvolvimento. A primeira, prevista para o segundo semestre de 2026, focará em uma solução pragmática e direta, enquanto a segunda etapa contemplará o amadurecimento e a possível incorporação de redes descentralizadas e contratos inteligentes.
Fábio Araújo, coordenador do projeto Drex no BC, explicou que a prioridade imediata é implementar uma plataforma capaz de facilitar a reconciliação de gravames, ou seja, a verificação das garantias vinculadas a ativos usados em operações de crédito. Segundo ele, atualmente, a gestão desses ativos é fragmentada, dificultando o controle e a segurança das transações financeiras.
O que motivou a mudança na tecnologia?
Inicialmente, o Drex pretendia utilizar a Hyperledger Besu, uma plataforma de DLT permissionada compatível com o Ethereum, para garantir segurança e transparência no registro das operações. No entanto, a fase piloto revelou desafios técnicos significativos, especialmente em relação à privacidade dos dados sensíveis.
Durante os testes, o BC avaliou três ferramentas distintas para proteger informações sem comprometer funcionalidades essenciais como a programabilidade e a composibilidade da rede. Nenhuma delas, contudo, cumpriu plenamente os requisitos do regulador. Novas tecnologias estão sendo analisadas, mas o consenso é de que ainda há muito a avançar para garantir segurança e funcionalidade.
“Encontramos alternativas promissoras em privacidade, mas ainda não são suficientes. Precisamos levá-las a testes mais robustos”, destacou Araújo.
A visão do presidente do Banco Central: foco na solução, não na tecnologia

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, reforçou a mudança de foco do projeto Drex durante sua palestra na Blockchain Rio. Ele esclareceu que o BC deixou de definir a moeda digital brasileira como uma infraestrutura baseada exclusivamente em DLT (Tecnologia de Registro Distribuído).
“Por que não estou falando de DLT? Pois estamos cada vez mais tendo clareza e migrando para a ideia de que a tecnologia tem que ser agnóstica. A gente quer resolver um problema. Qual é o problema que temos que resolver? E qual a tecnologia disponível e mais adequada para conseguir resolver esse problema?”, questionou Galípolo.
Essa declaração evidencia o entendimento do BC de que o sucesso do Drex está vinculado à eficácia da solução, independentemente da ferramenta tecnológica utilizada. O foco está em resolver problemas concretos do sistema financeiro brasileiro com a melhor tecnologia disponível, seja ela blockchain, DLT ou outras alternativas.
Implicações para o mercado e futuro da moeda digital
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O lançamento do Drex sem blockchain sinaliza uma abordagem pragmática do Banco Central diante dos desafios tecnológicos e regulatórios. Ao priorizar uma solução funcional para 2026, o BC pretende acelerar a implementação da moeda digital no país, facilitando operações que atualmente são complexas e pouco integradas, como a reconciliação de gravames em operações de crédito.
Apesar da ausência inicial da tecnologia blockchain, o projeto não descarta seu uso futuro. A segunda fase do Drex pretende incorporar redes descentralizadas e contratos inteligentes, caso as soluções evoluam para atender às exigências de segurança e privacidade.
Essa postura mostra maturidade na condução da moeda digital, evitando a pressa em adotar tecnologias ainda não totalmente testadas no contexto brasileiro e priorizando a usabilidade e a segurança para o mercado.
O que esperar do Drex em 2026?
A versão inicial do Drex focará em casos de uso específicos e relevantes, como a reconciliação de gravames, que hoje é dificultada pela fragmentação de custodiante de ativos e instituições financeiras. Isso pode trazer mais transparência, eficiência e segurança para operações de crédito, impactando diretamente bancos, corretoras e usuários finais.
Embora o Banco Central ainda não tenha divulgado qual tecnologia substituirá a DLT na primeira fase, espera-se que a solução seja mais tradicional, robusta e adequada às necessidades regulatórias.
A digitalização do real através do Drex é um passo importante para a modernização do sistema financeiro nacional, aproximando-o das tendências internacionais em moeda digital, mas com cautela e foco na adequação tecnológica.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

