O Banco Central confirmou oficialmente que o Drex, a moeda digital brasileira, será lançado em 2026. O projeto vem sendo desenvolvido desde 2020 e passou por mudanças importantes ao longo dos anos. Segundo a autoridade monetária, trata-se de uma inovação que deve transformar o sistema financeiro nacional.
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O Banco Central confirmou o lançamento do Drex em 2026. Entenda o que é a moeda digital brasileira e como funcionará.
No entanto, o Drex desperta debates intensos. Enquanto especialistas apontam ganhos de eficiência e segurança, críticos destacam riscos à privacidade, à autonomia financeira e ao possível fortalecimento do controle estatal sobre a economia.

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O que é o Drex
O Drex é uma CBDC (Central Bank Digital Currency), ou seja, uma moeda digital emitida e controlada diretamente pelo Banco Central. Diferente do real físico ou das contas mantidas em bancos de varejo, o Drex funciona como versão oficial e digital da moeda nacional.
Na prática, o Banco Central passa a ser não apenas regulador, mas também emissor e gestor direto da moeda digital. Isso representa uma mudança significativa na forma como os brasileiros se relacionam com o sistema financeiro.
Modelos de CBDC
Existem dois modelos principais de moedas digitais de bancos centrais:
Modelo direto
Nesse formato, cada cidadão teria uma conta no próprio Banco Central. Os bancos de varejo perdem protagonismo, já que deixam de deter depósitos, o que reduziria sua capacidade de conceder crédito. Esse modelo foi adotado pela China em 2020, com o Yuan Digital.
Modelo intermediado
Nesse sistema, o Banco Central segue como emissor da moeda, mas os bancos privados mantêm o contato com os clientes, continuando a oferecer crédito e serviços.
Onde o Drex se encaixa
O Brasil deve adotar o modelo intermediado, também chamado de atacado. Nesse cenário, o Drex não será usado diretamente por pessoas físicas, mas servirá como instrumento de bastidores para bancos e grandes instituições financeiras.
Essa decisão busca reduzir riscos de controle direto sobre o dinheiro dos cidadãos e preservar parte da liberdade individual.
Exemplos internacionais

Diversos países já testaram ou lançaram suas próprias CBDCs, com resultados variados:
- Nigéria: lançou a eNaira em 2021, mas a moeda enfrentou rejeição popular devido ao aumento da vigilância governamental.
- Bahamas: criou o Sand Dollar, mas precisou obrigar bancos a distribuí-lo porque a população não aderiu espontaneamente.
Essas experiências demonstram que a aceitação de uma CBDC depende da confiança da sociedade e da percepção de liberdade financeira.
Mudanças no projeto brasileiro
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O Drex sofreu alterações significativas desde o início de sua concepção.
- Inicialmente, o projeto foi chamado de real digital, o que gerou confusão sobre o fim da moeda física.
- O nome foi alterado para Drex para evitar mal-entendidos.
- A proposta original incluía o uso de blockchain, mas essa tecnologia foi descartada pelo Banco Central.
Segundo Fábio Araújo, coordenador do projeto, o Drex será usado principalmente para reconciliação de garantias de crédito, permitindo que bancos verifiquem se um mesmo ativo está sendo oferecido em diferentes operações.
O impacto no dia a dia
No início, o Drex não será percebido pelo cidadão comum. A moeda digital atuará nos bastidores do sistema financeiro, sem substituir o real físico ou o Pix.
O Pix, que revolucionou as transferências instantâneas, seguirá funcionando de forma independente.
Apesar disso, especialistas alertam que, no futuro, o governo poderia migrar para um modelo direto, aumentando o controle sobre o dinheiro da população.
A questão da liberdade

O grande ponto de debate em torno das CBDCs é o equilíbrio entre eficiência e liberdade. Embora o modelo intermediado seja visto como mais seguro, há receios de que uma eventual mudança para o modelo direto permita ao governo impor bloqueios, rastrear gastos ou até limitar consumo.
Thiago Nigro, do canal O Primo Rico, destacou que a tecnologia abre espaço para cenários de restrição. Em situações extremas, poderia haver desde bloqueio de contas de manifestantes até imposição de prazos de validade para o dinheiro.
