O avanço das moedas digitais emitidas por bancos centrais ganhou novo espaço no debate brasileiro. A Câmara dos Deputados publicou, em 26 de agosto de 2026, uma edição do boletim +Contexto dedicada às chamadas CBDCs, sigla em inglês para moedas digitais de bancos centrais.
No Brasil, o principal projeto nessa área é o Drex, nome adotado pelo Banco Central para a moeda digital que anteriormente era chamada de Real Digital. A iniciativa faz parte da modernização da infraestrutura financeira brasileira e busca criar condições para novas operações envolvendo dinheiro e ativos digitais.
A publicação da Câmara ocorre em um cenário de forte digitalização dos serviços bancários. Segundo o levantamento divulgado pelo Legislativo, oito em cada dez transações bancárias já são realizadas por canais digitais, enquanto o volume de operações feitas por mobile banking cresceu 169% nos últimos cinco anos.
Leia mais:
Drex vai acabar com o Pix? Entenda
O que é o Drex?

O Drex é a representação digital do real desenvolvida pelo Banco Central. Diferentemente das criptomoedas, ele será uma moeda oficial vinculada à autoridade monetária brasileira.
O próprio Banco Central explica que o Drex é uma CBDC, ou moeda digital de banco central, e que sua estrutura utiliza tecnologia de registro distribuído, conhecida como DLT. A proposta é criar uma infraestrutura capaz de registrar e liquidar operações com diferentes tipos de ativos digitais.
Isso significa que o Drex não deve ser confundido com Bitcoin, Ethereum ou outros criptoativos. Esses ativos são emitidos de forma privada e não representam a moeda oficial do país. O Drex, por outro lado, está inserido no sistema financeiro regulado e tem como referência o próprio real.
Como o Drex deve funcionar na prática?
O funcionamento previsto é diferente do modelo tradicional de uma carteira digital comum. Para acessar a infraestrutura do Drex, o usuário deverá contar com um intermediário financeiro autorizado, como um banco, que fará a transferência de recursos da conta para uma carteira digital vinculada à plataforma.
Uma das principais propostas é permitir que dinheiro e outros ativos digitais sejam movimentados dentro de uma mesma infraestrutura.
Um exemplo citado pelo Banco Central ajuda a entender a aplicação. Em uma compra de veículo, o pagamento poderia ser condicionado à transferência da propriedade. Dessa forma, o dinheiro somente seria liberado quando a outra parte cumprisse a obrigação prevista no contrato.
Essa possibilidade está relacionada aos chamados contratos inteligentes, que permitem programar determinadas condições para que uma operação seja concluída automaticamente.
Drex não substitui o Pix
Apesar de os dois fazerem parte da transformação digital do sistema financeiro, Drex e Pix têm funções diferentes.
O Pix é um sistema de pagamentos instantâneos. Ele permite transferir reais entre contas de maneira rápida, inclusive em operações do cotidiano, como pagamentos em lojas e transferências entre pessoas.
O Drex está sendo desenvolvido para uma camada mais ampla de serviços financeiros digitais, especialmente operações que envolvem ativos tokenizados, contratos e liquidação de transações. O Banco Central prevê, por exemplo, aplicações relacionadas a crédito, investimentos e negociação de ativos digitais.
Portanto, a chegada do Drex não significa que o Pix deixará de existir. As duas tecnologias podem atuar de maneira complementar.
Em que fase está o Drex?
O Drex ainda não deve ser tratado como uma moeda digital disponível livremente para toda a população. O projeto passou por etapas de testes e desenvolvimento dentro do Piloto Drex, ambiente criado pelo Banco Central para avaliar diferentes possibilidades de utilização da tecnologia.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Na fase de testes, participam instituições financeiras e outros integrantes autorizados do sistema. Usuários finais não participam diretamente do piloto; suas operações são simuladas.
O Banco Central também informa que não existe, até o momento, uma data específica de lançamento do Drex para o público em geral. A evolução do projeto depende dos resultados dos testes e do nível de maturidade alcançado pela infraestrutura.
O que a Câmara dos Deputados está discutindo?

A nova edição do +Contexto reúne informações sobre projetos de lei, legislação brasileira e experiências internacionais relacionadas às moedas digitais de bancos centrais.
Entre as propostas destacadas está o PLP 9/2022, relacionado à emissão da moeda nacional em formato digital. O boletim também menciona o PL 4.212/2025, que aborda questões envolvendo liberdade econômica, privacidade e segurança dos cidadãos em relação às moedas digitais oficiais.
O objetivo do material produzido pelo Centro de Documentação e Informação da Câmara é oferecer subsídios para a atuação dos parlamentares e ampliar a qualidade do debate sobre o assunto.
Brasil acompanha movimento internacional
O interesse pelo Drex ocorre paralelamente a uma expansão global das pesquisas sobre CBDCs. De acordo com a edição do +Contexto, 146 países e uniões monetárias estão estudando algum modelo de moeda digital de banco central, enquanto 41 projetos-piloto estão em andamento. Bahamas, Jamaica e Nigéria já lançaram suas respectivas moedas digitais.
O cenário mostra que o Brasil não está desenvolvendo o Drex de maneira isolada. Bancos centrais de diferentes regiões avaliam como adaptar suas infraestruturas financeiras a uma economia em que dinheiro, contratos e ativos podem ser representados digitalmente.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



