O mercado de commodities agrícolas terminou a última semana de agosto com milho, soja, trigo, algodão e boi gordo sustentados, mas por razões diferentes. Entre 22 e 28 de agosto, o milho ganhou destaque no exterior, enquanto no mercado brasileiro a oferta, o câmbio, a demanda e o ritmo das exportações determinaram o comportamento de cada cadeia.
Para o produtor rural, essa diferença é importante. Uma alta generalizada não significa que todas as commodities tenham a mesma perspectiva. O momento de venda da soja, por exemplo, depende de uma combinação diferente daquela observada no milho ou no boi gordo.
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Milho ganha força com mercado externo e oferta mais apertada

O milho foi o principal destaque da semana. Em Chicago, o contrato chegou a US$ 5,14 por bushel em 26 de agosto, maior nível desde julho de 2023. No dia seguinte, houve realização de lucros, mas a cotação ainda terminou em US$ 5,10, acima dos US$ 4,78 registrados uma semana antes.
No Brasil, o mercado físico também apresentou sustentação. Segundo o levantamento divulgado na semana, as principais praças do Rio Grande do Sul chegaram a aproximadamente R$ 59 por saca, enquanto outras regiões apresentaram valores entre R$ 46 e R$ 66. Nos portos, as indicações chegaram perto de R$ 71.
O cenário de oferta ajuda a explicar a firmeza. A Conab estima 143 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, sendo aproximadamente 111 milhões de toneladas provenientes da segunda safra. O estoque de passagem projetado para o cereal é de 15,58 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo, as exportações perderam ritmo. Isso mostra que a valorização recente não depende exclusivamente dos embarques brasileiros, mas também da formação de preços internacionais e das condições de oferta e demanda.
Trigo encontra sustentação mesmo com a nova safra
O trigo também apresentou firmeza, apesar do início da entrada da nova produção. A menor oferta prevista para o Brasil continua sendo um dos principais fatores de sustentação.
A Conab projeta 5,8 milhões de toneladas de trigo em 2026, queda de 26,2% em relação ao ano anterior. A área cultivada também recuou 20,4%.
Esse cenário reduz a pressão que normalmente poderia ser provocada pela chegada da colheita. No Paraná, um dos principais produtores nacionais, as negociações permaneceram cautelosas, com compradores e vendedores avaliando produtividade, qualidade do cereal e comportamento das cotações internacionais.
Para o produtor, isso significa que a entrada da safra não necessariamente representa uma queda imediata dos preços. A disponibilidade efetiva, a qualidade do trigo e a necessidade de compra dos moinhos continuam sendo determinantes.
Soja combina Chicago, dólar e demanda
A soja chegou a aproximadamente R$ 160 por saca nos portos brasileiros durante a semana, em um movimento favorecido pela valorização em Chicago e pelo câmbio.
O cenário, porém, exige cautela. A cotação em reais resulta da combinação entre preço internacional e dólar. Quando a moeda americana perde força, uma eventual valorização da soja em Chicago pode ser parcialmente anulada no mercado brasileiro.
Dados do Cepea mostram a relevância dessa combinação: em 27 de agosto, o indicador da soja estava em R$ 149,21 por saca, enquanto o dólar comercial era negociado a R$ 5,166.
A própria Conab estima uma produção brasileira de soja de 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume 5,2% superior ao ciclo anterior.
Assim, o produtor precisa observar não apenas a cotação da bolsa, mas também prêmio de exportação, câmbio, frete e demanda regional antes de decidir vender.
Algodão fica abaixo da paridade de exportação
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No algodão, o mercado doméstico apresentou uma particularidade importante. Os preços internos ficaram abaixo da paridade de exportação, sinalizando que, em determinados momentos, a venda externa se tornou relativamente mais atrativa.
O indicador do algodão do Cepea estava em 429,05 centavos de real por libra-peso em 28 de agosto.
Quando a paridade favorece a exportação, os agentes podem direcionar maior quantidade da produção para o mercado externo. Esse movimento tende a reduzir a disponibilidade doméstica e pode contribuir para a recuperação dos preços internos.
O problema é que compradores nacionais continuam avaliando a capacidade de repassar custos maiores aos produtos manufaturados. Por isso, negócios podem permanecer mais seletivos mesmo com a valorização da pluma.
Boi gordo segue firme com oferta limitada

O mercado pecuário terminou a semana sustentado pela menor disponibilidade de animais prontos para abate.
O indicador do boi gordo do Cepea fechou 28 de agosto em R$ 345,35 por arroba, com alta diária de 0,25%. No mercado a prazo de São Paulo, a média ficou em R$ 349,11.
A oferta mais restrita dificulta a formação de escalas confortáveis pelos frigoríficos. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico e o comportamento das exportações funcionam como limitadores para uma valorização mais acelerada.
Na B3, os contratos futuros também mostravam expectativas de preços maiores para os meses seguintes: o vencimento de setembro fechou em R$ 358,80 por arroba e o de outubro em R$ 367,95 em 28 de agosto.
Foto Divulgação.



