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Mercado reage: Drex sem blockchain frustra expectativas após recuo do Banco Central

Banco Central muda plano do Drex, retira blockchain e adia lançamento para 2026, frustrando mercado e gerando críticas sobre transparência.

Bianca BorgesPor Bianca Borges7 min de leitura
Fraude

O projeto Drex, moeda digital do Banco Central do Brasil, foi inicialmente apresentado como uma revolução no sistema financeiro nacional. Baseado em blockchain permissionada, contratos inteligentes e integração com o Pix, o Drex prometia inclusão financeira, transparência e inovação tecnológica.

No entanto, uma guinada estratégica anunciada em agosto de 2025 alterou profundamente o projeto. Agora, o Drex deixa de ser uma Central Bank Digital Currency (CBDC) para o consumidor e passa a ser tratado como uma infraestrutura de bastidor, sem a tecnologia blockchain em sua primeira versão.

A entrega foi adiada para 2026, e o mercado financeiro reagiu com frustração e críticas severas.

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O que é o Drex e por que foi criado?

Drex
Imagem: Freepik e Canva

A promessa inicial do Banco Central

Anunciado oficialmente em 2023, o Drex nasceu com a missão de ser a moeda digital brasileira oficial, alinhada ao movimento global de digitalização das moedas nacionais. O Banco Central prometia um ambiente financeiro mais eficiente, seguro e moderno, com:

  • Tokenização de ativos;
  • Contratos inteligentes;
  • Baixo custo de transações;
  • Integração com o ecossistema do Pix.

A proposta seguia tendências de países como China, Suécia e Bahamas, que já testavam ou adotavam suas próprias moedas digitais. O Drex, então, foi visto como um passo estratégico para o Brasil se manter competitivo no cenário global de finanças digitais.

Da promessa à frustração: o novo modelo

Em 2025, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou que o Drex, ao contrário do que foi projetado, não usará blockchain em sua primeira versão.

Em vez disso, será apenas uma plataforma administrativa para reconciliação de gravames e tokenização de ativos, sem uso direto por pessoas físicas ou jurídicas em transações cotidianas.

O projeto deixou de ser uma moeda digital no sentido pleno e passou a ser descrito como uma infraestrutura operacional — uma decisão que alterou profundamente sua essência.

As principais mudanças no projeto Drex

O que muda na prática?

Abandono do blockchain

A decisão mais controversa foi a retirada do blockchain, tecnologia base para a maioria das moedas digitais emitidas por bancos centrais.

A justificativa foi a complexidade técnica e preocupações com privacidade. O BC argumenta que a blockchain não garante confidencialidade adequada para certas operações sensíveis do sistema financeiro.

Adiamento para 2026

O cronograma do projeto, antes previsto para 2024, agora foi adiado para algum momento de 2026. A falta de datas claras aumentou a incerteza no mercado, que esperava a conclusão dos testes ainda em 2025.

Redefinição como infraestrutura de bastidor

O Drex passa a ser apenas uma infraestrutura de back-end, voltada para instituições financeiras, e não mais um meio de pagamento digital para o consumidor final. O projeto agora foca em reconciliação de ativos e transações entre instituições autorizadas, sem envolvimento direto do cidadão comum.

Reação do mercado financeiro

Desapontamento generalizado

A retirada do blockchain e o adiamento da entrega foram recebidos com frustração e críticas por parte de analistas, investidores e desenvolvedores de tecnologia financeira. O Drex, que prometia transparência, descentralização e inovação, agora é visto como um projeto burocrático e ineficaz.

H3: Preocupações com controle estatal

O código-fonte do Drex, disponibilizado no GitHub em 2023, incluía funcionalidades como congelamento de contas e alteração de saldos por parte da autoridade monetária. Mesmo antes da retirada da blockchain, esses comandos já levantavam alertas sobre o potencial de vigilância estatal e interferência nas finanças pessoais dos cidadãos.

Falta de diálogo público

A ausência de debates públicos, audiências ou consultas à sociedade civil no desenvolvimento do Drex também tem sido criticada.

Diferente de países como a Suécia, que promovem transparência e participação no processo de criação de uma CBDC, o Brasil tem adotado um modelo centralizado e pouco acessível.

Pressão política e surgimento da PEC do Drex

Reação no Congresso Nacional

Diante das incertezas e do crescente controle estatal embutido no Drex, a deputada federal Júlia Zanatta apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que exige aprovação do Congresso Nacional para a criação e circulação de qualquer moeda digital pública.

Objetivos da PEC

  • Garantir controle democrático sobre moedas digitais;
  • Evitar o uso do Drex como ferramenta de vigilância;
  • Estabelecer transparência e responsabilidade institucional;
  • Promover debates públicos e técnicos sobre o projeto.

A PEC tem ganhado apoio entre parlamentares de diferentes espectros políticos, principalmente pela preocupação com a privacidade e a liberdade econômica dos brasileiros.

O setor de criptoativos cobra regulação

Falta de foco em regulação do mercado cripto

Enquanto o Banco Central dedica esforços ao Drex, o mercado de criptoativos segue em situação de incerteza regulatória. A Lei 14.478/22, que estabelece diretrizes para a atuação das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs), ainda não foi implementada de forma eficaz.

Principais lacunas regulatórias

  • Licenciamento de corretoras de criptomoedas pelo Banco Central está atrasado;
  • Falta de regras sobre segregação patrimonial, que protege ativos de clientes;
  • “Travel rule” internacional ainda não adotada, dificultando a cooperação global;
  • Insegurança jurídica para empresas e investidores, que enfrentam um vácuo normativo.

O descompasso entre o avanço do Drex e a estagnação da regulação dos criptoativos reforça a sensação de prioridades desconectadas com a realidade do mercado.

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O que países estrangeiros estão fazendo?

Lições ignoradas pelo Banco Central

China

A China adotou sua CBDC com forte foco em controle estatal, mas comunicou claramente seus objetivos e implementou a moeda digital com rapidez e escala.

Bahamas

Nas Bahamas, a moeda digital tem foco em inclusão financeira, especialmente em comunidades isoladas. O país apostou em uma CBDC descentralizada com acesso facilitado, inclusive offline.

Suécia

A Suécia promoveu amplo debate público e testes práticos antes de avançar com sua moeda digital, buscando o equilíbrio entre privacidade e eficiência.

União Europeia

O bloco europeu priorizou a regulação de criptoativos antes da criação de uma CBDC, construindo um ecossistema seguro e estável para inovação.

E o Brasil?

No Brasil, o Drex parece caminhar em direção oposta: centralização, pouco diálogo e mudanças bruscas no escopo, sem coordenação clara com o setor cripto.

O futuro incerto do Drex

Banco Central
Imagem: rafapress / shutterstock.com

Dúvidas que permanecem

Com o abandono do blockchain, a redefinição do projeto e a ausência de cronograma claro, o Drex parece ter perdido sua identidade. A promessa de inovação e protagonismo digital se transformou em um projeto obscuro, de uso restrito e pouca relevância prática no curto prazo.

Perguntas que seguem sem resposta

  • O Drex terá algum uso direto para o consumidor?
  • Como o Banco Central garantirá a privacidade dos dados dos usuários?
  • Por que o blockchain foi descartado, mesmo sendo tendência global?
  • Quando o projeto terá uma versão final funcional e acessível?

Impacto na credibilidade institucional

As mudanças repentinas e a falta de comunicação efetiva comprometem a confiança do mercado e da sociedade no Banco Central. Sem transparência e com decisões unilaterais, o Drex corre o risco de ser lembrado não como um marco, mas como uma oportunidade perdida.

Considerações finais

O Drex, que poderia colocar o Brasil na vanguarda da revolução digital monetária, se transformou em um projeto tecnicamente limitado, politicamente contestado e regulatoriamente desconexo.

A retirada do blockchain, o adiamento da entrega e a falta de diálogo aberto com a sociedade indicam que o Banco Central ainda precisa ajustar sua estratégia para atender às demandas reais do mercado financeiro e da população.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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