A Electrolux iniciou uma ampla reorganização de sua estrutura industrial para reduzir custos e concentrar a produção em unidades consideradas mais competitivas. O plano prevê uma redução líquida de aproximadamente 3 mil funcionários em todo o mundo ao longo de três anos, além da revisão de fábricas e linhas de produção.
A mudança já atingiu operações no Chile e na Hungria e também envolve uma transformação importante nos Estados Unidos. Na Itália, um plano que previa mais de 1.700 cortes e o fechamento de uma unidade entrou em negociação com o governo e os sindicatos e foi temporariamente suspenso.
Para os consumidores brasileiros, porém, o cenário é diferente. As operações da Electrolux no Brasil não fazem parte dos fechamentos anunciados, e a companhia continua investindo na produção nacional, inclusive com uma nova fábrica no Paraná.
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Por que a Electrolux está reduzindo sua estrutura?

A decisão está relacionada a uma revisão global da chamada estrutura produtiva — conjunto de fábricas, linhas e fornecedores utilizados pela companhia para fabricar seus produtos.
A Electrolux afirma que pretende aumentar a competitividade de custos e utilizar de maneira mais eficiente sua capacidade industrial. Entre os fatores citados estão a demanda estagnada em determinados mercados, pressão sobre preços e dificuldades de competitividade.
A estratégia não consiste apenas em fechar fábricas. Parte da produção será transferida para outras unidades do próprio grupo ou para parceiros industriais externos, enquanto algumas instalações serão adaptadas para fabricar categorias diferentes de produtos.
A empresa estima que a otimização global deverá gerar aproximadamente 1,4 bilhão de coroas suecas em ganhos de eficiência no terceiro ano. O programa também prevê cerca de 600 milhões de coroas suecas em investimentos ao longo de três anos para executar a reorganização industrial.
Chile foi o primeiro país a perder uma fábrica
No Chile, a Electrolux encerrou a produção em sua fábrica de Santiago no fim de abril de 2026.
A unidade empregava aproximadamente 400 trabalhadores. Segundo a companhia, a decisão ocorreu após uma análise da competitividade de custos da fábrica.
O encerramento não significa a saída da Electrolux do mercado chileno. A empresa informou que continuará comercializando seus produtos no país, mas o abastecimento será feito por outras fábricas do grupo e por parceiros externos.
A medida mostra uma das características centrais da nova estratégia: manter a presença comercial em determinados mercados sem necessariamente manter uma estrutura industrial própria em cada um deles.
Hungria terá produção encerrada até o fim de 2026
Outra unidade atingida fica em Jászberény, na Hungria. A Electrolux anunciou em abril que encerrará a produção no local até o fim de 2026.
A fábrica produz refrigeradores de modelos embutidos e independentes e emprega aproximadamente 600 pessoas.
A empresa citou a combinação de demanda estagnada, pressão sobre preços e custos considerados pouco competitivos como razões para a decisão.
A produção de refrigeradores não será abandonada. A Electrolux pretende atender a demanda utilizando outras fábricas do grupo e fabricantes parceiros.
Em junho, a companhia também anunciou um programa de apoio aos trabalhadores afetados pela decisão e passou a avaliar a possibilidade de venda do terreno industrial.
O que aconteceu com a fábrica da Electrolux nos Estados Unidos?
Nos Estados Unidos, a transformação ocorre principalmente na unidade de Anderson, na Carolina do Sul.
A fábrica deixará de produzir refrigeradores e será adaptada para a fabricação de máquinas de lavar e secadoras em uma parceria entre a Electrolux e a chinesa Midea.
O processo envolve o desligamento de aproximadamente 1.255 trabalhadores, segundo documento apresentado às autoridades trabalhistas estaduais. A previsão é que a unidade seja reestruturada para receber uma nova operação industrial.
A mudança ajuda a explicar por que o número de demissões não deve ser interpretado simplesmente como uma retirada da Electrolux dos Estados Unidos.
A companhia informou que a nova operação ligada à fabricação de produtos de lavanderia poderá contratar até 1.200 trabalhadores gradualmente em 2027 e 2028. Por isso, a empresa considera o impacto líquido de longo prazo, e não apenas os desligamentos realizados durante a transição.
Itália também entrou no plano, mas situação mudou
A Itália passou a integrar a reestruturação em maio, quando a Electrolux apresentou um plano que previa cerca de 1.700 cortes de postos de trabalho entre suas operações no país.
A proposta também incluía o fechamento da fábrica de Cerreto d’Esi, especializada na produção de coifas para cozinha. O plano representava mais de 40% dos aproximadamente 4.500 trabalhadores da companhia na Itália.
A situação, entretanto, não avançou conforme o anúncio inicial.
Em junho, após negociações com o Ministério das Empresas e do Made in Italy e representantes dos trabalhadores, o plano foi temporariamente suspenso para permitir novas discussões. Portanto, não é correto tratar os 1.700 cortes italianos como demissões já consumadas.
A disputa continua envolvendo o futuro da unidade de Cerreto d’Esi e das demais fábricas italianas.
E o Brasil? As fábricas da Electrolux serão fechadas?
Não. As unidades brasileiras não estão incluídas nos fechamentos anunciados pela companhia.
A informação ganhou importância depois que começaram a circular nas redes sociais publicações sugerindo que a Electrolux estaria fechando uma terceira fábrica no Brasil e demitindo milhares de funcionários no país. A alegação foi classificada como enganosa por verificadores, e a empresa afirmou que suas operações brasileiras seguem o planejamento de crescimento.
O movimento no Brasil, na realidade, é praticamente o oposto do observado em alguns mercados estrangeiros.
Em São José dos Pinhais, no Paraná, a Electrolux inaugurou uma nova fábrica com investimento de aproximadamente R$ 700 milhões. A unidade representa a maior expansão industrial da empresa na América Latina.
A planta foi projetada para alcançar uma capacidade superior a 5 milhões de produtos por ano quando estiver plenamente operacional. O projeto também prevê geração de aproximadamente 2 mil empregos diretos e indiretos.
Por que a Electrolux mantém investimentos no Brasil?
A própria companhia passou a enxergar o mercado brasileiro de maneira mais positiva em suas projeções para 2026.
No relatório do primeiro trimestre, a Electrolux revisou a perspectiva do mercado brasileiro de eletrodomésticos de “neutra” para “positiva”, enquanto a previsão para a América do Norte foi rebaixada para “negativa” após a queda da demanda na região.
A diferença ajuda a entender por que a empresa está tomando decisões tão diferentes em cada país.
Uma fábrica pode deixar de ser competitiva em determinado mercado por causa de custos, escala ou demanda, enquanto outra unidade pode receber investimentos porque está posicionada em uma região com melhores perspectivas de crescimento.
A estratégia, portanto, não representa simplesmente uma redução mundial da produção da Electrolux. Trata-se de uma redistribuição da capacidade industrial.
O que os cortes de 3 mil funcionários realmente significam?
O número de 3 mil postos precisa ser interpretado com cuidado.
A Electrolux anunciou uma redução líquida de aproximadamente 3 mil funcionários globalmente ao longo de três anos. Isso significa que o cálculo considera tanto os postos eliminados quanto as novas posições que podem ser criadas durante a transformação das operações.
O caso dos Estados Unidos ilustra essa diferença. Ao mesmo tempo em que 1.255 trabalhadores foram afetados pela mudança em Anderson, a nova operação de lavanderia associada à parceria com a Midea poderá contratar até 1.200 pessoas nos anos seguintes.
Por isso, não se deve somar automaticamente todos os números anunciados em Chile, Hungria, Estados Unidos e Itália e apresentá-los como se fossem os 3 mil cortes líquidos da companhia.
Além das mudanças nas fábricas, o programa também envolve alterações organizacionais e redução de custos em outras áreas do grupo.
A Electrolux está deixando de fabricar refrigeradores?
Não.
O que está acontecendo é uma mudança na localização e no modelo de produção de determinadas categorias.
Na Hungria, por exemplo, a Electrolux deixará de fabricar refrigeradores em Jászberény, mas informou que continuará atendendo a demanda por meio de outras unidades e parceiros industriais.
Nos Estados Unidos, a produção de refrigeradores em Anderson também será encerrada, mas a fábrica será reaproveitada para outra categoria.
O modelo permite que a empresa reduza estruturas consideradas menos competitivas sem necessariamente abandonar a fabricação ou comercialização daquele produto.
O consumidor brasileiro pode ser afetado?
Até o momento, não há indicação de fechamento de fábricas ou retirada da produção brasileira como consequência dessa reestruturação.
A operação nacional continua recebendo investimentos e a companhia mantém fábricas no país. Em agosto de 2026, a Electrolux também obteve R$ 300 milhões em financiamento do BNDES para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados a eletrodomésticos mais sustentáveis. Os projetos incluem 26 novos produtos.
Assim, para quem compra geladeiras, fogões, máquinas de lavar e outros produtos da marca no Brasil, a reestruturação internacional não significa, neste momento, que os produtos deixarão de ser fabricados no país ou que a Electrolux esteja encerrando suas atividades brasileiras.
O que acontece agora com a reestruturação?

A reorganização deve continuar nos próximos anos, com mudanças graduais na estrutura produtiva e no quadro de funcionários.
A Electrolux espera obter ganhos de eficiência progressivos e utilizar os recursos da reorganização para fortalecer sua rentabilidade. A companhia também anunciou uma parceria estratégica com a Midea na América do Norte e uma oferta de direitos de aproximadamente 9 bilhões de coroas suecas para reforçar o balanço e financiar iniciativas estratégicas.
O caso italiano ainda depende das negociações entre empresa, governo e sindicatos. Já os encerramentos no Chile e na Hungria foram formalmente anunciados pela companhia, enquanto a operação de Anderson passa por uma transformação industrial.
No Brasil, a direção segue em outra trajetória: investimento, expansão e desenvolvimento de novos produtos.
Para o consumidor, a principal conclusão é que a Electrolux não está simplesmente “fechando fábricas no mundo”. A multinacional está reorganizando onde e como produz, reduzindo estruturas em locais considerados menos competitivos e direcionando investimentos para operações com melhores perspectivas de rentabilidade e crescimento.
Conclusão
A reestruturação da Electrolux muda a distribuição de sua produção global, com fechamento de unidades e redução de postos em alguns países. No Brasil, porém, a estratégia segue em outra direção: a empresa mantém suas fábricas e amplia os investimentos, indicando que o mercado nacional continua entre as prioridades do grupo.
