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Israel enfrenta impasse político após avanço de partidos árabes nas eleições

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 7 min de leitura
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As eleições parlamentares de Israel terminaram na terça-feira (27) sem que os dois principais blocos políticos alcançassem a maioria necessária para formar um governo. Pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais emissoras do país indicaram avanço dos partidos que representam a população árabe e apontaram um cenário de impasse entre a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a oposição liderada por Gadi Eisenkot.

O resultado preliminar coloca partidos menores no centro das negociações políticas. Em um Parlamento com 120 cadeiras, são necessários pelo menos 61 votos para garantir maioria, o que torna decisivo o apoio de outras legendas para a formação de um novo governo.

Segundo as projeções, o bloco de oposição deve conquistar entre 52 e 53 assentos, enquanto a coalizão governista aparece com cerca de 50. Os dois principais partidos árabes, juntos, podem alcançar entre 17 e 18 cadeiras, ampliando sua influência nas negociações.

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As projeções indicam que o Ra’am (Lista Árabe Unida), liderado por Mansur Abbas e de orientação islâmica moderada, deve conquistar sete cadeiras. Já a Lista Unificada, identificada com a esquerda, aparece com previsão de dez a 11 assentos.

Com nenhum dos principais blocos próximo de garantir sozinho a maioria parlamentar, o apoio dessas legendas pode alterar o equilíbrio das negociações. Até o momento, porém, Netanyahu e Eisenkot não haviam anunciado possíveis alianças com os partidos árabes.

O sistema parlamentar israelense permite que diferentes partidos se unam para formar uma coalizão de governo. Por isso, conquistar o maior número de cadeiras não garante, por si só, que um candidato consiga assumir ou permanecer no cargo de primeiro-ministro.

Netanyahu enfrenta risco de perder o cargo após anos de polarização

A disputa representa um teste para Benjamin Netanyahu, que busca permanecer no poder após um período marcado por conflitos militares, críticas à condução da segurança nacional e divisões internas. Embora o Likud, partido do primeiro-ministro, apareça como a maior legenda individual em algumas pesquisas de boca de urna, isso não significa que Netanyahu tenha votos suficientes para formar um governo.

Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças de Defesa de Israel, tornou-se um dos principais nomes da oposição ao defender uma mudança na liderança política do país. Ele aposta na experiência militar e na necessidade de apurar as falhas de segurança que antecederam os ataques de 7 de outubro de 2023.

O resultado, entretanto, não representa uma vitória automática da oposição. Mesmo que o bloco de Eisenkot consiga reunir mais cadeiras do que os aliados de Netanyahu, ainda precisará negociar apoio parlamentar suficiente para governar.

Como funciona a formação do governo israelense?

Israel adota um sistema parlamentar no qual os eleitores escolhem partidos para o Knesset, o Parlamento nacional. Após a divulgação dos resultados oficiais, o presidente do país, Isaac Herzog, consulta os representantes das legendas e encarrega o político que considera ter melhores condições de formar uma coalizão.

O candidato designado precisa reunir apoio suficiente para viabilizar um governo. O processo envolve negociações sobre cargos, prioridades políticas e compromissos entre os partidos, o que pode prolongar a definição do novo gabinete.

Se as negociações fracassarem, outros nomes poderão ter a oportunidade de formar uma coalizão. Caso ninguém consiga construir uma maioria, o país poderá realizar novas eleições, enquanto o governo anterior permanece em caráter interino.

Conflitos e segurança dominaram a campanha eleitoral

A eleição de 27 de outubro foi a primeira disputa parlamentar geral de Israel desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. A guerra em Gaza e os confrontos envolvendo outros adversários regionais estiveram entre os principais temas da campanha.

Netanyahu procurou associar sua liderança à defesa nacional, destacando as operações militares e sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sua coalizão reúne partidos de direita, extrema direita e grupos ultraortodoxos, com posições distintas sobre segurança, religião e organização da sociedade israelense.

Entre os aliados do primeiro-ministro está o Otzma Yehudit, partido de extrema direita liderado por Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional. O desempenho dessas legendas também influencia as possibilidades de Netanyahu recompor uma maioria parlamentar.

Eisenkot, por sua vez, utilizou sua trajetória nas Forças de Defesa de Israel para questionar a condução da segurança pelo governo. Ele integrou o gabinete de guerra formado após os ataques de 2023, mas deixou o governo meses depois e passou a criticar a liderança do primeiro-ministro.

Um dos compromissos defendidos pelo oposicionista é a criação de uma comissão independente para investigar as falhas que permitiram os ataques de outubro. A responsabilização política e institucional pelo episódio permanece entre os pontos de maior tensão no debate israelense.

Onde os principais candidatos divergem?

Apesar da disputa pelo comando do governo, Netanyahu e Eisenkot apresentam convergências em questões importantes da política de segurança. Eisenkot se opõe à criação de um Estado palestino e apoia os assentamentos israelenses, embora tenha prometido combater a violência de colonos na Cisjordânia.

As diferenças entre os dois estão também na condução política do país, na responsabilização pelas falhas de segurança e na composição de uma eventual coalizão. Por isso, a escolha do próximo primeiro-ministro não depende apenas do resultado numérico das urnas, mas também da capacidade de cada grupo de negociar com outras forças políticas.

O que acontece agora após a votação em Israel?

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O próximo passo é a conclusão da apuração e a divulgação dos resultados oficiais. As pesquisas de boca de urna oferecem apenas estimativas iniciais e podem divergir da distribuição definitiva das cadeiras, especialmente em uma disputa apertada.

Depois da confirmação dos números, as negociações entre os partidos deverão definir quem tem condições de formar o próximo governo. O desempenho das legendas árabes será observado de perto, embora eventuais acordos dependam das posições públicas e das decisões de cada liderança.

A possibilidade de novas eleições também permanece no horizonte caso nenhum dos blocos consiga reunir apoio suficiente. Israel já enfrentou sucessivos impasses eleitorais entre 2019 e 2022, período em que foram realizadas cinco eleições em cerca de três anos e meio antes da formação de um governo liderado por Netanyahu no fim de 2022.

Conclusão

As eleições parlamentares de Israel terminaram sem uma definição clara sobre quem comandará o próximo governo. As projeções iniciais indicam uma disputa equilibrada entre a coalizão de Benjamin Netanyahu e a oposição liderada por Gadi Eisenkot, enquanto o avanço dos partidos árabes aumenta a complexidade das negociações.

A decisão dependerá da apuração oficial e da capacidade dos partidos de construir alianças que garantam apoio parlamentar. Até que esse processo avance, a permanência de Netanyahu, a formação de um governo de oposição e a possibilidade de novas eleições continuam entre os cenários em discussão.

Para acompanhar o desfecho, o leitor deve observar a divulgação dos resultados oficiais, as consultas conduzidas pelo presidente Isaac Herzog e os acordos anunciados pelas principais legendas. São esses próximos passos que indicarão se Israel conseguirá superar o impasse ou enfrentará mais um ciclo de instabilidade política.

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