A agenda econômica da semana começa com importantes indicadores no Brasil que devem impactar as expectativas do mercado sobre a trajetória da política monetária e o ritmo de crescimento da economia. Após um início de julho marcado por dados mistos — com um mercado de trabalho resistente, mas produção industrial em desaceleração — a atenção está voltada para a inflação, atividade econômica e sinais de comportamento do setor produtivo.
Calendário econômico da semana destaca inflação e atividade econômica no Brasil
Agenda econômica da semana destaca inflação, atividade e indicadores que influenciam a política monetária no Brasil.
Além do cenário doméstico, os mercados internacionais seguem atentos aos dados dos Estados Unidos, China e Europa, que influenciam a dinâmica global e o cenário de investimentos. Confira a seguir um panorama detalhado das principais leituras que
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Panorama econômico recente no Brasil

Na semana anterior, o Brasil mostrou força no mercado de trabalho, conforme dados do Caged que indicam recuperação e estabilidade na geração de empregos. No entanto, a produção industrial referente a maio decepcionou, apresentando resultado abaixo do esperado e sugerindo uma desaceleração na atividade econômica.
No campo da inflação, o IPCA-15 apontou sinais de alívio, mesmo com pressões pontuais em itens como a energia elétrica. Essa combinação reforça a ideia de que a inflação pode continuar cedendo gradualmente, ajudando a manter a taxa Selic estável ou até possibilitando algum ajuste futuro.
Indicadores-chave para a semana
Inflação sob observação
O IGP-DI de junho, que abre a agenda na segunda-feira (7), chega com projeções de deflação, o que segue a tendência de desaceleração dos preços ao produtor. Também serão divulgados durante a semana o IPC-S e o IPCA de junho — este último, principal índice oficial de inflação no Brasil, que tem expectativa de alta moderada, em torno de 0,19% para o mês.
Complementando essa análise, dados da produção agrícola e índices da Fipe ajudarão a compor um retrato mais completo da inflação, especialmente nos setores de alimentos e serviços, que têm peso relevante na composição dos índices.
Atividade econômica e confiança do setor produtivo
O foco no desempenho real da economia também está voltado para as pesquisas mensais do IBGE. Na terça-feira (8), o comércio detalha seu desempenho em maio, seguido pela divulgação da pesquisa mensal de serviços na sexta-feira (11). Ainda na sexta, a produção industrial regional também será revelada, permitindo avaliar as diferenças entre as regiões e setores da indústria.
Além disso, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) trará insights sobre o sentimento do setor produtivo no mês de julho, apontando o grau de otimismo ou cautela diante do cenário econômico.
Outros indicadores relevantes da semana
Entre os demais indicadores, merece destaque o relatório Focus do Banco Central, divulgado semanalmente, que reúne expectativas do mercado para variáveis como inflação, crescimento e juros. Também serão apresentados dados sobre produção e venda de veículos pela Anfavea, que refletem a saúde da indústria automotiva.
O Banco Central também divulgará o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) e o fluxo cambial semanal, ambos indicadores importantes para monitorar a movimentação de capital e a dinâmica dos preços das commodities, que têm peso significativo na economia brasileira.
Olhar global: EUA, China e Europa
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No cenário internacional, a atenção está voltada para a ata da última reunião do FOMC (Federal Open Market Committee) dos Estados Unidos, marcada para quarta-feira (9). O documento poderá trazer pistas sobre a avaliação do Fed quanto à inflação, emprego e a possibilidade de cortes de juros ainda em 2024, cenário que impacta diretamente o mercado financeiro global.
Na China, serão divulgados na terça-feira (8) os principais índices de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) referentes a junho. Esses números são essenciais para entender a dinâmica inflacionária do maior parceiro comercial do Brasil e seu processo de recuperação econômica.
Na Europa, os dados sobre vendas no varejo da zona do euro (segunda) e o índice de preços ao consumidor da Alemanha (sexta) serão observados atentamente em meio às dúvidas sobre o ritmo da atividade econômica e as decisões do Banco Central Europeu (BCE) sobre política monetária.
Agenda detalhada da semana
| Dia | País | Evento | Horário (Brasília) |
|---|---|---|---|
| Segunda-feira 07/07 | Brasil | IGP-DI (junho) – FGV | 08:00 |
| Brasil | Relatório Focus (semanal) – BCB | 08:25 | |
| Brasil | Produção e venda de veículos (junho) – Anfavea | 11:00 | |
| Zona do Euro | Vendas no varejo (maio) | 06:00 | |
| Terça-feira 08/07 | Brasil | IPC-S (semanal) – FGV | 08:00 |
| Brasil | Pesquisa Mensal de Comércio (maio) – IBGE | 09:00 | |
| EUA | Crédito ao consumidor (maio) – Fed | 16:00 | |
| China | Índice de preços ao produtor e consumidor (junho) | 22:30 | |
| Quarta-feira 09/07 | Brasil | IGP-M (1ª prévia de julho) – FGV | 08:00 |
| Brasil | Índice de Commodities Brasil e fluxo cambial – BCB | 14:30 | |
| EUA | Ata da reunião do FOMC | 15:00 | |
| Quinta-feira 10/07 | Brasil | IPC (semanal) – FIPE | 05:00 |
| Brasil | IPCA (junho) e Levantamento da produção agrícola – IBGE | 09:00 | |
| EUA | Pedidos de auxílio desemprego (semanal) | 09:30 | |
| Sexta-feira 11/07 | Brasil | Pesquisa Mensal de Serviços e Industrial Regional (maio) – IBGE | 09:00 |
| Brasil | Índice de Confiança do Empresário Industrial – CNI | 10:00 | |
| Alemanha | Índice de preços ao consumidor (junho) | 03:00 | |
| EUA | Resultado fiscal mensal (junho) | 15:00 |
Expectativas e impacto para os investidores

Os indicadores brasileiros devem ajudar a calibrar as expectativas do mercado financeiro e do Banco Central quanto à continuidade do ciclo de alta ou estabilidade da Selic. Com a inflação mostrando sinais de desaceleração, a pressão para manutenção dos juros elevados tende a diminuir, o que pode abrir espaço para uma trajetória de queda mais adiante, caso a atividade econômica se mantenha resiliente.
Do lado externo, o comportamento do Fed e os dados da China influenciam a entrada e saída de capitais no país, além de afetar as commodities, que são componentes importantes da balança comercial brasileira.
Com informações de: InfoMoney
