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Empresas começam a operar como fintechs para ampliar receita e margem

Embedded finance cresce no Brasil e permite que empresas aumentem receita com crédito, pagamentos e contas digitais integradas à operação.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
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O avanço do embedded finance está mudando de forma profunda a maneira como empresas brasileiras geram receita e se relacionam com seus clientes. Ao integrar serviços financeiros como crédito, pagamentos, seguros e contas digitais diretamente em suas operações, companhias de diferentes setores passam a capturar valor que antes ficava concentrado em bancos e intermediários.

Esse movimento ocorre em um momento de forte digitalização da economia, impulsionado por tecnologias como open finance, pix, inteligência de dados e plataformas financeiras integradas. No Brasil, o ambiente é especialmente favorável: o país conta com mais de 1.500 fintechs em operação e um sistema de crédito que já supera 5 trilhões de reais, segundo dados do Banco Central e de entidades do setor.

Nesse cenário, o embedded finance deixa de ser uma tendência e passa a se consolidar como uma estratégia de crescimento para empresas que buscam novas fontes de faturamento, previsibilidade de caixa e maior fidelização de clientes.

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O que é embedded finance e por que ele cresce no Brasil

Embedded finance é o modelo em que serviços financeiros são incorporados diretamente em plataformas ou empresas que não são bancos. Em vez de o cliente precisar procurar uma instituição financeira, o crédito, o pagamento ou a conta digital aparecem dentro da jornada de compra ou do serviço.

Na prática, isso significa que uma loja pode oferecer parcelamento próprio, uma indústria pode financiar seus distribuidores e uma empresa de serviços pode disponibilizar carteira digital ou crédito para seus clientes.

Esse modelo cresce por três motivos principais:

  • digitalização do consumo
  • avanço do open finance
  • necessidade de novas fontes de receita
  • maior integração tecnológica entre empresas e fintechs

Com isso, empresas passam a atuar como plataformas financeiras, mesmo sem serem instituições bancárias.

Segundo Leticia Moschioni, sócia da Finscale, muitas companhias já operam atividades financeiras no dia a dia, mas ainda não monetizam isso de forma estratégica.

De acordo com ela, ao estruturar uma vertical financeira, a empresa amplia suas receitas e fortalece o relacionamento com o cliente, criando novas oportunidades de crescimento sustentável.

Como empresas estão transformando serviços financeiros em receita

O embedded finance permite que empresas transformem processos operacionais em novas unidades de negócio.

Atividades que antes eram apenas custos ou suporte à operação passam a gerar receita, como:

  • financiamento ao cliente
  • antecipação de recebíveis
  • carteira digital própria
  • emissão de cartões
  • gestão de pagamentos
  • crédito para fornecedores ou parceiros

Esse modelo faz com que a empresa capture parte das receitas financeiras que antes eram destinadas a bancos, fintechs ou adquirentes.

Crédito próprio como nova fonte de faturamento

Uma das principais frentes do embedded finance é a oferta de crédito direto ao cliente.

Empresas que vendem produtos ou serviços já possuem informações valiosas sobre o comportamento de compra, histórico de pagamento e perfil do consumidor. Com esses dados, é possível criar linhas de crédito mais seguras e personalizadas.

O resultado é um ganho duplo:

  • aumento das vendas
  • geração de receita financeira

Segundo Raphael Monteiro, sócio da Finscale, esse reposicionamento pode gerar aumento de 15% a 40% no faturamento, além de melhorar a previsibilidade de caixa e reduzir a dependência de terceiros.

Setores que mais avançam no embedded finance

O embedded finance não se limita ao setor financeiro. Diversos segmentos da economia já estão estruturando suas próprias soluções.

Varejo

O varejo é um dos setores mais avançados na integração de serviços financeiros.

Grandes redes já oferecem:

  • cartões próprios
  • crediário digital
  • contas digitais
  • cashback e financiamento

Isso aumenta o ticket médio e fideliza clientes, além de gerar receita com juros e serviços financeiros.

Indústria

Na indústria, o embedded finance aparece principalmente no financiamento da cadeia de distribuição.

Empresas industriais podem oferecer crédito para:

  • distribuidores
  • revendedores
  • parceiros logísticos

Isso fortalece a cadeia e garante maior controle sobre as vendas e o fluxo financeiro.

Serviços e tecnologia

Empresas de tecnologia e serviços utilizam embedded finance para criar ecossistemas completos.

Exemplos incluem:

  • plataformas de gestão com conta digital
  • sistemas de pagamento integrados
  • crédito para pequenas empresas
  • soluções de antecipação de recebíveis

O objetivo é transformar a plataforma em um hub financeiro.

O papel das fintechs na expansão do embedded finance

O crescimento do embedded finance está diretamente ligado ao avanço das fintechs no Brasil.

Essas empresas oferecem infraestrutura tecnológica que permite a integração de serviços financeiros sem que a companhia precise se tornar um banco.

Entre as soluções disponíveis estão:

  • banking as a service
  • crédito como serviço
  • pagamentos integrados
  • gestão de contas digitais
  • APIs financeiras

Empresas especializadas, como a Finscale, atuam estruturando operações financeiras dentro das companhias, transformando serviços existentes em novas unidades de negócio.

Segundo Callebe Mendes, sócio da Finscale, o diferencial está na execução ponta a ponta, garantindo que a estratégia saia do papel e se torne uma operação real e rentável.

Ele destaca que muitas empresas já possuem os ativos necessários para operar soluções financeiras, como base de clientes, dados e fluxo de pagamentos.

Benefícios do embedded finance para empresas

A adoção do embedded finance traz vantagens estratégicas importantes para as empresas.

Aumento de receita

A principal vantagem é a criação de novas fontes de faturamento, com receitas provenientes de:

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  • juros de crédito
  • taxas de serviços financeiros
  • operações de pagamento
  • comissões

Isso diversifica o modelo de negócio e reduz a dependência das vendas tradicionais.

Previsibilidade de caixa

Com receitas recorrentes vindas de serviços financeiros, a empresa ganha maior controle sobre o fluxo de caixa.

Isso permite:

Fidelização de clientes

Quando o cliente utiliza crédito, pagamento e conta digital dentro da mesma empresa, a relação se torna mais duradoura.

O embedded finance cria um ecossistema que aumenta o engajamento e reduz a migração para concorrentes.

Desafios para implementar embedded finance

Apesar das vantagens, a implementação exige planejamento e estrutura.

Entre os principais desafios estão:

  • regulamentação do Banco Central
  • gestão de risco de crédito
  • integração tecnológica
  • compliance financeiro
  • estrutura operacional

Empresas precisam seguir regras do sistema financeiro, especialmente no que envolve open finance, proteção de dados e operações de crédito.

Por isso, a estruturação com parceiros especializados se torna essencial para garantir segurança e viabilidade.

O futuro do embedded finance no Brasil

O embedded finance tende a crescer de forma acelerada nos próximos anos.

Com a evolução do open finance, do pix e das plataformas digitais, cada vez mais empresas passarão a operar soluções financeiras próprias.

As tendências incluem:

  • crédito personalizado com inteligência artificial
  • contas digitais integradas a plataformas
  • pagamentos invisíveis
  • financiamento automatizado
  • ecossistemas financeiros corporativos

O Brasil tem um dos sistemas financeiros mais avançados do mundo em digitalização, o que favorece a expansão desse modelo.

Empresas que se posicionarem agora terão vantagem competitiva, maior controle sobre a receita e um relacionamento mais forte com seus clientes.

Conclusão

O embedded finance representa uma mudança estrutural no mercado brasileiro. Empresas deixam de ser apenas prestadoras de produtos ou serviços e passam a atuar também como plataformas financeiras, capturando receitas que antes pertenciam a bancos e intermediários.

Com potencial de aumento de faturamento entre 15% e 40%, maior previsibilidade de caixa e fortalecimento da relação com clientes, o modelo se consolida como uma estratégia relevante para o crescimento sustentável.

A tendência é que, nos próximos anos, o embedded finance se torne parte natural das operações empresariais, impulsionando inovação, competitividade e novas oportunidades de negócios no Brasil.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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