Quando o governo dos Estados Unidos, sob a gestão do então presidente Donald Trump, decidiu aplicar pesadas tarifas a produtos estrangeiros em meio a uma guerra comercial, muitas indústrias ao redor do mundo foram diretamente afetadas. Mas, surpreendentemente, a Embraer – gigante brasileira da aviação – ficou de fora do chamado “tarifaço”.
Como a Embraer escapou do tarifaço dos EUA com liderança regional
Embraer escapa das tarifas dos EUA por ser insubstituível na aviação regional. Entenda os impactos e a importância da empresa no mercado americano.
A razão por trás da exclusão parece ter sido simples e pragmática: o que não pode ser substituído por outro fornecedor é excluído do pacote de taxação. Essa diretriz teria guiado a administração americana ao avaliar os impactos práticos da imposição de tarifas sobre certos setores considerados estratégicos ou essenciais à economia do país.
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A força da Embraer nos Estados Unidos

Presença consolidada há mais de quatro décadas
A Embraer atua nos Estados Unidos há mais de 45 anos. Durante esse tempo, estabeleceu uma reputação sólida, não apenas como fornecedora confiável de aeronaves, mas como peça-chave na conectividade aérea regional do país. Seu portfólio abrange aviões comerciais de médio porte, amplamente utilizados por companhias que operam rotas entre cidades menores, onde o tráfego aéreo não justificaria o uso de aeronaves maiores da Boeing ou Airbus.
Números que impressionam
A empresa brasileira mantém mais de US$ 3 bilhões em ativos em território norte-americano. Conta com unidades de produção, centros de engenharia, manutenção e atendimento ao cliente espalhados por diversos estados. A operação direta gera cerca de 2.500 empregos altamente especializados, além de movimentar mais de 10 mil postos de trabalho indiretos em sua cadeia de fornecimento.
Papel estratégico na aviação regional e executiva
Além da aviação comercial, a Embraer tem papel relevante na aviação executiva, com jatos como o Phenom 300 e o Praetor 600, muito utilizados por empresas e altos executivos norte-americanos. Essa atuação diversificada e de alta qualidade contribuiu para que a marca se tornasse praticamente insubstituível em determinados nichos do mercado aeronáutico dos EUA.
Tarifaço de Trump: contexto e impacto
A guerra comercial dos anos Trump
Durante o mandato de Donald Trump, os Estados Unidos entraram em uma intensa guerra comercial com diversos parceiros, principalmente a China. O governo aplicou tarifas de até 25% sobre centenas de bilhões de dólares em importações, alegando proteção da indústria americana e correção de desequilíbrios comerciais.
Impacto em setores sensíveis
Diversos setores sofreram com o aumento de preços e redução da competitividade. Fabricantes de peças, eletrônicos, bens de consumo e até alimentos registraram aumento de custos. No entanto, ao aplicar as tarifas, o governo fez exceções pontuais para produtos e empresas consideradas estratégicas ou com alta dependência externa.
Por que a Embraer foi poupada

Insubstituível na aviação regional
O principal fator para a exclusão da Embraer das tarifas parece ser a falta de alternativas viáveis para substituição de seus produtos. Seus jatos da linha E-Jet (como os E175 e E195-E2) são amplamente utilizados por companhias como United, American Eagle e Delta Connection. A interrupção no fornecimento dessas aeronaves comprometeria a logística aérea regional, especialmente em estados menos populosos.
Fábricas e empregos nos EUA
Outro argumento forte foi a presença industrial da Embraer em solo norte-americano. A empresa não apenas vende aviões aos EUA, mas também produz, emprega, paga impostos e treina mão de obra local. Isso faz com que ela seja vista como parte da indústria nacional, e não apenas uma fornecedora estrangeira.
Relação diplomática com o Brasil
Apesar de divergências pontuais, os Estados Unidos mantêm relações diplomáticas e comerciais estratégicas com o Brasil. Poupando a Embraer, o governo norte-americano evitou tensões com um parceiro relevante na América Latina, especialmente em um setor sensível como a indústria aeroespacial.
Embraer na bolsa de Nova York
Listada há 25 anos na NYSE
A presença da Embraer na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) também contribuiu para sua posição privilegiada no mercado americano. A listagem na bolsa garante maior transparência contábil, rigor regulatório e facilita o relacionamento com investidores norte-americanos.
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Estrutura acionária globalizada
Apesar de ser uma empresa de origem brasileira, quase 90% das ações da Embraer estão nas mãos de investidores estrangeiros, muitos deles nos Estados Unidos. Essa estrutura fortalece os laços financeiros entre a fabricante e o mercado norte-americano, gerando maior resistência a medidas protecionistas extremas.
O futuro da Embraer nos EUA

Crescimento no mercado executivo
Com a demanda crescente por jatos executivos de alta eficiência, a Embraer está em posição privilegiada para ampliar sua participação nos EUA. O Phenom 300, por exemplo, foi o jato leve mais vendido do mundo por vários anos consecutivos.
Novos contratos com forças armadas e setor público
Além do mercado civil, a empresa também explora oportunidades no setor militar. A aeronave Super Tucano (A-29), por exemplo, já foi adquirida pela Força Aérea dos EUA para missões de treinamento. Parcerias futuras com o governo americano podem consolidar ainda mais essa relação estratégica.
Sustentabilidade e inovação
A Embraer vem investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento de aeronaves sustentáveis, incluindo projetos de jatos com menor emissão de carbono e até elétricos. O compromisso com a inovação e com metas ambientais pode reforçar ainda mais sua reputação no competitivo mercado dos EUA.
Conclusão
A exclusão da Embraer do tarifaço imposto pelo governo Trump mostra como relevância estratégica, presença industrial local e inovação contínua podem blindar uma empresa contra políticas comerciais agressivas. Muito mais do que uma fornecedora internacional, a Embraer se tornou parte fundamental da infraestrutura aérea dos Estados Unidos, sendo reconhecida como insubstituível em sua atuação.
Com raízes brasileiras e atuação global, a fabricante continua a crescer no mercado norte-americano, provando que, mesmo em tempos de protecionismo, competência e valor agregado ainda falam mais alto.
