As ações da Embraer (EMBR3) viveram uma quarta-feira (10) marcada por forte volatilidade no pregão da B3. O motivo foi o anúncio de um contrato histórico: a fabricante brasileira recebeu um pedido de até 100 jatos E195-E2, avaliado em cerca de US$ 4,4 bilhões a preços de tabela.
A encomenda partiu da Avelo Airlines, que se tornará a primeira companhia aérea norte-americana a operar o modelo. O acordo reforça a presença da Embraer no mercado dos Estados Unidos, considerado o mais estratégico da aviação comercial.
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O impacto imediato na Bolsa

Pouco após a divulgação, por volta das 11h, os papéis da Embraer chegaram a superar R$ 84,07, atingindo a máxima histórica e alta de 3,17%. Entretanto, o movimento de euforia inicial deu lugar à realização de lucros: minutos depois, os ativos recuaram cerca de 0,5%. Às 11h25, estavam cotados a R$ 81,64, com leve valorização de 0,18%.
Essa oscilação reflete o comportamento típico de investidores diante de notícias relevantes: primeiro, a valorização impulsionada pela expectativa; depois, uma correção natural com vendas rápidas.
O E195-E2: tecnologia e eficiência
O E195-E2 é o maior jato comercial produzido pela Embraer. Tem capacidade para 146 passageiros em classe única e alcance de até 5.500 km, características que o colocam como alternativa eficiente para rotas regionais e de médio curso.
Segundo a fabricante, o modelo é reconhecido pelo baixo consumo de combustível, operação silenciosa e capacidade de decolar em pistas curtas. Esses fatores permitem que companhias aéreas explorem mercados menores, mantendo a rentabilidade.
“O E195-E2 é um divisor de águas para companhias aéreas que desejam crescer de forma lucrativa enquanto elevam a experiência dos passageiros”, destacou Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.
Embraer no radar de Wall Street
Analistas do JPMorgan avaliaram positivamente o anúncio, destacando três pontos principais:
- Entrada em novo mercado: a venda marca a estreia da linha E2 nos Estados Unidos, o maior mercado global de aviação.
- Fortalecimento da carteira: após esse pedido, a Embraer soma cerca de US$ 17,5 bilhões em encomendas, equivalentes a 487 aeronaves – volume que garante aproximadamente seis anos de produção, considerando a projeção de 81 entregas por ano a partir de 2025.
- Maior contrato do E2: trata-se do maior pedido já feito para o modelo. O recorde anterior havia sido da SAS, com 45 aeronaves mais 10 opções de compra.
Lobby por tarifas mais baixas nos EUA
O anúncio também coincide com um encontro de líderes do setor aeroespacial em Washington. A Embraer tem buscado junto ao governo norte-americano a redução das tarifas de importação, atualmente em 10%.
O contrato com a Avelo Airlines é visto como um argumento adicional para sustentar a reivindicação de tarifa zero. Isso porque demonstra que, mesmo com a taxação, os aviões da Embraer mantêm competitividade frente aos gigantes Airbus e Boeing.
A estratégia global da Embraer
A Embraer ocupa a posição de terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, atrás apenas da Airbus e da Boeing. O sucesso recente da linha E2 fortalece sua estratégia de expandir presença nos mercados mais disputados.
Além disso, a empresa aposta em iniciativas ligadas à sustentabilidade, como combustíveis alternativos e aviões mais eficientes. Esses diferenciais são cada vez mais valorizados por companhias aéreas, que enfrentam pressão para reduzir emissões de carbono.
Possíveis próximos catalisadores
De acordo com o JPMorgan, os próximos movimentos capazes de impactar as ações da Embraer incluem:
- Redução ou eliminação da tarifa de importação nos EUA, medida que aumentaria ainda mais a competitividade da companhia.
- Novos contratos militares, com destaque para o cargueiro KC-390, que pode ser adquirido pela Força Aérea norte-americana.
Esses fatores, combinados ao contrato histórico com a Avelo Airlines, podem manter a Embraer em evidência nos próximos meses.
Oscilação natural ou sinal de cautela?

Apesar do entusiasmo inicial, a reação dos papéis EMBR3 sugere que o mercado ainda adota cautela. O cenário global da aviação, impactado por custos de combustível e oscilações econômicas, exige análises mais amplas antes de consolidar tendências de alta.
Para investidores de longo prazo, no entanto, o anúncio é um indicativo de fortalecimento estratégico da Embraer, especialmente por abrir portas no maior mercado aeronáutico do mundo.
Com informações de: InfoMoney
