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Dark Horse: empresário ligado ao filme é investigado por movimentações suspeitas

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 8 min de leitura
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Uma investigação sobre o setor de combustíveis trouxe novamente ao noticiário o nome de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Segundo reportagem do UOL baseada em informações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o empresário movimentou R$ 1,2 milhão em espécie e R$ 1,6 bilhão em operações imobiliárias consideradas suspeitas pelos investigadores. Ele está entre os alvos de uma nova etapa das apurações.

Mineiro também é citado em outra investigação, relacionada a repasses para um fundo nos Estados Unidos associado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. As duas frentes têm objetos distintos. A menção ao filme não significa que os R$ 1,2 milhão em espécie tenham sido usados na produção. Até aqui, essa ligação específica não foi demonstrada nas informações divulgadas.

O que está sob investigação, então? E por que uma usina, uma distribuidora de combustíveis, fintechs e fundos de investimento aparecem no mesmo caso? Entender a sequência das operações ajuda a separar os fatos documentados das suspeitas ainda em apuração.

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O que aconteceu na Operação Crédito Oculto?

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Crédito: Divulgação/Dark Horse

Em 24 de setembro de 2026, a Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Crédito Oculto. Ela é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e investiga suspeitas de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro em negócios ligados ao setor de combustíveis.

A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, distribuídos por sete estados. Uma busca permite recolher documentos e equipamentos que possam interessar à investigação; não equivale a condenação dos alvos.

De acordo com a Receita, os investigadores tentam reconstruir o caminho do dinheiro usado para controlar uma usina sucroalcooleira no interior paulista e, depois, estruturar a compra de uma grande distribuidora de combustíveis. A suspeita é de que diferentes empresas e instrumentos financeiros tenham sido usados para dificultar a identificação dos proprietários e financiadores reais.

Por que essa fase recebeu o nome Crédito Oculto?

O foco está no uso de operações financeiras que, segundo a investigação, teriam dado aparência regular à circulação dos recursos. Em vez de uma transferência direta e facilmente identificável entre o financiador e o negócio adquirido, o dinheiro teria passado por empresas, contas e fundos com funções diferentes.

Isso exige uma apuração detalhada. Usar uma fintech, um fundo de investimento ou um título de crédito não é crime por si só. O que os órgãos investigam é se essas estruturas foram combinadas, neste caso, para disfarçar a origem do dinheiro e esconder quem mantinha o controle econômico dos ativos.

Onde Antônio Carlos Freixo Júnior entra na apuração?

Segundo o UOL, Mineiro é dono da Entre Investimentos e foi apontado pelo MP-SP como um operador financeiro ligado ao grupo investigado. O órgão considerou suspeitas movimentações de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo e R$ 1,6 bilhão em operações imobiliárias atribuídas ao empresário. Os números foram mencionados em informações usadas para fundamentar a operação.

A reportagem também informa que ele aparece como ganhador de R$ 176 milhões em 570 registros de prêmios e apostas analisados em relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O MP-SP classificou essa movimentação como suspeita. O registro dos valores não demonstra, isoladamente, a prática de crime; cabe à investigação estabelecer a origem e o destino dos recursos.

O comunicado público da Receita Federal descreve as estruturas investigadas, mas não identifica Mineiro pelo nome. As informações individuais sobre ele, portanto, devem ser atribuídas à reportagem que teve acesso aos elementos da apuração. O UOL informou ter procurado sua defesa e que atualizaria a publicação caso recebesse manifestação.

O que significa movimentar dinheiro “em espécie”?

Significa realizar operações com dinheiro físico, como cédulas. Isso não é automaticamente ilegal. Em investigações financeiras, porém, grandes valores em espécie podem exigir explicações adicionais porque são mais difíceis de rastrear do que transferências eletrônicas feitas entre contas identificadas.

O ponto central não é apenas o valor movimentado, mas se existe documentação capaz de demonstrar de onde o dinheiro veio, por que foi transferido e quem foi seu destinatário final.

Como a investigação chegou à usina e à distribuidora?

A Receita afirma ter encontrado indícios de que a titularidade formal da usina sucroalcooleira estava distribuída entre fundos e empresas aparentemente independentes, enquanto o controle econômico permaneceria com outros beneficiários. Em linguagem simples, os nomes presentes nos documentos não mostrariam, segundo essa hipótese, quem de fato comandava o negócio.

Uma das operações examinadas envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Direitos creditórios são valores que uma empresa tem a receber. Segundo a Receita, a transação teria usado cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios, o FIDC, e parte relevante do dinheiro empregado teria vindo de fundos controlados pelo próprio grupo investigado. Os órgãos apuram se isso criou um fluxo circular para conferir aparência legítima à operação.

Em outra etapa, a usina teria recebido R$ 100 milhões destinados a viabilizar a aquisição da distribuidora. De acordo com a Receita, os valores passaram em poucos minutos por contas de empresas do grupo antes de chegar à usina. Essa sequência é examinada como possível forma de dificultar a identificação da origem do dinheiro.

Os R$ 11,6 bilhões foram desviados?

Não é isso que o número informado pela Receita significa. O órgão afirma que a empresa financeira empregada na operação investigada movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Movimentação é o volume de recursos que passou pela estrutura durante o período; não deve ser apresentado como lucro, valor desviado ou dinheiro comprovadamente ilícito.

Para os investigadores, esse volume, analisado junto aos demais elementos, reforça a suspeita de que a estrutura financeira tenha sido usada para ocultar patrimônio e dissimular a origem de recursos. A conclusão sobre responsabilidades individuais depende do avanço da investigação e do processo judicial.

Qual é a ligação do empresário com o filme Dark Horse?

A conexão com Dark Horse vem de outra frente de apuração. Segundo o UOL, empresas do Grupo Entre figuram entre as envolvidas em repasses ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, fundo associado ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mineiro firmou um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações sobre o antigo Banco Master.

Uma colaboração premiada, também chamada de delação, é um acordo pelo qual um investigado oferece informações às autoridades sob condições legais. Seu conteúdo precisa ser verificado com outras provas; a homologação do acordo não transforma automaticamente todas as declarações em fatos comprovados.

É essencial manter as apurações separadas: a Operação Crédito Oculto investiga estruturas financeiras relacionadas à usina e à distribuidora de combustíveis. As informações sobre o financiamento do filme pertencem às investigações que examinam aqueles repasses. A presença do mesmo empresário nos dois assuntos não autoriza afirmar que toda movimentação citada teve o mesmo destino.

O que acontece depois das buscas?

Documentos, registros bancários e materiais eventualmente recolhidos serão examinados pelos investigadores. O objetivo é estabelecer quem controlava as empresas, de onde vieram os recursos, como circularam e se houve crime. As pessoas citadas têm direito de apresentar explicações e contestar as suspeitas.

Para acompanhar o caso sem confundir etapas, vale observar a origem de cada nova informação. Uma suspeita do MP, uma declaração em colaboração, um relatório financeiro e uma decisão judicial têm pesos diferentes. Também é importante conferir se determinado valor representa uma transação específica ou a soma de movimentações ao longo de anos.

Até o momento, a notícia central é esta: a Operação Crédito Oculto apura possível lavagem de dinheiro na compra de ativos do setor de combustíveis, e reportagem baseada em elementos do MP-SP identifica Mineiro entre os investigados por movimentações consideradas suspeitas. A relação dele com Dark Horse é um contexto de outra investigação e precisa continuar descrita como tal.

Perguntas frequentes

Antônio Carlos Freixo Júnior foi condenado?

As informações examinadas tratam de investigação e de mandados de busca. Elas não indicam condenação pelos fatos descritos na Operação Crédito Oculto.

Os R$ 1,2 milhão em espécie financiaram Dark Horse?

Não há informação divulgada que comprove essa ligação específica. O valor é citado entre as movimentações consideradas suspeitas na investigação relatada pelo UOL.

O que é a Operação Crédito Oculto?

É uma investigação deflagrada em 24 de setembro de 2026 pela Receita Federal e pelo Gaeco, como desdobramento da Operação Carbono Oculto, para apurar estruturas financeiras ligadas à aquisição de ativos no setor de combustíveis.

O que significa o valor de R$ 11,6 bilhões?

Segundo a Receita, é o montante aproximado movimentado entre 2021 e 2025 por uma empresa financeira examinada na investigação. Não corresponde, por si só, a um valor comprovadamente desviado.

Qual é o papel do Coaf nesse tipo de caso?

O Coaf produz relatórios de inteligência financeira sobre movimentações que exigem análise. Um alerta ou relatório pode ajudar a orientar a investigação, mas não é uma condenação.

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