O avanço do projeto de lei que altera as regras do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) já começou a provocar movimentações estratégicas entre empresas listadas na bolsa de valores, especialmente quanto ao pagamento de dividendos. Uma das principais mudanças da proposta — que já foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora está em discussão no Senado — prevê a eliminação da isenção sobre dividendos, em vigor desde 1996.
20 ações que podem distribuir dividendos gigantescos até dia 30 de novembro
Empresas devem antecipar dividendos em 2025 para evitar nova alíquota de 10% prevista no projeto de lei que revisa regras do Imposto de Renda.
Com a possível implementação de uma alíquota de 10% sobre dividendos a partir de 2026, companhias com reservas de lucros acumuladas devem se antecipar e anunciar dividendos extraordinários ainda em 2025, para escapar da nova tributação.
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O que muda com o projeto de lei do Imposto de Renda?
Tributação de dividendos volta após quase 30 anos
O projeto de lei retoma a cobrança de imposto sobre pagamentos de dividendos feitos a pessoas físicas, atualmente isentos. A proposta estabelece uma alíquota de 10% sobre os valores distribuídos, com exceção de micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional.
Contudo, dividendos pagos em 2025 com base nos lucros de 2024 ou anteriores seguirão isentos da nova tributação. Essa brecha legal abre uma janela de oportunidade para que companhias com lucros acumulados e reservas robustas realizem distribuições extraordinárias antes que a nova regra entre em vigor.
Análise do BTG Pactual: quem pode se beneficiar?
Estratégia baseada em fundamentos financeiros
O BTG Pactual divulgou uma análise detalhada identificando empresas que têm maior probabilidade de anunciar dividendos extraordinários antes da mudança fiscal. A seleção considera fatores como:
- Reservas acumuladas em relação ao valor de mercado
- Níveis baixos de alavancagem (dívida líquida/EBITDA)
- Ausência de grandes planos de investimento
- Composição da base acionária (com ou sem majoritários isentos)
A expectativa é que essas empresas aproveitem o último ano de isenção para maximizar a atratividade de suas ações e recompensar os acionistas com retornos robustos.
Setores em destaque
Segundo o BTG, os setores com mais companhias em posição de distribuir dividendos extraordinários são:
- Serviços básicos (utilities): Copel, Eletrobras, Isa Energia, Energisa
- Telecomunicações: Unifique, TIM
- Materiais básicos e mineração: Gerdau, Metalúrgica Gerdau, Usiminas
- Construção civil: Eztec, Direcional, Cyrela, Lavvi
Principais empresas apontadas pelo BTG

Retornos estimados de até 20%
Abaixo, a lista com 20 empresas destacadas pelo BTG, com estimativas de dividend yields extraordinários superiores a 10%:
| Setor | Empresa (Ticker) | Yield Estimado (%) |
|---|---|---|
| Mineração e Metais | GOAU3 | 20% |
| Bens de Capital | POMO4 | 18% |
| Telecomunicações | FIQE3 | 19% |
| Imobiliário | EZTC3 | 17% |
| Utilities | CPLE6 | 14% |
| Tecnologia | INTB3 | 13% |
| Utilities | ISAE4 | 13% |
| Telecomunicações | TIMS3 | 12% |
| Utilities | ENGI11 | 11% |
| Utilities | ELET3 | 10% |
| Varejo | CEAB3 | >10% |
| Alimentos e Bebidas | ABEV3 | >10% |
| Saúde | BLAU3 | >10% |
| Mineração e Metais | GGBR4 | >10% |
| Imobiliário | LAVV3 | >10% |
| Papel e Celulose | RANI3 | >10% |
| Imobiliário | DIRR3 | 13% |
| Imobiliário | CYRE3 | 9–10% |
| Petróleo e Gás | RECV3 | 8–13% |
| Mineração e Metais | USIM5 | >10% |
Essas empresas, segundo o banco, estão não só em boa posição financeira como também sem entraves jurídicos ou regulatórios que limitem a distribuição.
Pares de ações com oportunidades de trade
Sugestões de pares do BTG
O BTG também destacou oportunidades de trade entre pares de ações, considerando a capacidade de distribuição de dividendos extraordinários.
| Setor | Par de Ações |
|---|---|
| Telecomunicações | TIMS3 vs. VIVT3 |
| Imobiliário | DIRR3 vs. CURY3 |
| Imobiliário | IGTI11 vs. ALOS3 |
| Mineração e Metais | GOAU4/GGBR4 vs. CSNA3 |
| Mineração e Metais | GOAU4 vs. GGBR4 |
| Bancos | ITUB4 vs. BBAS3 |
| Mineração e Metais | USIM5 vs. CSNA3 |
| Utilities | CPLE6 vs. EGIE3 |
| Varejo | CEAB3 vs. AZZA3 |
| Saúde | BLAU3 vs. HYPE3 |
| Saúde | FLRY3 vs. DASA3 |
| Aluguel e Logística | MILS3 vs. VAMO3 |
| Papel e Celulose | RANI3 vs. KLBN3 |
| Alimentos e Bebidas | ABEV3 vs. MDIA3 |
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Empresas que anunciarem dividendos extraordinários em 2025 tendem a:
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Para o acionista, essa antecipação pode significar retornos líquidos maiores, aproveitando o último ano de isenção antes da entrada em vigor da nova lei.
Atenção aos riscos
Porém, o investidor deve observar:
- Se o dividend yield elevado não é pontual ou fruto de medidas não recorrentes;
- Risco de desvalorização futura, após o pagamento dos dividendos;
- Alterações no texto final da lei no Senado, que ainda pode sofrer ajustes.
Tributação: o que diz a nova proposta

Como será feita a cobrança?
- A alíquota de 10% será cobrada na fonte, ou seja, a própria empresa pagadora fará a retenção;
- A regra se aplica a pessoas físicas residentes no Brasil;
- Empresas do Simples Nacional estão excluídas da tributação;
- Dividendos pagos em 2025 com base em lucros anteriores a 2025 continuam isentos.
Possibilidade de ajustes no Senado
Ainda há incertezas quanto à redação final do projeto, pois o Senado Federal pode aprovar emendas que alterem faixas de isenção, prazos e alíquotas.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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