A Polícia Federal iniciou uma investigação envolvendo 36 empresas que tomaram empréstimos suspeitos com o Banco Master. Os recursos teriam sido direcionados a fundos administrados pela gestora Reag, levantando suspeitas de uso para créditos podres e inflar ativos financeiros. O caso ganhou repercussão por envolver operações bilionárias e empresas majoritariamente do ramo imobiliário, construção e hotelaria.
Escândalo no Master? lista aponta 36 empresas com empréstimos suspeitos; veja setores
Polícia Federal investiga 36 empresas que tomaram empréstimos suspeitos com o Banco Master, com foco em imóveis e fundos bilionários.
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Empréstimos bilionários e fundos DMais e Bravo
Ao todo, as 36 empresas obtiveram R$ 18,784 bilhões junto ao Banco Master. Deste montante, R$ 10,405 bilhões foram repassados ao fundo DMais e R$ 8,379 bilhões ao fundo Bravo, ambos geridos pela Reag. Entre essas empresas, pelo menos 23 atuam diretamente no setor imobiliário, incluindo construção, hotelaria e incorporadoras, áreas de atuação histórica da família do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-diretor financeiro do Grupo Multipar, sediado em Belo Horizonte.
Perfil das empresas e setores envolvidos
As companhias investigadas incluem: Malibu Construtora e Incorporadora, R2 Holding, Revee Real Estate Venues & Entertainment Participações, RMEX Construtora e Incorporadora, S&J Consultoria e Incorporação, Resort do Lago Caldas Novas, SI 02 Empreendimentos e Incorporações Imobiliárias, Mirante Investimentos Imobiliários, Super Empreendimentos e Participações, Tavira Empreendimentos Imobiliários e W 50 Empreendimentos Imobiliários.
Outras empresas incluem Bloko CP, Bloko Urbanismo, Brain Realty Consultoria e Participações, BTG Empreendimentos e Locações, CRL SPE I e X Empreendimentos e Participações, FDC Empreendimentos, Gran Viver Urbanismo, WAM Hotéis e Resorts, WAM Hotéis Multipropriedade e Lever Securitizadora.
A Lever Securitizadora, apesar de não atuar diretamente no setor imobiliário, estrutura títulos de CRI e CRA, instrumentos usados para financiar empreendimentos imobiliários e do agronegócio, o que a colocou na lista da investigação.
Outras empresas da lista
Além das empresas do setor imobiliário, 13 companhias de outros ramos também foram citadas: BMQ Mirage Comercial Exportadora e Importadora, Calisto Empreendimentos e Participações, Daus Indústria de Alimentos, EBN Comércio, Importação e Exportação, Gran Carnes Indústria e Comércio de Carnes, Griffood Brasil Alimentos, iFly Brazil Indoor Skydiving, Lorde Participações, MKS Soluções Integradas, Redevco Capital Partners, Renogrid Energia, Revolution do Brasil Adaptação Veicular e RKO Alimentos.
Há indícios de que algumas destas também possam ter vínculos indiretos com o setor imobiliário ou de construção.
Respostas das empresas investigadas
Daus Indústria de Alimentos
A Daus esclareceu que manteve recursos em fundos da Reag até outubro de 2025, encerrando todas as obrigações recíprocas conforme os contratos. A empresa afirmou estar à disposição das autoridades para esclarecimentos.
iFly Brazil
A iFly destacou que não possui contratos vigentes com o Banco Master nem com fundos da Reag. Ressaltou que toda captação de recursos no mercado financeiro foi realizada de forma independente, com foco exclusivo na expansão de suas atividades de entretenimento e esportes.
Lever Securitizadora
A Lever Securitizadora reforçou que atua apenas na estruturação técnica de CRIs e CRAs, sem tomar empréstimos, conceder financiamentos ou administrar fundos. Todas as operações são regulares, legalmente validadas e registradas na B3, sem vínculo societário ou operacional com a Reag.
Revolution do Brasil
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A Revolution do Brasil afirmou não possuir qualquer operação em aberto com o Banco Master e que toda captação de recursos no mercado financeiro seguiu práticas regulares de mercado, com foco exclusivo em suas atividades empresariais.
WAM Hotéis e Resorts
A WAM negou envolvimento em esquemas ilícitos. Com mais de 13 anos de atuação em hotelaria e incorporação imobiliária, a empresa destacou que suas operações financeiras seguem práticas regulares e que não há investigações em andamento envolvendo a companhia.
Investigação e contexto legal
A operação da Polícia Federal tem como foco apurar se os recursos obtidos pelas empresas foram desviados para fundos da Reag com a intenção de inflar ativos e mascarar créditos problemáticos. A investigação também analisa a responsabilidade do Banco Master na liberação dos empréstimos.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) acompanha movimentações no mercado e confirma que medidas cabíveis serão tomadas quando necessário, embora não comente casos específicos.
Possíveis impactos no mercado
Se confirmadas irregularidades, a operação pode gerar repercussões no setor imobiliário, no mercado de capitais e na confiança de investidores em fundos de investimentos e securitizadoras. Especialistas alertam para o risco de desvalorização de CRIs e CRAs associados a créditos de baixa qualidade, além de possíveis sanções às empresas e aos administradores envolvidos.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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