A contagem regressiva para a implementação da reforma tributária, prevista para iniciar em janeiro de 2026, já movimenta o mercado de trabalho e o setor empresarial brasileiro. Um levantamento da consultoria de Recursos Humanos Robert Half revelou que 53% das empresas pretendem contratar ao menos três novos colaboradores para enfrentar os desafios impostos pela nova legislação.
Reforma tributária impulsiona mercado de trabalho em áreas específicas; saiba quais são
Com a reforma tributária em 2026, 53% das empresas planejam contratar para lidar com mudanças fiscais e tecnológicas.
Aprovada no fim de 2024, a reforma prevê a substituição gradual de tributos federais, estaduais e municipais por três novos impostos:
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – de competência compartilhada entre União, estados e municípios;
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – tributo federal que substituirá o PIS e a Cofins;
- IS (Imposto Seletivo) – voltado a produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A fase de transição será longa: de 2026 até 2033, o atual sistema tributário coexistirá com o novo modelo, o que exigirá das empresas mudanças profundas em processos internos e sistemas de gestão.
Leia mais:
Receita disponibiliza ferramenta oficial para calcular impacto da reforma tributária

Um cenário de grandes mudanças
A nova legislação é considerada a maior transformação tributária em décadas e trará impactos diretos na forma como empresas calculam, recolhem e registram impostos. A convivência entre dois modelos por sete anos exigirá capacidade de adaptação, tecnologia atualizada e mão de obra qualificada.
Segundo a Robert Half, o movimento de contratações é mais intenso em grandes companhias:
- 58% dessas empresas pretendem abrir ao menos três vagas;
- 33% planejam contratar cinco ou mais profissionais.
No caso de pequenas e médias empresas, a estimativa é de abertura de duas a quatro novas vagas para atender à demanda de ajustes fiscais e contábeis.
Por que a contratação é estratégica
Para o consultor tributário Celso Éder Gonzaga de Araújo, autor do livro Regime Tributário Não é Loteria – É Escolha Estratégica, o momento exige visão estratégica:
“Os profissionais envolvidos nesse processo — como contadores e consultores tributários — têm o papel fundamental de investigar e orientar as decisões, considerando as peculiaridades do período de implementação gradual da reforma. As empresas devem priorizar a contratação de profissionais capazes de interpretar os impactos da nova legislação.”
Isso significa que as empresas não podem esperar até 2026 para agir. O processo de adaptação deve começar agora, com análise das operações, mapeamento dos impactos e implantação de sistemas compatíveis com o novo modelo.
Áreas mais demandadas
A pesquisa aponta que as contratações serão voltadas tanto para posições permanentes (58%) quanto para projetos temporários (42%), refletindo a necessidade de soluções de curto e longo prazo.
As áreas mais demandadas para adequação à reforma tributária são:
- Fiscal – para interpretação e aplicação correta das novas regras tributárias;
- Contábil – para ajustes nos processos de escrituração e relatórios;
- Tecnologia da Informação – para atualização de sistemas de ERP e automação de cálculos;
- Jurídico – para segurança na aplicação das mudanças e prevenção de litígios.
Principais cargos em alta
De acordo com a Robert Half, os profissionais mais procurados incluem:
- Analista tributário – responsável por interpretar a nova legislação e calcular tributos;
- Analista contábil – foco na adaptação dos registros contábeis;
- Advogado tributarista – para consultoria e defesa jurídica;
- Especialista em compliance tributário – para evitar erros e penalidades;
- Analista de sistemas ERP com foco em módulos fiscais – para parametrizar softwares;
- Gerente de tributos – para liderança estratégica na transição.
Impactos na rotina empresarial

A transição para o novo sistema não se limita à contabilidade. Ela deve afetar:
- Cadeia de suprimentos – contratos poderão precisar de cláusulas de reajuste tributário;
- Precificação de produtos e serviços – novos impostos podem alterar margens de lucro;
- Planejamento financeiro – necessidade de provisionar recursos para adequações;
- Relacionamento com fornecedores – revisão de notas fiscais e integrações sistêmicas.
Empresas que não se adequarem correm o risco de enfrentar multas, inconsistências fiscais e perda de competitividade.
Tecnologia como aliada
A área de Tecnologia da Informação desempenhará papel central. Softwares de gestão fiscal precisarão operar em modo híbrido, conciliando as exigências do modelo antigo com as do novo sistema. Isso envolve:
- Atualização de módulos fiscais;
- Integração com plataformas governamentais;
- Automação de cálculos para evitar erros humanos;
- Monitoramento em tempo real para garantir conformidade.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Empresas que já investem em automação tendem a ter menor custo de adaptação e mais agilidade no cumprimento das obrigações.
O fator tempo: por que agir agora
Embora a reforma comece oficialmente em 2026, especialistas alertam que o prazo é curto para realizar todas as mudanças necessárias. O processo envolve:
- Mapeamento de impactos sobre operações e contratos;
- Treinamento de equipes para entender as novas obrigações;
- Adaptação de sistemas e migração de dados;
- Testes e simulações para validar os novos processos.
Deixar para a última hora pode significar atrasos, erros e sobrecarga operacional.
Preparação das pequenas e médias empresas
Apesar de menor capacidade de investimento, PMEs também precisam se adequar. Para isso, podem adotar estratégias como:
- Contratar consultores temporários para mapeamento de riscos;
- Investir em softwares com suporte à reforma tributária;
- Aproveitar treinamentos e capacitações oferecidos por sindicatos e associações;
- Estabelecer parcerias com escritórios contábeis especializados.
Essas medidas ajudam a reduzir custos e acelerar a adaptação.
Efeitos no mercado de trabalho

A reforma tributária promete movimentar o mercado de trabalho, especialmente para profissionais especializados. A demanda por contadores, tributaristas e analistas de sistemas deve crescer, assim como os salários nessas áreas.
Para profissionais da área fiscal e contábil, o momento é propício para:
- Investir em especializações focadas na nova legislação;
- Aprimorar habilidades em tecnologia e sistemas de gestão;
- Ampliar conhecimentos em direito tributário.
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com
