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Empréstimo usando FGTS exige atenção: veja o impacto no saldo após demissão

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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Quem contrata um empréstimo com garantia do FGTS precisa prestar atenção a uma consequência que pode aparecer justamente em um momento de dificuldade financeira: a demissão. Dependendo das garantias oferecidas no contrato, parte do saldo do FGTS, da multa rescisória e das verbas devidas na rescisão pode ser usada para reduzir ou quitar a dívida.

A modalidade faz parte do Crédito do Trabalhador e permite que empregados com carteira assinada utilizem recursos relacionados ao FGTS como garantia. A opção pode facilitar o acesso ao crédito, mas também interfere no dinheiro que o trabalhador poderá receber caso o vínculo empregatício termine antes da quitação do empréstimo.

Entenda como funciona, quanto do FGTS pode ser comprometido e o que acontece com a dívida depois da demissão.

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Como funciona o empréstimo com garantia do FGTS?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Crédito do Trabalhador é uma modalidade de empréstimo consignado destinada a trabalhadores com carteira assinada. As parcelas são descontadas diretamente da remuneração, respeitando o limite de margem consignável previsto para a operação.

Uma das possibilidades oferecidas ao trabalhador é utilizar o FGTS e a multa rescisória como garantia do contrato. Segundo o governo federal, podem ser oferecidos até 10% do saldo disponível no FGTS e até 100% da multa rescisória.

O trabalhador também pode contratar o crédito sem oferecer essas garantias. Portanto, o uso do FGTS não é obrigatório.

A garantia não significa que o dinheiro seja retirado da conta do FGTS no momento em que o empréstimo é contratado. O valor continua no fundo, mas fica vinculado à operação de crédito.

O dinheiro do FGTS é retirado imediatamente?

Não.

Essa é uma das principais dúvidas sobre a modalidade. Ao contratar o empréstimo, o trabalhador não recebe o valor correspondente à garantia em sua conta bancária.

O saldo continua depositado no FGTS. O que ocorre é uma vinculação de parte desse dinheiro ao contrato, permitindo que ele seja utilizado nas situações previstas para o acionamento da garantia.

Por isso, contratar o empréstimo não equivale a sacar o FGTS.

O que acontece com o empréstimo se o trabalhador for demitido?

A situação muda quando ocorre o desligamento do emprego.

Nas hipóteses previstas pelas regras do Crédito do Trabalhador, as garantias oferecidas podem ser utilizadas para amortizar ou quitar o saldo devedor. Isso pode envolver uma parcela do FGTS e da multa rescisória, além das verbas rescisórias dentro dos limites estabelecidos.

Na prática, isso significa que o trabalhador pode receber menos dinheiro líquido em sua rescisão porque parte dos recursos será direcionada ao pagamento do empréstimo.

Se as garantias não forem suficientes para quitar toda a dívida, o restante continua sendo devido.

Quanto do FGTS pode ser comprometido?

A regulamentação permite que o trabalhador ofereça como garantia:

  • até 10% do saldo existente no FGTS;
  • até 100% da multa rescisória;
  • parte das verbas rescisórias, observados os limites previstos para a operação.

Isso não significa que todo trabalhador terá automaticamente esses percentuais descontados.

O valor efetivamente utilizado dependerá do saldo da dívida e das condições estabelecidas no contrato.

E se a pessoa pedir demissão?

Pedir demissão não produz necessariamente o mesmo efeito de uma dispensa sem justa causa.

O saldo do empréstimo continua existindo e as parcelas contratadas continuam sendo devidas. Já a utilização das garantias relacionadas ao FGTS depende das situações previstas na regulamentação e no contrato.

Por isso, quem pretende deixar o emprego voluntariamente deve verificar diretamente com a instituição financeira como o desligamento afetará o contrato.

O trabalhador perde o direito ao FGTS?

Não.

Contratar um empréstimo utilizando o FGTS como garantia não faz o trabalhador perder a titularidade do dinheiro existente no fundo.

O que acontece é que uma parcela do saldo fica comprometida com a operação. Caso ocorra uma situação que permita o acionamento da garantia, o valor correspondente poderá ser utilizado para diminuir a dívida.

Portanto, a diferença está entre ter o dinheiro no FGTS e ter aquele dinheiro livre para utilização.

O que acontece com a multa de 40% do FGTS?

A multa rescisória também pode fazer parte das garantias da operação.

Nas demissões sem justa causa, o empregador normalmente deve pagar a indenização correspondente a 40% dos depósitos realizados na conta vinculada do trabalhador. Quando essa verba foi oferecida como garantia do empréstimo, ela poderá ser direcionada ao pagamento da dívida conforme as regras aplicáveis.

Assim, o trabalhador que possui um empréstimo com garantia pode não receber integralmente esse recurso para utilização livre.

Qual é a taxa de juros do empréstimo?

Nas operações do Crédito do Trabalhador com as garantias previstas na regulamentação, o governo estabeleceu limite de 1,99% ao mês.

A taxa, entretanto, não deve ser analisada isoladamente.

Antes de contratar, o trabalhador precisa verificar o Custo Efetivo Total (CET). Esse indicador considera juros, tarifas, impostos e outros custos envolvidos na operação e permite comparar propostas de diferentes instituições financeiras.

Usar o FGTS como garantia é igual ao saque-aniversário?

Não.

Apesar de as duas modalidades envolverem o FGTS, o funcionamento é diferente.

No saque-aniversário, o trabalhador opta por retirar anualmente uma parcela do saldo disponível no fundo.

No empréstimo com garantia do FGTS, o dinheiro permanece na conta vinculada. O trabalhador apenas oferece uma parcela desse saldo como garantia para a operação de crédito.

Também existem diferenças em relação às consequências do desligamento do emprego, por isso as duas modalidades não devem ser confundidas.

É possível contratar o empréstimo sem colocar o FGTS como garantia?

Sim.

O trabalhador não é obrigado a oferecer o saldo do FGTS ou a multa rescisória como garantia.

Essa escolha pode influenciar as condições apresentadas pela instituição financeira, incluindo juros e valor disponível para contratação. Por isso, é necessário comparar as propostas antes de aceitar o empréstimo.

Em alguns casos, uma operação sem garantia pode apresentar condições diferentes de uma que utiliza o FGTS.

O que analisar antes de contratar?

O valor da parcela é apenas uma parte da análise.

Antes de aceitar o empréstimo, o trabalhador deve verificar:

  • taxa de juros mensal;
  • Custo Efetivo Total (CET);
  • número de parcelas;
  • valor total pago ao final;
  • percentual do FGTS oferecido como garantia;
  • percentual da multa rescisória comprometido;
  • impacto sobre as verbas rescisórias;
  • condições para quitação antecipada;
  • possibilidade de portabilidade;
  • consequências em caso de demissão.

Também é necessário considerar a própria situação financeira.

Quem possui uma reserva de emergência pode ter maior capacidade de enfrentar um período de desemprego. Já quem depende das verbas rescisórias para pagar despesas durante a procura por outro emprego precisa considerar que parte desses recursos poderá estar comprometida.

Vale a pena usar o FGTS como garantia?

A resposta depende da situação financeira de cada trabalhador e das condições oferecidas pelo banco.

Uma das possibilidades é utilizar o crédito para substituir uma dívida com juros mais elevados. Nesse caso, a comparação entre o custo da dívida atual e o CET do novo empréstimo pode ajudar na decisão.

Por outro lado, oferecer o FGTS e a multa rescisória como garantia significa aceitar que esses recursos poderão ser utilizados para pagar a dívida em determinadas situações.

Por isso, o trabalhador não deve analisar apenas quanto receberá de empréstimo. Também precisa calcular quanto terá disponível caso seja demitido antes de terminar de pagar as parcelas.

É possível trocar o banco depois?

Sim. A legislação permite a portabilidade do crédito consignado, desde que sejam respeitadas as regras aplicáveis.

Isso significa que o trabalhador pode procurar outra instituição financeira caso encontre condições diferentes para a mesma operação.

A comparação deve considerar o custo total do contrato, e não somente uma eventual redução da parcela mensal.

O empréstimo pode ser quitado antes do prazo?

Sim.

O trabalhador pode solicitar a quitação antecipada do empréstimo, observadas as condições da operação. Com isso, deixa de pagar os juros que seriam cobrados nas parcelas futuras, conforme o cálculo realizado pela instituição.

Depois da quitação, as garantias vinculadas ao contrato deixam de ter a mesma finalidade, de acordo com os procedimentos do banco e as regras da operação.

Exemplo: o que pode acontecer após uma demissão?

Imagine um trabalhador que ainda tenha uma dívida de R$ 8 mil quando for demitido.

Se ele ofereceu parte do FGTS e a multa rescisória como garantia, os valores que puderem ser utilizados segundo as regras poderão ser direcionados para diminuir a dívida.

Se forem utilizados R$ 5 mil e ainda restarem R$ 3 mil, o empréstimo não estará automaticamente quitado. O trabalhador continuará responsável pelo saldo restante.

O exemplo é apenas ilustrativo. O valor efetivamente utilizado dependerá do contrato, das garantias disponíveis e da situação do trabalhador no momento do desligamento.

O que muda para o trabalhador na prática?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A principal vantagem da garantia é permitir que o trabalhador tenha acesso a uma operação de crédito que utiliza recursos vinculados ao FGTS para reduzir o risco da instituição financeira.

A principal consequência é que esses mesmos recursos podem deixar de estar disponíveis livremente em uma eventual demissão.

Por isso, antes de contratar, o trabalhador deve fazer duas contas: quanto o empréstimo vai custar até o final e quanto dinheiro poderá sobrar caso o emprego termine antes da quitação.

Essa análise é especialmente relevante para quem possui pouco dinheiro guardado e depende da rescisão para manter as despesas enquanto procura uma nova fonte de renda.

Conclusão

O empréstimo com garantia do FGTS pode facilitar o acesso ao crédito, mas envolve uma consequência que não deve ser ignorada: em determinadas situações de demissão, parte dos recursos oferecidos como garantia poderá ser usada para reduzir ou quitar a dívida. Isso pode diminuir o valor que ficará disponível ao trabalhador no momento da rescisão.

Por isso, antes de contratar, é fundamental verificar o custo total do empréstimo, o percentual do FGTS e da multa rescisória comprometidos e as regras previstas para um eventual desligamento. Mais do que analisar apenas o valor da parcela, o trabalhador precisa considerar como ficará sua situação financeira caso perca o emprego antes de terminar de pagar o contrato.

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