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Procura por crédito sobe 250%; veja como evitar escolhas caras ao contratar empréstimo

Busca por empréstimo cresceu 250% desde a pandemia. Veja quando o crédito pode ajudar, os custos e o que analisar antes de contratar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Procura por crédito sobe 250%; veja como evitar escolhas caras ao contratar empréstimo

A procura dos brasileiros por informações sobre empréstimo aumentou 250% desde o início da pandemia, segundo levantamento realizado no Google Trends até agosto de 2026. O dado revela uma mudança importante no interesse pelo crédito, embora não signifique que a mesma quantidade de pessoas tenha efetivamente contratado empréstimos.

O crescimento das pesquisas ocorre em um cenário no qual o crédito continua bastante presente no orçamento das famílias. Dados mais recentes do Banco Central mostram que o estoque de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em julho de 2026, com crescimento de 9,5% em 12 meses. Para as famílias, o avanço foi ainda maior: 10,8% no mesmo período.

Diante desse cenário, entender quando um empréstimo pode ser uma solução e quando pode agravar o endividamento tornou-se essencial.

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Imagem: Freepik

Por que os brasileiros estão pesquisando mais sobre empréstimos?

O Google Trends indica que o interesse pelo termo “empréstimo” avançou 250% entre o início da pandemia e agosto de 2026. A ferramenta, porém, apresenta uma medida relativa de interesse nas buscas e não informa quantas pessoas contrataram crédito.

A procura pode estar relacionada a diferentes necessidades: reorganização de dívidas, despesas inesperadas, aquisição de bens, manutenção da renda ou simplesmente busca por alternativas para equilibrar o orçamento.

O próprio mercado de crédito também mudou ao longo desse período. O Banco Central mostra que o crédito livre destinado às pessoas físicas somou R$ 2,6 trilhões em julho, com alta de 10,8% em 12 meses. Entre os segmentos que contribuíram para o resultado estão o crédito consignado e as operações para aquisição de veículos.

Quando fazer um empréstimo pode valer a pena?

Contratar crédito não é necessariamente uma decisão ruim. Em determinadas situações, o empréstimo pode ajudar a substituir uma dívida mais cara ou resolver uma necessidade importante sem comprometer excessivamente o orçamento.

Um exemplo é alguém que possui uma dívida com juros elevados e consegue uma linha de crédito com custo significativamente menor. Nesse caso, a operação pode fazer sentido se houver disciplina para não voltar a acumular a dívida anterior.

Outra situação possível é uma emergência, como a necessidade de substituir um equipamento essencial para o trabalho. O crédito pode ser considerado quando a pessoa tem renda suficiente para pagar as parcelas e não possui uma alternativa financeiramente mais barata.

A principal pergunta antes da contratação deve ser: a parcela cabe no orçamento sem prejudicar despesas básicas e outras obrigações?

Se a resposta for negativa, o empréstimo tende a aumentar o problema em vez de solucioná-lo.

Quais modalidades de empréstimo existem?

O consumidor encontra diferentes formas de crédito no mercado, e as condições podem mudar bastante entre elas.

O empréstimo pessoal não consignado costuma ter contratação mais simples, mas geralmente apresenta custo elevado. Em julho de 2026, a taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 60% ao ano, segundo o Banco Central.

Já o consignado possui parcelas descontadas diretamente da remuneração ou do benefício, conforme as regras aplicáveis à modalidade. Como o risco de inadimplência tende a ser menor para a instituição financeira, as taxas podem ser inferiores às de outras linhas.

A diferença de custo pode ser significativa. Em uma consulta às taxas divulgadas pelo Banco Central para julho de 2026, instituições apresentavam taxas mensais diferentes para crédito consignado público, mostrando por que comparar propostas antes de contratar é importante.

Também existem linhas destinadas a finalidades específicas, como financiamento de veículos, crédito para empresas e outras modalidades direcionadas. Cada uma possui regras, garantias e custos próprios.

O que analisar antes de contratar um empréstimo?

A taxa de juros é apenas um dos elementos da contratação. O consumidor deve observar principalmente o Custo Efetivo Total (CET), que permite conhecer o custo global da operação, considerando juros, tarifas, tributos, seguros e outros encargos previstos.

Também é necessário comparar o valor da parcela com a renda disponível. Uma prestação aparentemente baixa pode esconder um prazo muito longo e fazer com que o consumidor pague um valor significativamente maior ao final.

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Por isso, antes de aceitar uma proposta, vale conferir o valor efetivamente recebido, a quantidade de parcelas, o valor total a pagar, a taxa mensal e anual e as condições para antecipar ou quitar a dívida.

O Banco Central disponibiliza informações sobre taxas praticadas pelas instituições financeiras, o que pode ajudar o consumidor a comparar diferentes alternativas.

Empréstimo pode aumentar o endividamento?

Sim. O risco fica maior quando o crédito é utilizado repetidamente para cobrir despesas que se repetem todos os meses.

Se uma família contrata um empréstimo para pagar contas básicas e, no mês seguinte, precisa de outro crédito para cobrir as mesmas despesas, o problema deixa de ser pontual e passa a indicar desequilíbrio no orçamento.

Os dados mais recentes reforçam a necessidade de cautela. Em julho, a inadimplência no crédito livre chegou a 6,4%, enquanto entre as pessoas físicas alcançou 7,8%. O comprometimento de renda das famílias estava em 28,9% em junho.

Isso não significa que todo empréstimo seja prejudicial, mas mostra que assumir novas parcelas exige planejamento.

Como saber se o crédito cabe no orçamento?

Educação
Imagem: Canva

O primeiro passo é listar a renda líquida mensal e todas as despesas fixas e variáveis. Depois, deve-se verificar quanto realmente sobra antes de assumir uma nova obrigação.

Por exemplo, uma pessoa que recebe R$ 3 mil líquidos e já possui R$ 1 mil em compromissos mensais não deve analisar apenas se uma nova parcela de R$ 300 “cabe”. É necessário considerar alimentação, moradia, transporte, contas domésticas e despesas imprevistas.

Também é recomendável manter uma margem para emergências. Um orçamento que funciona apenas quando tudo ocorre perfeitamente pode se tornar insuficiente diante de uma despesa inesperada.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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