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Governo sanciona nova modalidade de empréstimo para trabalhadores CLT

A lei que cria a nova modalidade de empréstimo para trabalhadores do setor privado foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, 25 de julho de 2025.

No entanto, a sanção veio com vetos parciais a três trechos que envolviam o compartilhamento de dados. Segundo o presidente, essas disposições violavam a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garante a privacidade das informações pessoais dos cidadãos.

A medida foi amplamente debatida no Congresso Nacional e aprovada em julho deste ano, com o intuito de facilitar o acesso a empréstimos mais baratos para os trabalhadores CLT.

Com o objetivo de estimular o crédito e reduzir os juros, a nova legislação propõe que as parcelas dos empréstimos não ultrapassem 35% do salário do trabalhador, com opções de garantia em caso de demissão ou inadimplência. A iniciativa também se estende aos trabalhadores autônomos que atuam em plataformas de entrega ou transporte de passageiros, ampliando a cobertura do programa.

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O que é o empréstimo para trabalhadores?

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Imagem: Canva

O empréstimo para trabalhadores é um programa que oferece uma nova modalidade de empréstimo consignado, visando facilitar o acesso dos trabalhadores do setor privado a empréstimos com juros mais baixos.

A principal inovação da medida é permitir que as parcelas dos empréstimos sejam descontadas diretamente da folha de pagamento, com um limite de 35% do salário do trabalhador. Isso garante que as parcelas sejam acessíveis e não comprometam a totalidade da renda.

Além disso, a nova modalidade oferece alternativas para o trabalhador que, em caso de demissão, poderá ter as parcelas descontadas das verbas rescisórias, o que proporciona uma maior segurança ao tomador do empréstimo.

Principais características do empréstimo para trabalhadores CLT

  1. Parcelas limitadas a 35% do salário: As parcelas do empréstimo não podem comprometer mais do que 35% do salário do trabalhador, o que visa garantir que o empréstimo seja acessível sem prejudicar o orçamento familiar.
  2. Garantia em caso de demissão: Caso o trabalhador seja demitido, as parcelas restantes poderão ser descontadas diretamente das suas verbas rescisórias, facilitando o pagamento da dívida.
  3. Uso do FGTS como garantia: O trabalhador poderá usar até 10% do saldo do FGTS como garantia para o empréstimo ou até 100% da multa rescisória (40% do FGTS) em caso de demissão sem justa causa.

O empréstimo para trabalhadores autônomos de aplicativo

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Imagem: Freepik e Canva

Outro ponto importante da nova lei é a inclusão de trabalhadores autônomos que atuam em plataformas de aplicativos de transporte ou entrega. Esses trabalhadores poderão autorizar o desconto das parcelas do empréstimo diretamente do montante pago pelos aplicativos pelos serviços prestados.

Condições específicas para os autônomos

Para os trabalhadores que atuam em plataformas de delivery e transporte, a lei estabelece que o valor das parcelas do empréstimo não poderá ultrapassar 30% do total que o trabalhador recebe pelos serviços prestados.

Além disso, a operação de empréstimo pode conter uma cláusula de substituição da fonte pagadora, o que implica que, em caso de encerramento do cadastro do trabalhador no aplicativo, o desconto das parcelas poderá ser ajustado de acordo com novas condições financeiras.

Essa medida visa garantir que os trabalhadores autônomos também tenham acesso a empréstimos com condições vantajosas, similar aos trabalhadores com vínculo formal, mas com ajustes que consideram a natureza variável da renda dos autônomos.

O impacto do empréstimo para trabalhadores até agora

Até o dia 2 de julho de 2025, o programa já havia concedido um total de R$ 17,2 bilhões em empréstimos, beneficiando 2,7 milhões de trabalhadores. A taxa de juros média praticada nas operações de empréstimo para trabalhadores foi de 3,55%, o que representa uma redução significativa em comparação com outras formas de crédito no mercado.

O valor médio dos empréstimos foi de R$ 5.382,24, uma quantia que pode ajudar muitas famílias a resolver questões financeiras pontuais, como o pagamento de dívidas ou o financiamento de necessidades emergenciais. O Banco do Brasil foi o maior responsável pela distribuição dos empréstimos, com R$ 4,4 bilhões em operações, atingindo 373,9 mil trabalhadores. O Itaú, por sua vez, também se destacou, com R$ 2,2 bilhões em empréstimos concedidos.

O papel do Banco do Brasil e Itaú

Essas duas instituições financeiras se destacam como as maiores responsáveis pela implementação do programa, oferecendo taxas de juros mais baixas e facilitando o processo de adesão. O Banco do Brasil, em particular, tem investido em uma estratégia de aproximação com os trabalhadores, criando condições favoráveis para que mais pessoas possam acessar o empréstimo para trabalhadores.

Vetos do presidente Lula e seus efeitos

Apesar da aprovação do programa, o presidente Lula sancionou a lei com vetos parciais a três trechos que envolviam o compartilhamento de dados. Esses dispositivos foram vetados porque, segundo o presidente, violavam a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que visa proteger a privacidade das informações pessoais dos cidadãos.

Os vetos indicam uma preocupação com a segurança dos dados dos trabalhadores, principalmente no que diz respeito ao uso e compartilhamento de informações sensíveis durante a adesão ao programa de empréstimo para trabalhadores. A medida visa garantir que os dados dos tomadores de empréstimo não sejam compartilhados de maneira inadequada com terceiros, mantendo a privacidade e a integridade das informações.

O futuro do empréstimo para trabalhadores

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Imagem: shutterstock e Freepik / Edit: Seu Crédito Digital

Com a sanção presidencial, o empréstimo para trabalhadores tem o potencial de se expandir, beneficiando mais trabalhadores no Brasil, tanto no setor privado quanto entre os autônomos.

O programa tem o objetivo de facilitar o acesso a empréstimos de maneira mais democrática e inclusiva, com condições que favorecem o pagamento das dívidas e garantem mais segurança ao trabalhador.

Expansão do programa

A expansão do programa dependerá do sucesso nas operações já realizadas, bem como da adesão das instituições financeiras e das plataformas de aplicativos. O governo federal e as instituições bancárias precisarão trabalhar em conjunto para melhorar a conscientização sobre o empréstimo para trabalhadores e alcançar mais trabalhadores, especialmente os que atuam de forma autônoma.

Considerações finais

A criação do empréstimo para trabalhadores representa um avanço significativo para os trabalhadores brasileiros, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades financeiras.

Com taxas de juros mais acessíveis, a possibilidade de usar o FGTS e a multa rescisória como garantia, e o desconto das parcelas diretamente da folha de pagamento, o programa oferece um alívio financeiro importante para milhões de trabalhadores.

Apesar dos vetos relacionados à proteção de dados, a medida fortalece a capacidade de crédito das famílias brasileiras, permitindo que mais pessoas tenham acesso a empréstimos de forma mais justa e segura.

O futuro do programa dependerá da implementação efetiva das condições previstas na lei e da participação das instituições financeiras, que terão um papel crucial na democratização do acesso ao empréstimo para trabalhadores no Brasil.