A farmacêutica brasileira EMS, considerada a maior do setor no país, anunciou nesta sexta-feira (1º) o início das vendas das primeiras canetas injetáveis com liraglutida fabricadas integralmente no Brasil. Os medicamentos, indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, começarão a ser comercializados a partir da próxima segunda-feira em grandes redes de farmácias nas regiões Sul e Sudeste.
Canetas para obesidade e diabetes: EMS inicia venda de novo tratamento
EMS inicia a venda de canetas com liraglutida produzidas no Brasil para tratar obesidade e diabetes tipo 2 em grandes redes de farmácias.
As novas canetas, batizadas de Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes tipo 2), representam um marco para a indústria nacional, que até então dependia de produtos importados para atender essa demanda crescente. A EMS investiu mais de R$ 1 bilhão na construção de uma fábrica de peptídeos em Hortolândia (SP), estrutura necessária para a produção desses medicamentos biotecnológicos complexos.
Leia Mais:
Governo Lula fecha 1º semestre no vermelho com rombo de R$ 9,5 bi
O que é a liraglutida e como ela atua

Entenda a classe de medicamentos
A liraglutida é um análogo de GLP-1, classe de medicamentos que vem ganhando destaque nos últimos anos no tratamento de doenças metabólicas. Assim como a semaglutida – princípio ativo do conhecido Ozempic e do Wegovy, ambos da dinamarquesa Novo Nordisk –, a liraglutida age simulando o hormônio GLP-1, que regula o apetite, a produção de insulina e o esvaziamento gástrico.
No Brasil, o nome mais popular associado à liraglutida é o Saxenda, também da Novo Nordisk, indicado exclusivamente para o tratamento da obesidade. Os medicamentos da EMS prometem competir diretamente com esses produtos, agora com fabricação nacional e um preço mais competitivo.
Distribuição começa por Sul e Sudeste
Farmácias e preços sugeridos
Segundo a EMS, a distribuição inicial das canetas será feita nas redes Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo e Pacheco, com os produtos já disponíveis nos centros de distribuição dessas redes. A venda começará pelos canais digitais e parte das lojas físicas das regiões Sul e Sudeste, com expansão para o restante do país ao longo das próximas semanas.
Os preços sugeridos são os seguintes:
- Olire (3 canetas): R$ 760,61
- Lirux (2 canetas): R$ 507,07
- Lirux (1 caneta): R$ 307,26
A EMS estima disponibilizar 250 mil canetas até o fim de 2025, com a meta de atingir 500 mil unidades no mercado até agosto de 2026.
Competição acirrada no mercado de análogos de GLP-1
Rivalidade com a Novo Nordisk e a Hypera Pharma
O anúncio da EMS acontece em um momento estratégico, diante da crescente procura por medicamentos para perda de peso e controle do diabetes. O mercado global de análogos de GLP-1 está em franca expansão, estimulado pelo sucesso de produtos como Ozempic e Wegovy, utilizados inclusive por celebridades e figuras públicas.
A Hypera Pharma, outro grande laboratório brasileiro, já anunciou que lançará sua própria versão com semaglutida assim que a patente do Ozempic expirar, o que deve ocorrer em março de 2026. Enquanto isso, a EMS busca ganhar terreno com a liraglutida, cujas patentes já não representam impedimento para a produção genérica.
No final de 2023, a EMS tentou fusão com a Hypera Pharma, mas a proposta foi recusada. Mesmo assim, a empresa aumentou sua participação na rival e hoje detém 6% das ações da Hypera, em um claro movimento de fortalecimento estratégico.
Impacto para pacientes e para o setor

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Avanço da produção nacional e acesso à saúde
A entrada de medicamentos com tecnologia nacional no mercado pode ter efeitos diretos sobre a acessibilidade e os preços. O custo elevado dos medicamentos importados era, até então, um dos principais obstáculos para a adesão a tratamentos com GLP-1, especialmente em regimes de uso prolongado.
Com a fabricação local e a distribuição em larga escala, há expectativa de redução de preços a médio prazo e de ampliação do acesso a tratamentos eficazes para doenças crônicas que afetam milhões de brasileiros. Segundo dados do Ministério da Saúde, o diabetes tipo 2 afeta cerca de 16 milhões de pessoas no Brasil, enquanto mais da metade da população adulta apresenta sobrepeso ou obesidade.
O que esperar para os próximos anos
Expansão e novos lançamentos no horizonte
A EMS sinaliza que a produção nacional de canetas com peptídeos é apenas o começo de uma nova fase para a farmacêutica. A estrutura de Hortolândia permitirá a fabricação de outros medicamentos biológicos e injetáveis, abrindo caminho para a entrada da empresa em novos nichos terapêuticos.
Além disso, com a proximidade do vencimento de patentes de outros medicamentos de alto custo, como a própria semaglutida, a expectativa é que o mercado brasileiro receba, nos próximos anos, mais opções terapêuticas genéricas e acessíveis.
Enquanto isso, o lançamento das canetas Olire e Lirux representa não apenas um marco industrial, mas também uma possível virada na democratização do tratamento de doenças crônicas como obesidade e diabetes tipo 2.
Imagem: Reprodução / Freepik.com

