A preparação para a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exige mais do que memorizar regras gramaticais e nomes de autores. A capacidade de interpretar textos, identificar a intenção de quem escreve e compreender diferentes formas de comunicação está entre as competências importantes para resolver as questões.
No Enem 2026, cuja primeira aplicação está prevista para 8 de novembro, os estudantes podem aproveitar a experiência de edições anteriores para organizar a revisão. A matriz de referência da avaliação, utilizada desde 2009, estabelece habilidades relacionadas à leitura, à compreensão de linguagens e à análise de manifestações culturais.
Isso significa que estudar provas antigas é uma estratégia útil para reconhecer padrões de cobrança, entender os enunciados e identificar os conteúdos que precisam de mais atenção. Em vez de tentar decorar todo o material, o candidato pode concentrar os esforços em desenvolver habilidades de interpretação e aplicar os conhecimentos em situações concretas.
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Interpretação de texto é prioridade no Enem

Como resolver questões com textos longos
Um dos principais desafios da prova é a quantidade de informações apresentadas em textos, charges, anúncios, poemas, reportagens e publicações digitais. O candidato precisa compreender o conteúdo sem gastar tempo excessivo em cada questão.
Uma estratégia eficiente é começar pela leitura do comando, que indica o que a questão exige. Depois, o estudante pode voltar ao texto procurando informações relacionadas ao pedido, como a finalidade comunicativa, o ponto de vista do autor, a crítica apresentada ou o efeito de determinada expressão.
Imagine uma questão que apresenta uma charge sobre o uso excessivo de celulares. Se o comando pergunta qual crítica está sendo feita, não basta descrever os personagens ou identificar o aparelho representado. É necessário perceber a mensagem implícita e a relação entre os elementos visuais e verbais.
Também é importante desconfiar de alternativas que reproduzem palavras do texto, mas não respondem exatamente ao que foi perguntado. No Enem, a resposta correta depende da interpretação do contexto, e não apenas do reconhecimento de termos conhecidos.
Funções da linguagem e coesão textual
Na revisão final, vale priorizar as funções da linguagem, a variação linguística e os mecanismos de coesão. Esses conteúdos ajudam a compreender como as mensagens são construídas e quais efeitos pretendem produzir.
As funções da linguagem estão relacionadas à finalidade predominante da comunicação. Uma propaganda, por exemplo, costuma buscar influenciar o comportamento do público, enquanto uma notícia prioriza a transmissão de informações. Já um poema pode valorizar a construção estética das palavras.
A coesão textual também merece atenção. Conectores como “portanto”, “contudo”, “embora” e “além disso” estabelecem relações entre ideias. Identificar essas relações ajuda a reconhecer conclusões, oposições, concessões e acréscimos de informação.
Outro assunto relevante é a variação linguística, que aborda as diferenças de fala e escrita relacionadas à região, ao contexto social e à situação comunicativa. O candidato deve compreender que a língua apresenta diferentes usos e que a adequação depende do contexto.
O que estudar de Literatura para o Enem 2026
Em Literatura, a recomendação é relacionar as obras ao período histórico, às características estéticas e às questões sociais presentes em cada produção. A memorização isolada de datas e autores pode ser menos produtiva do que entender o significado das obras e as transformações culturais de cada época.
Modernismo, romantismo e realismo
O Modernismo brasileiro merece atenção, especialmente a primeira e a segunda fases. A Semana de Arte Moderna de 1922 simbolizou uma busca por novas formas de expressão, com questionamentos aos padrões artísticos tradicionais e valorização de aspectos da cultura brasileira.
Entre os autores que podem aparecer em questões relacionadas à literatura brasileira estão Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Graciliano Ramos. É importante reconhecer características de suas produções e compreender como os textos dialogam com o contexto social e histórico.
O Realismo, representado por Machado de Assis, também é relevante por sua análise crítica das relações sociais e do comportamento humano. Já o Romantismo pode ser revisado a partir de suas diferentes fases, dos temas sentimentais e nacionalistas às críticas sociais presentes em determinadas obras.
A literatura contemporânea merece espaço no planejamento. Autoras como Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus, além de produções de escritores indígenas, ajudam a ampliar a compreensão sobre identidade, desigualdade, memória e diversidade cultural.
Inglês e Espanhol: como estudar para a prova
Inglês exige compreensão da mensagem geral
Na prova de Inglês, o estudante não precisa traduzir todas as palavras para compreender um texto. O mais importante é identificar o assunto, a finalidade e a mensagem principal, observando também imagens, gráficos, títulos e outros elementos que complementam a leitura.
Poemas, campanhas publicitárias, notícias e textos relacionados ao cotidiano podem exigir a interpretação conjunta de informações verbais e visuais. Por isso, a prática com questões anteriores é uma forma de treinar a identificação de ideias centrais mesmo quando existem palavras desconhecidas.
Uma boa técnica é observar o título, reconhecer palavras recorrentes e procurar expressões que ajudem a entender o contexto. A gramática e o vocabulário continuam importantes, mas devem ser estudados em função da compreensão textual.
Espanhol exige atenção aos falsos cognatos
Em Espanhol, um dos erros comuns é presumir que palavras semelhantes ao português possuem necessariamente o mesmo significado. Os falsos cognatos podem alterar completamente a interpretação de uma frase.
Um exemplo é a palavra espanhola “exquisito”, que geralmente significa delicioso, refinado ou de qualidade excepcional, dependendo do contexto. Em português, “esquisito” costuma indicar algo estranho ou incomum.
Também vale revisar conectores, expressões frequentes e vocabulário contextual. Como a interpretação tem papel central nessa parte da prova, resolver exercícios ajuda a reconhecer os sentidos possíveis das palavras sem depender de traduções literais.
Como organizar a revisão na reta final

Nos dias anteriores ao exame, o ideal é combinar a resolução de provas antigas com a revisão dos conteúdos em que o estudante apresenta mais dificuldade. Fazer simulados com tempo marcado também ajuda a desenvolver ritmo e a evitar que uma questão muito longa comprometa o restante da prova.
Depois de cada exercício, é importante analisar não apenas os erros, mas também os motivos pelos quais as alternativas incorretas pareciam plausíveis. Esse processo permite reconhecer dificuldades de interpretação e ajustar a estratégia.
A preparação deve incluir pausas, sono adequado e organização do tempo. Na prova de Linguagens, ler com atenção e entender o que está sendo solicitado pode fazer diferença tanto na precisão das respostas quanto no desempenho geral.
Mais do que decorar conteúdos, o objetivo é desenvolver a capacidade de compreender diferentes formas de comunicação. Com prática direcionada, revisão dos assuntos essenciais e atenção aos comandos, o estudante chega mais preparado para enfrentar as questões do Enem 2026.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
