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Financiamento de imóvel no Rio: quanto é preciso de entrada nas ruas mais procuradas?

Bancos aumentam entrada mínima de imóveis de 20% para 30% em 2025. Veja como isso afeta o valor financiado, a renda exigida e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
permuta de imóveis

O mercado imobiliário brasileiro iniciou 2025 com mudanças relevantes nas regras de financiamento habitacional. Os principais bancos do país elevaram a entrada mínima exigida para a concessão de crédito imobiliário, passando de 20% para 30% do valor do imóvel, quando contratado pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Na prática, isso significa que o valor máximo a ser financiado cai de 80% para 70%, exigindo do comprador um aporte inicial maior.

A mudança, que se aplica principalmente aos imóveis residenciais adquiridos por meio de financiamentos fora do âmbito dos programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, já impacta diretamente nas simulações de crédito em diversas regiões, especialmente em áreas valorizadas do Rio de Janeiro.

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Preços de imóveis
Imagem: Alexander Raths / shutterstock.com

Como a nova regra afeta quem quer comprar um imóvel

Aumento da entrada = menor parcela

De acordo com Fábio Takahashi, gerente de Dados da plataforma Loft, a elevação da entrada tem dois efeitos simultâneos:

  1. Eleva o valor necessário para iniciar o processo de compra;
  2. Reduz o valor das parcelas e a renda mínima exigida para aprovação do financiamento.

A estratégia dos bancos visa mitigar riscos de inadimplência, além de adequar as operações ao cenário de juros elevados, mesmo diante de uma eventual estabilização da taxa Selic.

Simulação real: Barra da Tijuca (RJ)

Na Avenida Nuta James, um dos endereços mais valorizados da Barra da Tijuca, o preço médio dos imóveis gira em torno de R$ 1,5 milhão. Com a antiga regra de 20% de entrada, o comprador precisava desembolsar R$ 312 mil. Agora, com a entrada de 30%, é necessário dispor de R$ 468 mil à vista.

Apesar disso, a renda mínima exigida para aprovação caiu de R$ 49.900 para R$ 47.600, com uma parcela mensal de R$ 13.302 em um contrato de 240 meses.

Comparativo: como os valores mudaram em diferentes bairros

Jacarepaguá – Estrada dos Bandeirantes

A segunda via com mais transações imobiliárias no Rio em 2025, a Estrada dos Bandeirantes, em Jacarepaguá, também registrou aumentos significativos.

  • Valor médio do imóvel: R$ 297 mil
  • Entrada em 2024 (20%): R$ 59 mil
  • Entrada em 2025 (30%): R$ 89 mil
  • Renda mínima exigida em 2024: R$ 9.500
  • Renda mínima exigida em 2025: R$ 9.100

O impacto percentual é mais suave nos imóveis de menor valor, mas ainda assim pode inviabilizar a compra imediata para muitos compradores sem reserva financeira.

Leblon – Avenida Delfim Moreira

Em um dos endereços mais caros do Brasil, o impacto é diretamente proporcional aos valores:

  • Valor médio do imóvel: R$ 12,9 milhões
  • Entrada em 2024 (20%): R$ 2,5 milhões
  • Entrada em 2025 (30%): R$ 3,8 milhões
  • Renda mínima exigida em 2024: R$ 412 mil
  • Renda mínima exigida em 2025: R$ 394 mil

Mesmo entre os compradores de alto poder aquisitivo, a necessidade de capital imediato adicional pode alterar o ritmo de negociação e a liquidez de unidades de luxo.

Por que os bancos aumentaram a entrada?

Controle de risco

O aumento da entrada reduz o valor financiado, diminuindo a exposição do banco ao risco de inadimplência. Em um cenário de inflação persistente e juros altos, a estratégia protege o sistema bancário.

Redução do comprometimento de renda

Com uma entrada maior, a parcela mensal cai. Isso facilita o enquadramento nas regras do crédito imobiliário, que limitam o comprometimento da renda a 30% ou 35% da renda bruta familiar.

Adequação ao cenário macroeconômico

A alta da Selic e as incertezas fiscais do país fizeram com que os bancos se tornassem mais conservadores na concessão de crédito de longo prazo.

Sistema de Amortização Constante (SAC): como funciona?

imóveis minha casa minha vida
Imagem: Michael Dechev/Shutterstock.com

O SAC é o modelo mais utilizado no Brasil e se caracteriza por:

  • Parcelas decrescentes ao longo do tempo
  • Amortização constante do saldo devedor
  • Juros cobrados sobre o saldo restante

Com uma entrada maior, o valor financiado é menor, e, portanto, os juros totais pagos ao longo do contrato também diminuem.

Como planejar a compra com as novas exigências

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1. Simule com antecedência

Utilize simuladores de instituições como Caixa, Itaú, Bradesco e Santander para estimar:

  • Entrada necessária
  • Valor das parcelas
  • Prazo do financiamento
  • Renda exigida

2. Construa a reserva para entrada

Com a exigência de 30%, o ideal é:

  • Reservar pelo menos 35% do valor do imóvel (considerando custos com documentação e taxas);
  • Considerar o uso do FGTS (se permitido) como parte do valor da entrada.

3. Calcule os custos extras

Além da entrada, prepare-se para:

  • ITBI (2% a 3%)
  • Registro em cartório
  • Taxa de avaliação e seguros obrigatórios

4. Negocie descontos com a entrada maior

Com mais dinheiro em mãos, o comprador tem maior poder de negociação. Muitos vendedores aceitam reduções de preço para fechar a venda à vista ou com maior entrada.

Mercado imobiliário e a resposta às novas regras

Financiar imóveis
Imagem: A_stockphoto / Shutterstock.com

Apesar das exigências mais rígidas, não se espera retração imediata nas vendas, já que:

  • O mercado segue aquecido em grandes centros urbanos
  • demanda reprimida acumulada desde a pandemia
  • Programas como Minha Casa, Minha Vida mantêm condições acessíveis para a base da pirâmide

Contudo, especialistas apontam que as novas regras podem:

  • Desacelerar compras por impulso
  • Aumentar o prazo médio de fechamento de negócio
  • Favorecer quem tem reserva e estabilidade financeira

Imagem: grustock – Freepik

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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