O mercado imobiliário brasileiro iniciou 2025 com mudanças relevantes nas regras de financiamento habitacional. Os principais bancos do país elevaram a entrada mínima exigida para a concessão de crédito imobiliário, passando de 20% para 30% do valor do imóvel, quando contratado pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Na prática, isso significa que o valor máximo a ser financiado cai de 80% para 70%, exigindo do comprador um aporte inicial maior.
Financiamento de imóvel no Rio: quanto é preciso de entrada nas ruas mais procuradas?
Bancos aumentam entrada mínima de imóveis de 20% para 30% em 2025. Veja como isso afeta o valor financiado, a renda exigida e mais!
A mudança, que se aplica principalmente aos imóveis residenciais adquiridos por meio de financiamentos fora do âmbito dos programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida, já impacta diretamente nas simulações de crédito em diversas regiões, especialmente em áreas valorizadas do Rio de Janeiro.
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Como a nova regra afeta quem quer comprar um imóvel
Aumento da entrada = menor parcela
De acordo com Fábio Takahashi, gerente de Dados da plataforma Loft, a elevação da entrada tem dois efeitos simultâneos:
- Eleva o valor necessário para iniciar o processo de compra;
- Reduz o valor das parcelas e a renda mínima exigida para aprovação do financiamento.
A estratégia dos bancos visa mitigar riscos de inadimplência, além de adequar as operações ao cenário de juros elevados, mesmo diante de uma eventual estabilização da taxa Selic.
Simulação real: Barra da Tijuca (RJ)
Na Avenida Nuta James, um dos endereços mais valorizados da Barra da Tijuca, o preço médio dos imóveis gira em torno de R$ 1,5 milhão. Com a antiga regra de 20% de entrada, o comprador precisava desembolsar R$ 312 mil. Agora, com a entrada de 30%, é necessário dispor de R$ 468 mil à vista.
Apesar disso, a renda mínima exigida para aprovação caiu de R$ 49.900 para R$ 47.600, com uma parcela mensal de R$ 13.302 em um contrato de 240 meses.
Comparativo: como os valores mudaram em diferentes bairros
Jacarepaguá – Estrada dos Bandeirantes
A segunda via com mais transações imobiliárias no Rio em 2025, a Estrada dos Bandeirantes, em Jacarepaguá, também registrou aumentos significativos.
- Valor médio do imóvel: R$ 297 mil
- Entrada em 2024 (20%): R$ 59 mil
- Entrada em 2025 (30%): R$ 89 mil
- Renda mínima exigida em 2024: R$ 9.500
- Renda mínima exigida em 2025: R$ 9.100
O impacto percentual é mais suave nos imóveis de menor valor, mas ainda assim pode inviabilizar a compra imediata para muitos compradores sem reserva financeira.
Leblon – Avenida Delfim Moreira
Em um dos endereços mais caros do Brasil, o impacto é diretamente proporcional aos valores:
- Valor médio do imóvel: R$ 12,9 milhões
- Entrada em 2024 (20%): R$ 2,5 milhões
- Entrada em 2025 (30%): R$ 3,8 milhões
- Renda mínima exigida em 2024: R$ 412 mil
- Renda mínima exigida em 2025: R$ 394 mil
Mesmo entre os compradores de alto poder aquisitivo, a necessidade de capital imediato adicional pode alterar o ritmo de negociação e a liquidez de unidades de luxo.
Por que os bancos aumentaram a entrada?
Controle de risco
O aumento da entrada reduz o valor financiado, diminuindo a exposição do banco ao risco de inadimplência. Em um cenário de inflação persistente e juros altos, a estratégia protege o sistema bancário.
Redução do comprometimento de renda
Com uma entrada maior, a parcela mensal cai. Isso facilita o enquadramento nas regras do crédito imobiliário, que limitam o comprometimento da renda a 30% ou 35% da renda bruta familiar.
Adequação ao cenário macroeconômico
A alta da Selic e as incertezas fiscais do país fizeram com que os bancos se tornassem mais conservadores na concessão de crédito de longo prazo.
Sistema de Amortização Constante (SAC): como funciona?

O SAC é o modelo mais utilizado no Brasil e se caracteriza por:
- Parcelas decrescentes ao longo do tempo
- Amortização constante do saldo devedor
- Juros cobrados sobre o saldo restante
Com uma entrada maior, o valor financiado é menor, e, portanto, os juros totais pagos ao longo do contrato também diminuem.
Como planejar a compra com as novas exigências
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1. Simule com antecedência
Utilize simuladores de instituições como Caixa, Itaú, Bradesco e Santander para estimar:
- Entrada necessária
- Valor das parcelas
- Prazo do financiamento
- Renda exigida
2. Construa a reserva para entrada
Com a exigência de 30%, o ideal é:
- Reservar pelo menos 35% do valor do imóvel (considerando custos com documentação e taxas);
- Considerar o uso do FGTS (se permitido) como parte do valor da entrada.
3. Calcule os custos extras
Além da entrada, prepare-se para:
- ITBI (2% a 3%)
- Registro em cartório
- Taxa de avaliação e seguros obrigatórios
4. Negocie descontos com a entrada maior
Com mais dinheiro em mãos, o comprador tem maior poder de negociação. Muitos vendedores aceitam reduções de preço para fechar a venda à vista ou com maior entrada.
Mercado imobiliário e a resposta às novas regras

Apesar das exigências mais rígidas, não se espera retração imediata nas vendas, já que:
- O mercado segue aquecido em grandes centros urbanos
- Há demanda reprimida acumulada desde a pandemia
- Programas como Minha Casa, Minha Vida mantêm condições acessíveis para a base da pirâmide
Contudo, especialistas apontam que as novas regras podem:
- Desacelerar compras por impulso
- Aumentar o prazo médio de fechamento de negócio
- Favorecer quem tem reserva e estabilidade financeira
Imagem: grustock – Freepik
