O recente escândalo de Fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigado pela Polícia Federal, ganhou novos contornos ao impactar áreas sensíveis da saúde pública. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) alertou que o esquema criminoso pode afetar diretamente o fornecimento de canabidiol, substância usada no tratamento de doenças neurológicas, psiquiátricas e crônicas.
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Fraudes no INSS podem prejudicar a distribuição de canabidiol no país, alerta a senadora Damares Alves. Pacientes crônicos podem ser os mais afetados.
Segundo Damares, o risco iminente de desabastecimento de canabidiol representa uma ameaça grave à continuidade do tratamento de milhares de brasileiros que dependem do medicamento importado, muitas vezes com subsídio estatal.
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A denúncia da senadora Damares Alves

A declaração da senadora foi feita após reuniões com autoridades envolvidas na apuração das fraudes do INSS, reveladas na operação da Polícia Federal. De acordo com a parlamentar, o orçamento destinado à aquisição de medicamentos importados e de alto custo, como o canabidiol, pode estar sendo prejudicado pelo esquema de desvios e concessões irregulares de benefícios.
Damares enfatizou a importância de manter o fornecimento do produto, principalmente para pacientes com epilepsia refratária, autismo severo e síndromes raras, que têm no canabidiol uma das poucas alternativas eficazes.
Como a fraude no INSS interfere na saúde pública
A rede de fraudes e seus reflexos no orçamento
A investigação da PF revelou que um grupo criminoso operava dentro do INSS com o objetivo de liberar aposentadorias por invalidez e auxílios-doença fraudulentos. Com base em documentos forjados e laudos médicos falsificados, os criminosos teriam movimentado milhões de reais. Essa distorção compromete o orçamento da Previdência, que também financia parte do fornecimento de medicamentos de alto custo por meio de decisões judiciais e programas públicos.
Recursos desviados ameaçam o tratamento contínuo
A preocupação da senadora reside no fato de que o mesmo caixa que cobre benefícios previdenciários também subsidia tratamentos excepcionais, como os que envolvem o uso do canabidiol. Se os cofres forem drenados por fraudes estruturadas, o impacto pode ser sentido diretamente pelos usuários mais vulneráveis do sistema.
O canabidiol no Brasil: o que está em jogo
Quem usa canabidiol?
No Brasil, o canabidiol é utilizado com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) principalmente em casos de:
- Epilepsia refratária
- Transtorno do espectro autista
- Alzheimer
- Parkinson
- Esclerose múltipla
- Dor crônica
- Ansiedade e depressão severas
Muitos desses pacientes dependem de ações judiciais para obter o medicamento custeado pelo SUS ou por estados e municípios.
Canabidiol: um medicamento de alto custo
O produto à base de canabidiol, na maioria das vezes importado, tem preços elevados. Uma única unidade pode ultrapassar os R$ 2 mil mensais. Para famílias de baixa renda, é inviável arcar com esse custo sem apoio do Estado. A possibilidade de interrupção no fornecimento por falta de orçamento gerado por fraudes no INSS é vista com extrema preocupação por entidades de pacientes.
A operação da Polícia Federal

Como funcionava o esquema fraudulento
A Polícia Federal identificou uma rede que operava com a ajuda de servidores do INSS, intermediários e médicos. Os criminosos conseguiam liberar benefícios com base em laudos falsos e peritos coniventes. A investigação apontou para uma possível atuação em diversos estados, com foco no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
O rombo causado pela fraude
Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos supere os R$ 200 milhões. O número de benefícios indevidamente concedidos ainda está sendo apurado, mas já se fala em centenas de casos. Para a senadora Damares Alves, a gravidade do caso vai além do rombo financeiro: “Estamos falando de vidas que dependem da responsabilidade do Estado em áreas fundamentais como a saúde”, afirmou.
A saúde das crianças e pacientes raros em risco
Casos reais de dependência do canabidiol
Muitas famílias brasileiras enfrentam uma batalha judicial e emocional para conseguir o tratamento com canabidiol. É o caso de crianças com epilepsia que sofrem dezenas de crises por dia, controladas apenas com a medicação.
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Sem o remédio, a condição de saúde se deteriora rapidamente, podendo levar a lesões cerebrais e até à morte. A suspensão do fornecimento por falta de recursos decorrente de fraudes é considerada um retrocesso inaceitável por especialistas.
Reação da sociedade civil
Associações de pacientes e ONGs que defendem o acesso ao canabidiol reagiram ao alerta da senadora. Em nota, entidades como a Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal) manifestaram apoio à iniciativa de Damares de levar o tema ao debate público e ao Congresso.
O que pode ser feito para evitar o desabastecimento

Revisão orçamentária urgente
Especialistas em orçamento público sugerem a criação de um fundo emergencial que assegure o fornecimento de medicamentos excepcionais, como o canabidiol, independentemente das crises em outros setores. A proposta também passa por revisão das regras de repasse entre Previdência e Ministério da Saúde.
Rigor na fiscalização do INSS
Damares Alves também defende que a reestruturação do INSS e o combate à impunidade são passos essenciais para proteger as áreas colaterais afetadas pelas fraudes. A senadora já articula audiências no Senado para discutir o impacto dos desvios no sistema de saúde.
Judicialização como último recurso
Com a possibilidade de desabastecimento, especialistas alertam que a judicialização dos tratamentos pode aumentar. Isso sobrecarrega ainda mais o Judiciário e não garante soluções rápidas. Por isso, a atuação preventiva por parte do Estado é vista como fundamental.
Considerações finais
O alerta feito pela senadora Damares Alves sobre os efeitos colaterais das fraudes no INSS escancara uma nova faceta da crise institucional brasileira. Não se trata apenas de desvios financeiros, mas de vidas em jogo. O risco de desabastecimento de canabidiol não deve ser ignorado, sobretudo quando envolve o tratamento de crianças e pacientes raros.
A sociedade precisa cobrar respostas rápidas e eficazes. O combate à Fraude no sistema previdenciário deve caminhar lado a lado com a proteção aos pacientes que dependem de políticas públicas de saúde, especialmente no fornecimento de medicamentos essenciais e de alto custo como o canabidiol.
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