A chamada “tese do século” ganhou um novo capítulo no cenário jurídico brasileiro. Inicialmente reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, a tese estabeleceu que o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins, abrindo espaço para que o conceito fosse ampliado para outros tributos.
Vitória para as empresas! ⚖️ Juiz autoriza exclusão de PIS e Cofins das bases de cálculo
Descubra como a tese do século foi aplicada para excluir o PIS e a Cofins de suas próprias bases de cálculo, protegendo contribuintes.
Recentemente, a 3ª Vara Federal de Alagoas concedeu uma liminar permitindo que uma empresa excluísse o PIS e a Cofins de suas próprias bases de cálculo, baseando-se no raciocínio da tese do século.
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Entenda o caso: o pedido da empresa

A empresa autora da ação argumentou que a base de cálculo do PIS e da Cofins deve ser limitada à receita ou faturamento do contribuinte, ou seja, somente aquilo que efetivamente se agrega ao patrimônio de forma definitiva.
A inclusão de valores tributários na base de cálculo seria, segundo ela, uma distorção desse conceito. Baseando-se na tese do século, a empresa defendeu que a lógica aplicada ao ICMS deveria ser estendida para o PIS e a Cofins. Afinal, tributos incidentes sobre a própria receita bruta não podem ser considerados como receita efetiva.
Decisão judicial: exclusão dos tributos
O juiz Ângelo Cavalcanti Alves de Miranda Neto, responsável pela decisão, acolheu o pedido da empresa e determinou que:
- PIS e Cofins fossem excluídos de suas próprias bases de cálculo;
- A Receita Federal fosse proibida de negar a emissão da certidão de regularidade fiscal da empresa;
- A empresa não fosse incluída em cadastros de crédito restritivos ou cobrada por débitos semelhantes até o julgamento final do caso.
O magistrado ressaltou que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) já possui precedentes favoráveis à aplicação analógica da tese do século para outros tributos. Assim, não encontrou impedimentos para aplicar o mesmo raciocínio no caso específico.
Impacto da decisão para contribuintes
A decisão, embora em caráter liminar, é um marco importante para os contribuintes. Ela reforça a possibilidade de questionar a inclusão de tributos em suas próprias bases de cálculo, promovendo maior proteção contra interpretações fiscais excessivas.
O escritório responsável pela defesa da empresa, Marcos Inácio Advogados, destacou que a liminar contribui para a aplicação justa e equânime dos precedentes do STF, protegendo os contribuintes de interpretações que extrapolam os limites legais.
O que é a tese do século?
A tese do século foi fixada em 2017 pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 574.706, e definiu que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins.
O fundamento principal é que tributos não representam receita ou faturamento, mas apenas valores transitórios recolhidos pelo contribuinte e repassados ao governo.
Essa decisão abriu precedentes para que contribuintes questionassem outras bases de cálculo envolvendo tributos.
Expansão do conceito: novos desdobramentos
Desde a decisão do STF, empresas e especialistas têm buscado expandir a lógica da tese do século para outros tributos. O caso mais recente, envolvendo o PIS e a Cofins, pode ser um divisor de águas para novos debates jurídicos.
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Segundo o advogado Carlos Augusto Moreira, “a tese do século estabelece um parâmetro claro de justiça tributária, que pode ser replicado em diversas situações semelhantes”.
A expectativa é que mais empresas tentem aplicar o raciocínio da exclusão para outros tributos, como o ISS (Imposto Sobre Serviços) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
Benefícios para empresas e desafios para o governo
A exclusão de tributos de suas próprias bases de cálculo pode representar um alívio financeiro significativo para empresas. Porém, para o governo, essa expansão pode gerar perdas bilionárias de arrecadação.
Estudos realizados após a tese do século estimam que a decisão do STF sobre o ICMS impactará os cofres públicos em mais de R$ 250 bilhões. Com a aplicação do conceito para outros tributos, esse montante pode ser ainda maior, colocando em xeque a sustentabilidade das contas públicas.
Considerações finais
A aplicação da tese do século ao caso do PIS e da Cofins representa um avanço para os direitos dos contribuintes e reforça a importância da justiça fiscal no Brasil.
Contudo, também evidencia o delicado equilíbrio entre garantir os direitos das empresas e preservar a arrecadação necessária para manter os serviços públicos.
À medida que mais casos semelhantes surgem, é possível que o STF seja novamente chamado a se pronunciar, definindo os limites dessa expansão tributária e esclarecendo o alcance da tese do século no sistema jurídico brasileiro.
Imagem: shutterstock.com | sutlafk
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