O mercado de soja ganhou força nesta quinta-feira (10) na Bolsa de Chicago (CBOT), com altas no grão, no farelo e no óleo. O movimento é sustentado principalmente pela retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos e pela forte valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a venda de 272 mil toneladas de soja para a China e outras 206,5 mil toneladas para destinos não identificados, todas referentes à safra 2026/27.
Somando os negócios anunciados nos dois últimos dias, o volume chega a 918,5 mil toneladas. A sequência de compras reforça a percepção de uma demanda chinesa mais firme justamente em um momento de maior atenção do mercado às relações comerciais entre Washington e Pequim.
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China volta a pressionar o mercado de soja

A China é o maior comprador mundial de soja e suas decisões de importação têm forte influência sobre as cotações internacionais.
Na quarta-feira (9), exportadores americanos já haviam informado vendas de 440 mil toneladas da oleaginosa. Desse total, 340 mil toneladas tinham como destino a China e outras 100 mil toneladas foram vendidas para compradores não identificados.
A movimentação ocorre enquanto Pequim avança para cumprir uma meta de compra de soja americana. Segundo informações divulgadas pela Reuters, os negócios recentes levaram o volume acumulado para perto da metade dos 25 milhões de toneladas previstos.
A proximidade de uma possível reunião entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também adiciona atenção política ao mercado.
Para os operadores, novas compras chinesas podem representar um importante suporte para os contratos futuros americanos, especialmente durante o período em que a safra dos Estados Unidos começa a chegar ao mercado.
Petróleo dispara e dá suporte ao óleo de soja
Além da demanda chinesa, o mercado de energia passou a exercer influência sobre os derivados da soja.
O petróleo Brent avançou mais de 6% nesta quinta-feira e terminou o dia em US$ 107,63 por barril, segundo a Reuters. A valorização ocorreu em meio ao aumento das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e às preocupações com o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O movimento interessa diretamente ao mercado de óleos vegetais. O óleo de soja possui participação importante na produção de biocombustíveis e compete com outras matérias-primas utilizadas nesse segmento.
Quando o petróleo fica mais caro, os combustíveis produzidos a partir de fontes vegetais podem ganhar competitividade relativa. Isso aumenta o interesse sobre o óleo de soja e ajuda a sustentar suas cotações.
Na CBOT, o óleo de soja esteve entre os destaques positivos do complexo nesta quinta-feira, enquanto o farelo também acompanhou o movimento de valorização.
O que a alta em Chicago significa para o produtor brasileiro?
Para o produtor brasileiro, uma alta da soja em Chicago pode abrir espaço para melhores oportunidades de comercialização. Mas a cotação internacional não determina sozinha quanto será recebido pela saca no mercado nacional.
O preço brasileiro resulta da combinação entre Chicago, dólar, prêmios de exportação, custos logísticos e condições de oferta e demanda em cada região.
Nesta quinta-feira, o dólar permaneceu próximo de R$ 5,10, mas operou em baixa durante parte do pregão. Isso limita parcialmente o impacto positivo da valorização da commodity sobre os preços domésticos.
Mesmo assim, a alta internacional pode melhorar as referências de exportação e favorecer negociações nos portos brasileiros.
Preços da soja nos portos também reagem
O avanço das cotações internacionais já começa a aparecer nas referências de comercialização da soja brasileira.
Em Paranaguá, negócios para entrega e pagamento em diferentes períodos chegaram a apresentar valores próximos de R$ 165,50 por saca para posições mais próximas, enquanto contratos futuros também registraram referências elevadas.
O preço, porém, varia conforme a data de entrega, forma de pagamento, qualidade do produto, prêmio, comprador e condições logísticas. Por isso, uma cotação observada no porto não representa necessariamente o valor que será recebido pelo produtor em qualquer região do país.
É hora de vender soja?
A valorização atual pode representar uma oportunidade para produtores que precisam comercializar parte da produção, mas não significa necessariamente que toda a soja deva ser vendida imediatamente.
Uma estratégia possível é dividir as vendas em diferentes momentos. Assim, o produtor consegue aproveitar uma parcela das cotações atuais e, ao mesmo tempo, mantém parte da produção exposta a uma eventual continuidade da alta.
A decisão deve considerar principalmente o custo de produção, a margem desejada, a necessidade de caixa e o preço efetivamente oferecido na região.
Tentar acertar exatamente o topo do mercado costuma ser uma estratégia difícil. O objetivo da comercialização deve ser garantir uma margem considerada adequada para a propriedade.
Quais fatores podem fazer a soja continuar subindo?
O mercado deve acompanhar de perto os próximos movimentos da China e os novos dados sobre a produção americana.
Entre os principais fatores que podem sustentar as cotações estão:
- novas compras chinesas de soja dos Estados Unidos;
- redução das estimativas de produção americana;
- problemas climáticos nas lavouras;
- petróleo em níveis elevados;
- maior demanda por óleo vegetal e biocombustíveis;
- dólar mais favorável às commodities.
O comportamento dos fundos de investimento também pode aumentar a volatilidade dos contratos futuros.
E o que pode derrubar os preços?
O movimento de alta não está garantido.
Uma desaceleração das compras chinesas, uma produção americana maior do que a esperada ou uma melhora nas perspectivas para a safra sul-americana podem aumentar a pressão sobre os preços.
Uma queda expressiva do petróleo também poderia retirar parte do suporte dado atualmente ao óleo de soja.
Por isso, o produtor precisa observar o conjunto dos indicadores, e não apenas a cotação de Chicago.
Produtor deve acompanhar Chicago, dólar e mercado físico
Para entender se a alta internacional realmente representa uma oportunidade de venda, o produtor brasileiro precisa observar três referências simultaneamente: Chicago, dólar e mercado físico.
Uma valorização de 2% em Chicago, por exemplo, pode ter impacto menor sobre o preço brasileiro se o dólar cair ou se os prêmios de exportação recuarem.
Da mesma forma, uma alta do dólar pode favorecer a soja brasileira mesmo quando a Bolsa de Chicago estiver estável.
Por isso, a referência mais importante para a decisão de venda é o preço líquido disponível para a propriedade, comparado ao custo de produção e à margem desejada.
O que esperar da soja nos próximos dias?

A soja entra nos próximos pregões com dois importantes fatores de sustentação: a retomada das compras chinesas e a valorização do petróleo.
A demanda asiática será determinante para saber se o movimento consegue ganhar continuidade. Ao mesmo tempo, os próximos dados do USDA e as informações sobre a produção americana podem alterar rapidamente as expectativas do mercado.
Para o produtor brasileiro, o momento é de atenção às oportunidades de fixação de preços. A combinação entre Chicago firme e referências domésticas mais altas pode permitir a realização de vendas parciais, principalmente para quem já possui margem satisfatória.
A estratégia, entretanto, deve ser baseada nos números da própria propriedade. Em um mercado tão sensível ao clima, ao câmbio, à geopolítica e à demanda chinesa, proteger uma boa margem pode ser mais importante do que esperar por uma cotação máxima que talvez nunca chegue.
Conclusão
A soja encerra a quinta-feira em um ambiente de maior sustentação, com as compras chinesas nos Estados Unidos reforçando as perspectivas de demanda e a disparada do petróleo dando suporte ao mercado de óleos vegetais. A combinação levou o complexo da soja a operar em alta na Bolsa de Chicago e melhorou as referências de comercialização também no Brasil.
Para o produtor brasileiro, o momento pode abrir oportunidades para fixar parte da produção em níveis mais atrativos. Ainda assim, a decisão deve considerar o custo de produção, o dólar, os prêmios e as condições do mercado físico, já que novos dados sobre a safra americana e o comportamento das compras chinesas podem alterar rapidamente as cotações.
