Um experimento divulgado pelo canal Veritasium em parceria com o influenciador MKBHD trouxe à tona uma vulnerabilidade pouco conhecida no Apple Pay que pode permitir o uso indevido de cartões mesmo com o iPhone bloqueado.
Falha no Apple Pay com cartões Visa é exposta por youtuber
Brecha no iPhone permite pagamentos em cartões sem desbloqueio via Apple Pay. Entenda riscos, impacto no Brasil e como se proteger.
A demonstração prática indicou que valores altos — como US$ 10 mil — poderiam ser transferidos sem a autenticação tradicional do usuário, levantando preocupações sobre a segurança dos pagamentos por aproximação.
Embora o problema tenha sido revelado ainda em 2021 por pesquisadores acadêmicos, o tema voltou a ganhar repercussão por levantar dúvidas sobre a segurança dos pagamentos por aproximação, especialmente em um contexto global de crescimento acelerado do uso de carteiras digitais.
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Como funciona a vulnerabilidade no iPhone
A falha foi identificada pelos pesquisadores Ioana Boureanu e Tom Chothia e envolve o uso do recurso conhecido como “Modo Expresso” (Express Transit) do Apple Pay.
Esse modo permite que determinados pagamentos sejam realizados sem necessidade de autenticação via Face ID, Touch ID ou senha, justamente para agilizar o uso em transporte público.
O papel do NFC na brecha
A tecnologia envolvida é o NFC (Near Field Communication), amplamente utilizada em pagamentos por aproximação no mundo todo, incluindo no Brasil. O problema surge quando:
- Um dispositivo malicioso intercepta o sinal NFC do iPhone
- O sistema é induzido a ignorar limites de valor da transação
- O terminal de pagamento é enganado e autoriza a cobrança
Na prática, trata-se de um ataque sofisticado que depende de condições específicas e equipamentos especializados, o que reduz sua ocorrência no dia a dia, mas não elimina o risco.
Posição das empresas envolvidas
A Apple afirmou que a vulnerabilidade não está diretamente ligada ao sistema iOS, mas sim a um comportamento específico associado à bandeira de cartões Visa.
Segundo a empresa, o problema não afeta cartões de outras bandeiras, como Mastercard. Já a Visa declarou que os usuários estão protegidos por políticas de “responsabilidade zero”, que garantem o reembolso em casos de fraude.
Apesar disso, a companhia classificou o cenário como improvável no uso cotidiano, destacando que a exploração da falha exige um ambiente altamente controlado.
Impacto no Brasil: risco real ou preocupação teórica?
No Brasil, o uso de pagamentos por aproximação cresceu significativamente nos últimos anos. Dados do Banco Central mostram que a tecnologia NFC já é amplamente utilizada em cartões físicos e dispositivos móveis, impulsionada por soluções como Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay.
O que diferencia o cenário brasileiro
Embora a vulnerabilidade esteja associada a condições específicas, o contexto brasileiro apresenta alguns fatores relevantes:
- Alta adoção de pagamentos por aproximação
- Crescimento de fraudes digitais e golpes tecnológicos
- Popularização de iPhones em grandes centros urbanos
Ainda assim, não há registros amplamente divulgados de casos reais dessa exploração no país.
Segurança digital: o que dizem especialistas
Especialistas em segurança da informação apontam que, embora tecnicamente possível, o ataque exige conhecimento avançado e equipamentos específicos, o que limita sua escala.
No entanto, o caso reforça um ponto importante: nenhum sistema é totalmente imune a falhas.
Riscos indiretos
Mesmo que o golpe em si seja raro, ele evidencia vulnerabilidades que podem ser exploradas futuramente de formas mais simples, especialmente com a evolução de tecnologias de interceptação.
Como se proteger na prática
Para usuários brasileiros, algumas medidas simples podem reduzir ainda mais os riscos:
Desative o Modo Expresso se não utilizar
O recurso pode ser desativado nas configurações do Apple Pay. Isso garante que todas as transações exijam autenticação.
Monitore suas transações regularmente
Acompanhar o extrato do cartão ou do aplicativo bancário ajuda a identificar rapidamente qualquer movimentação suspeita.
Utilize notificações em tempo real
Ativar alertas de transações permite ação imediata em caso de uso indevido.
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Evite aproximação desnecessária em locais públicos
Embora o alcance do NFC seja curto, manter atenção em ambientes movimentados é uma prática recomendada.
O papel das políticas de proteção ao consumidor
No Brasil, o consumidor conta com respaldo do Código de Defesa do Consumidor e políticas bancárias que geralmente garantem reembolso em casos de fraude comprovada.
Além disso, instituições financeiras seguem diretrizes do Banco Central para segurança em transações digitais, incluindo autenticação reforçada e monitoramento antifraude.
Falhas tecnológicas e confiança do consumidor
Casos como esse levantam uma questão central: até que ponto o consumidor pode confiar em tecnologias de pagamento automatizadas?
A resposta passa por três pilares:
- Transparência das empresas
- Atualizações constantes de segurança
- Educação digital do usuário
Atualizações e perspectivas futuras
Até o momento, não há confirmação pública de uma correção específica para essa vulnerabilidade. No entanto, tanto a Apple quanto empresas de pagamento costumam atualizar seus sistemas continuamente para mitigar riscos.
A tendência é que:
- Sistemas de autenticação se tornem mais rigorosos
- Limites de transação sejam mais bem controlados
- Tecnologias antifraude evoluam com inteligência artificial
Conclusão
A falha envolvendo pagamentos via NFC em iPhones bloqueados não representa, neste momento, uma ameaça generalizada ao usuário comum. No entanto, ela expõe fragilidades importantes em sistemas amplamente utilizados no mundo digital.
Para o consumidor brasileiro, o principal aprendizado é claro: tecnologia facilita o dia a dia, mas exige atenção constante. Pequenas configurações e hábitos podem fazer grande diferença na proteção contra riscos digitais.
Ao mesmo tempo, o episódio reforça a necessidade de empresas e instituições financeiras manterem investimentos contínuos em segurança, garantindo que inovação caminhe lado a lado com confiança.
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