A partir deste mês, farmácias e drogarias de todo o Brasil estão obrigadas a reter a receita médica na venda de medicamentos agonistas do GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. A medida afeta remédios como Ozempic, Wegovy e Mounjaro e tem o objetivo de controlar a venda indiscriminada, frear o uso off label desregulado e garantir o acesso para quem realmente necessita desses tratamentos.
Receita retida e canetas emagrecedoras: o que mudou para vendedores e consumidores
Farmácias de todo o país passam a reter receitas de canetas emagrecedoras como Ozempic, Wegovy e Mounjaro após decisão da Anvisa.
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Nova regra da Anvisa para canetas emagrecedoras

Diretrizes entram em vigor dois meses após aprovação
A medida foi aprovada pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril e entrou em vigor 60 dias depois, já com impacto direto na rotina de farmácias e pacientes.
Desde então, esses medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras só podem ser vendidos com uma receita médica emitida em duas vias, das quais uma deve ser retida no ato da compra — mesma exigência já aplicada para antibióticos.
Mudança tem respaldo técnico e científico
A decisão da Anvisa leva em consideração o aumento do uso indiscriminado das canetas emagrecedoras, inclusive por pessoas sem indicação clínica adequada. O objetivo é proteger a saúde pública e assegurar o acesso para os pacientes com obesidade, diabetes tipo 2 e outras condições médicas reconhecidas.
O que são as canetas emagrecedoras?
Finalidade terapêutica original
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos à base de agonistas do GLP-1, como a semaglutida (presente no Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (no Mounjaro). Elas foram desenvolvidas para tratar diabetes tipo 2, pois ajudam a controlar a glicemia e reduzir o apetite, o que também promove perda de peso.
Popularização das canetas emagrecedoras
Por serem administradas em forma de injeção subcutânea semanal e terem efeito comprovado na perda de peso, essas medicações passaram a ser muito procuradas para emagrecimento, ganhando o apelido de canetas emagrecedoras no mercado e nas redes sociais.
Prescrição em duas vias e validade da receita para canetas emagrecedoras
Procedimento padrão obrigatório para canetas emagrecedoras
Com a nova regulamentação, as receitas das canetas emagrecedoras precisam ser emitidas em duas vias, e uma delas deve obrigatoriamente ficar retida na farmácia. A validade da receita é de até 90 dias, contados a partir da data de emissão.
Essa retenção permite rastrear a dispensação dos medicamentos e reduzir o risco de reutilização da mesma receita para compras múltiplas, algo que vinha sendo facilitado pela ausência de controle prévio.
Registro no Sistema Nacional de Produtos Controlados
As farmácias e drogarias devem registrar toda a movimentação de compra e venda das canetas emagrecedoras no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), ampliando a fiscalização e o controle da Anvisa.
Uso off label das canetas emagrecedoras continua permitido

Decisão médica permanece soberana
A Anvisa esclareceu que a nova norma não proíbe o uso off label das canetas emagrecedoras — ou seja, o uso para indicações diferentes das descritas na bula. A prescrição continua sendo prerrogativa do médico, desde que haja consentimento informado por parte do paciente.
“É uma decisão tomada com responsabilidade pelo médico e sempre com o devido esclarecimento ao paciente, garantindo que ele esteja bem-informado sobre o procedimento”, disse a agência.
Entidades médicas defendem maior controle das canetas emagrecedoras
Apoio das principais sociedades da área
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) vinham pressionando por maior rigor na dispensação das canetas emagrecedoras.
Segundo essas entidades, o acesso irrestrito às canetas emagrecedoras está dificultando o tratamento de pacientes que realmente necessitam e expondo a população a efeitos colaterais e riscos ainda pouco conhecidos.
Nota de alerta sobre riscos do uso indiscriminado
Em nota conjunta, as sociedades alertaram:
“A venda das canetas emagrecedoras sem receita médica, apesar de irregular, é frequente. A legislação vigente exige receita médica para a dispensação destes medicamentos, porém não a retenção da mesma pelas farmácias. Essa lacuna facilita o acesso indiscriminado e a automedicação, expondo indivíduos a riscos desnecessários”.
Alerta contra versões manipuladas das canetas emagrecedoras
Riscos de medicamentos não autorizados
Outro foco de preocupação está nas versões manipuladas ou alternativas das canetas emagrecedoras. Em fevereiro, as entidades médicas divulgaram uma nota alertando para os perigos do uso de semaglutida e tirzepatida manipuladas.
Falta de controle de qualidade
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Por serem medicamentos biológicos injetáveis, as canetas emagrecedoras exigem rigoroso controle de temperatura, esterilidade e estabilidade, que muitas vezes não são garantidos em preparações manipuladas.
“Medicamentos biológicos, como a semaglutida e a tirzepatida, exigem processos rigorosos de fabricação para assegurar que o organismo utilize e metabolize a substância de forma eficaz e segura”, diz o texto.
Possíveis riscos à saúde
A nota enfatiza que as versões manipuladas não passam por testes de bioequivalência, tornando impossível prever seus efeitos no organismo. O uso dessas versões representa um “grave risco à saúde pública”.
Recomendações para médicos, pacientes e autoridades sobre canetas emagrecedoras
Para profissionais de saúde
- Não prescrever versões manipuladas ou alternativas das canetas emagrecedoras.
- Utilizar somente medicamentos com registro na Anvisa e fabricação industrial controlada.
Para pacientes
- Recusar tratamentos com versões não autorizadas das canetas emagrecedoras.
- Exigir produtos aprovados pela Anvisa.
Para agências reguladoras
- Reforçar fiscalização em farmácias de manipulação, clínicas, consultórios e plataformas digitais que comercializam essas medicações irregularmente.
- Ampliar ações punitivas contra práticas que colocam a saúde pública em risco.
Patente do Ozempic e futuro das canetas emagrecedoras

Genéricos e biossimilares a caminho
Com a patente do Ozempic prevista para expirar em 2026, fabricantes trabalham em versões genéricas e biossimilares das canetas emagrecedoras.
Impacto esperado
A chegada desses genéricos poderá reduzir o custo do tratamento e ampliar o acesso, especialmente no SUS, mas a necessidade de fiscalização rigorosa permanece.
Conclusão
A retenção das receitas das canetas emagrecedoras pelas farmácias é uma medida essencial para garantir o uso responsável desses medicamentos, proteger a saúde pública e garantir acesso seguro a quem realmente necessita do tratamento. A colaboração entre profissionais de saúde, pacientes, farmácias e órgãos reguladores será fundamental para o sucesso dessa política.
