A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar o deputado federal Fausto Pinato (União Brasil-SP). O pedido foi apresentado após a corporação apontar uma suposta atuação do parlamentar em favor da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade investigada por participação no esquema de descontos indevidos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Caso dos descontos do INSS: PF pede investigação de Fausto Pinato no STF
PF pede ao STF abertura de inquérito contra Fausto Pinato por suposta atuação em favor de entidade investigada no esquema de descontos do INSS.
O caso amplia o alcance das investigações da Operação Sem Desconto, que apura um dos maiores esquemas recentes de fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além dos gestores públicos já investigados, o relatório da Polícia Federal passa a analisar possíveis interferências externas em favor de entidades suspeitas de participação nas irregularidades.
Ao longo deste artigo, você entenderá por que a PF pediu a abertura do inquérito, qual é a suspeita envolvendo o deputado, como funcionava o esquema investigado e quais podem ser os próximos desdobramentos.
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O que motivou o pedido de investigação contra Fausto Pinato?

A solicitação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal tem como base um relatório produzido pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a corporação, há indícios da possível prática do crime de advocacia administrativa. A suspeita é de que o parlamentar teria atuado para tentar viabilizar o desbloqueio de contas bancárias da Conafer, entidade investigada por suposto envolvimento nas fraudes relacionadas ao INSS.
Como deputados federais possuem foro por prerrogativa de função perante o STF para fatos relacionados ao exercício do mandato, cabe ao Supremo analisar o pedido da Polícia Federal e decidir se autoriza ou não a abertura do inquérito.
Até o momento, o pedido representa apenas uma etapa inicial da investigação. A eventual abertura do inquérito não significa que haja condenação ou confirmação das suspeitas.
O que é advocacia administrativa?
Entenda o crime citado pela Polícia Federal
A advocacia administrativa está prevista no Código Penal Brasileiro.
O crime ocorre quando um agente público utiliza a influência decorrente do cargo para defender interesses privados perante órgãos da administração pública, buscando favorecer determinada pessoa, empresa ou entidade.
Caso o Supremo autorize a investigação, caberá à Polícia Federal reunir elementos que confirmem ou afastem a suspeita.
É comum que esse tipo de investigação passe por análise de documentos, mensagens, registros telefônicos, movimentações administrativas e oitivas de testemunhas.
Qual é a ligação da Conafer com o caso?
A Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) aparece como uma das entidades investigadas pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As investigações apontam que diversas associações realizavam descontos diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS por meio de supostas autorizações de filiação ou contratação de serviços.
Segundo a Polícia Federal, em muitos casos os beneficiários afirmaram nunca ter autorizado essas cobranças.
Os descontos eram efetuados mensalmente diretamente na folha de pagamento dos benefícios previdenciários do INSS, reduzindo o valor recebido pelos aposentados.
A apuração busca identificar se houve falsificação de autorizações, falhas nos mecanismos de controle ou atuação criminosa organizada para obtenção desses valores.
Como funcionava o esquema dos descontos indevidos?
Descontos eram feitos diretamente no benefício
O modelo investigado utilizava convênios firmados entre entidades associativas e o Instituto Nacional do Seguro Social.
Esses acordos permitem descontos em folha quando existe autorização expressa do beneficiário.
O problema identificado pela investigação é que milhares de aposentados relataram desconhecer completamente essas cobranças.
Entre as suspeitas investigadas estão:
- inclusão irregular de associados;
- utilização de documentos supostamente falsificados;
- ausência de consentimento dos beneficiários;
- descontos mantidos por longos períodos sem conhecimento das vítimas.
Os valores individuais muitas vezes eram relativamente baixos, mas o elevado número de beneficiários teria produzido um prejuízo significativo.
O que diz o relatório da Polícia Federal?
O pedido envolvendo Fausto Pinato surgiu dentro do primeiro relatório final elaborado na Operação Sem Desconto.
Nesse documento, a Polícia Federal concentrou as investigações relacionadas especificamente à Conafer.
Além da análise sobre a possível atuação do parlamentar, a corporação concluiu um dos inquéritos com o indiciamento de diversos investigados.
Entre eles estão:
- o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto;
- o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro Filho;
- o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis;
- outros 45 investigados suspeitos de participação no esquema.
As investigações envolvem suspeitas de crimes como corrupção, organização criminosa e outros delitos relacionados aos desvios nos benefícios previdenciários.
Polícia Federal continuará investigando outras entidades
O relatório divulgado não encerra toda a Operação Sem Desconto.
Segundo a Polícia Federal, outras associações ainda permanecem sob investigação.
A corporação também pretende aprofundar a apuração sobre novos personagens que possam ter participado das irregularidades.
Isso significa que novos relatórios e eventuais pedidos de investigação podem surgir à medida que os trabalhos avancem.
O que disse o deputado Fausto Pinato?
Em manifestação pública, o deputado negou qualquer irregularidade.
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Segundo nota enviada à imprensa, Pinato afirmou que, na condição de presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo Rural, recebia representantes de diversas entidades ligadas ao setor.
De acordo com o parlamentar, esse contato fazia parte das atividades institucionais do mandato.
Pinato também declarou que não possui competência legal para determinar desbloqueio de contas bancárias e classificou as suspeitas como ilações sem fundamento.
Até o momento, não há decisão judicial reconhecendo responsabilidade do deputado pelos fatos investigados.
O que acontece agora?
STF decidirá sobre abertura do inquérito
O próximo passo depende da análise do Supremo Tribunal Federal.
Os ministros deverão avaliar o pedido apresentado pela Polícia Federal.
Caso o inquérito seja autorizado, a investigação poderá incluir coleta de novos documentos, depoimentos, perícias e outras diligências.
Ao final dessa fase, o Ministério Público poderá decidir pelo arquivamento do caso ou pela apresentação de denúncia, caso considere haver elementos suficientes.
Como aposentados podem verificar descontos no benefício?
Embora a investigação trate de responsabilidades criminais, muitos aposentados continuam buscando identificar possíveis cobranças indevidas.
A consulta pode ser feita por meio do extrato de pagamento do benefício disponível nos canais oficiais do INSS.
Caso o segurado identifique descontos que desconheça, é possível solicitar esclarecimentos, contestar a cobrança e pedir o cancelamento, conforme os procedimentos disponibilizados pela autarquia.
Também é recomendável guardar documentos, protocolos de atendimento e extratos que possam auxiliar em eventual pedido de ressarcimento.
O impacto da investigação

A Operação Sem Desconto tornou-se uma das principais investigações envolvendo a proteção dos benefícios previdenciários nos últimos anos.
Além de buscar responsabilizar eventuais envolvidos, o caso reacende o debate sobre os mecanismos de fiscalização dos descontos autorizados em folha e sobre a necessidade de aperfeiçoar os controles adotados pelo INSS.
O pedido de abertura de inquérito contra um deputado federal amplia o alcance das investigações, mas ainda representa uma fase preliminar do processo. A eventual autorização do STF permitirá que a Polícia Federal aprofunde a apuração antes de qualquer conclusão sobre responsabilidade criminal.
Conclusão
A investigação sobre os descontos indevidos em benefícios do INSS continua em andamento e ainda pode trazer novos desdobramentos. O pedido da Polícia Federal para abrir um inquérito contra o deputado Fausto Pinato será analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que decidirá se há elementos suficientes para o início da apuração. Enquanto isso, aposentados e pensionistas devem acompanhar seus extratos de pagamento e comunicar ao INSS qualquer desconto que considerem irregular.
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