A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) encaminhou ao Banco Central (BC) um ofício pedindo mudanças nas regras que regulam o débito automático em conta. A solicitação ocorre após a multiplicação de reclamações e processos judiciais de clientes, em especial aposentados, que alegam não ter autorizado determinadas cobranças lançadas diretamente em suas contas bancárias.
Febraban propõe novo mecanismo de confirmação para débitos automáticos
Febraban pede ao Banco Central mudanças no débito automático após aumento de reclamações e ações por cobranças indevidas em contas.
Segundo a Febraban, os bancos estão expostos a riscos jurídicos e reputacionais, pois não têm meios de confirmar a real autorização do cliente quando os débitos são solicitados por instituições parceiras, como seguradoras e clubes de benefícios.
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Contexto da regra atual

Alteração feita em 2021
Desde 2021, o Banco Central autorizou que cobranças automáticas pudessem ser realizadas sem a necessidade de um processo específico de autorização nos bancos, desde que o pedido viesse de outra instituição financeira previamente aprovada pelo órgão.
Na prática, isso abriu espaço para que empresas como seguradoras e clubes de benefícios recorressem a pequenas instituições financeiras para viabilizar a cobrança via débito automático.
Crescimento de reclamações e processos
Um levantamento do portal jurídico Escavador, encomendado pelo UOL, revelou que o número de processos contra essas instituições disparou nos últimos anos. Em 2020, eram cerca de 1.400 ações relacionadas a esse tipo de cobrança. Em 2024, o número saltou para 32 mil, indicando um problema de proporções muito maiores do que inicialmente esperado.
A maioria das queixas é de aposentados que alegam não ter autorizado os débitos, mas ainda assim viram descontos recorrentes em seus extratos.
O que diz a Febraban
Falta de meios para verificar autorização
De acordo com o ofício enviado ao Banco Central, os bancos não têm como confirmar a veracidade das autorizações emitidas por instituições parceiras.
“As instituições financeiras detentoras das contas debitadas enfrentam dificuldades, pois estão inibidas de realizar a confirmação”, afirmou a Febraban no documento.
Impacto jurídico e reputacional
A federação também alertou para os riscos de responsabilização dos bancos em casos de cobrança não reconhecida. Isso porque o cliente geralmente responsabiliza sua instituição de conta, mesmo que o débito tenha sido iniciado por terceiros.
O ofício ressalta que isso gera:
- aumento dos índices de reclamações em canais oficiais,
- maior exposição das instituições financeiras a ações judiciais,
- e crescimento de litígios que, em muitos casos, podem ser caracterizados como abusivos.
Pedido formal ao BC
Diante desse cenário, a Febraban solicitou que seja reincorporada a possibilidade de confirmação de autorização, ou seja, que os bancos possam validar diretamente com os clientes se o débito realmente foi consentido, especialmente quando o valor se destina a terceiros.
Posição do Banco Central

Questionado pelo UOL, o Banco Central afirmou que os bancos não estão proibidos de adotar controles adicionais para garantir a segurança dos processos. O órgão reforçou que a exigência de autorização prévia e inequívoca do cliente permanece válida, seja na instituição bancária ou na parceira financeira responsável pela cobrança.
Estudos em andamento
O BC também destacou que já vinha acompanhando a aplicação da norma e avaliando possíveis aprimoramentos regulatórios. A autarquia informou ainda que o acompanhamento do tema é contínuo, com o objetivo de fortalecer a experiência e o bem-estar dos clientes do sistema financeiro.
Entretanto, não respondeu diretamente sobre o ofício enviado pela Febraban em 28 de julho.
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Impacto para consumidores e bancos
Risco maior para aposentados
O aumento das ações judiciais evidencia um ponto sensível: aposentados são as principais vítimas das cobranças indevidas. Muitos deles não dominam ferramentas digitais e só percebem o problema após meses de descontos em suas contas, o que agrava o impacto financeiro.
Dilema para as instituições
Os bancos, por sua vez, ficam em situação delicada. Mesmo sem poder verificar previamente a autorização, são cobrados judicialmente por clientes que não reconhecem os débitos. Essa realidade pressiona o setor a buscar ajustes regulatórios que devolvam segurança tanto para consumidores quanto para instituições financeiras.
O que esperar daqui para frente
Possível revisão regulatória
Ainda não há confirmação de que o Banco Central atenderá à solicitação da Febraban, mas o tema está em pauta. Como a quantidade de processos judiciais aumentou de forma expressiva, é provável que uma revisão seja considerada nos próximos meses.
Reforço de mecanismos de segurança
Enquanto a regulação não muda, os bancos devem intensificar mecanismos internos de controle, como monitoramento de cobranças suspeitas, canais de contestação simplificados e comunicação direta com clientes em caso de novos cadastros de débito automático.
Necessidade de transparência
Especialistas em direito do consumidor ressaltam que, independentemente de alterações na norma, é fundamental que haja maior transparência para o cliente. Isso inclui notificações claras sobre novas autorizações de débito e facilidade para o cancelamento imediato de cobranças não reconhecidas.
imagem: PopTika / shutterstock.com

