Fechamento de bancos em 36 cidades baianas obriga moradores a viajar para sacar dinheiro
População de 36 cidades baianas precisa viajar para sacar dinheiro após fechamento de bancos. Entenda a situação no interior do estado.
A rotina de centenas de moradores do interior da Bahia tem sido profundamente alterada pela redução no número de agências bancárias em suas cidades. Em pelo menos 36 municípios baianos, o encerramento das atividades de instituições financeiras está obrigando a população a viajar para outras cidades apenas para sacar dinheiro ou resolver serviços básicos.
Essa realidade afeta especialmente aposentados, pequenos comerciantes e agricultores, que agora enfrentam deslocamentos cansativos e altos custos para manter sua vida financeira em dia.
Leia mais: C6 Bank lidera entre bancos digitais; Itaú é destaque entre os tradicionais, confira ranking
Colapso no acesso bancário: como tudo começou

Até o ano de 2018, a cidade de Olindina, localizada no nordeste da Bahia e com cerca de 22 mil habitantes, contava com três opções formais para saque e serviços bancários: duas agências, Banco do Brasil e Bradesco, além de uma casa lotérica. Além dessas, alguns comerciantes locais ofereciam saques informais como “correspondentes bancários”.
No entanto, com o passar dos anos, essa estrutura desmoronou. O Banco do Brasil foi o primeiro a encerrar suas atividades na cidade, e agora, em 2025, a única agência restante, do Bradesco, também fechou as portas. O que era um problema crescente virou um colapso no acesso bancário.
Comércio local em risco
A ausência de bancos compromete diretamente o fluxo do comércio. Estabelecimentos estão enfrentando quedas nas vendas devido à limitação no acesso a dinheiro. Muitos comerciantes, que antes depositavam dinheiro diariamente para segurança e controle, agora precisam guardar valores em casa ou recorrer a viagens regulares para outras cidades.
Além do risco físico, há também perdas em produtividade e tempo. Pequenas lojas, mercados e até feiras livres registram menor circulação de clientes e enfrentam dificuldades para realizar pagamentos a fornecedores.
População idosa é a mais prejudicada
Os mais afetados pela ausência de bancos são os idosos e aposentados, especialmente os que recebem benefícios do INSS. Sem domínio sobre o uso de aplicativos ou acesso à internet, muitos dependem exclusivamente das agências físicas para resolver qualquer pendência financeira.
Agora, essas pessoas precisam gastar dinheiro com transporte para ir a cidades vizinhas, como Nova Soure ou Cícero Dantas, por exemplo, e enfrentam longas filas ao chegar aos poucos bancos ainda operantes.
Motivações dos bancos e a transição digital
Instituições financeiras alegam que o avanço dos canais digitais e a menor demanda por atendimento presencial justificam o fechamento de agências em regiões menos populosas. O Banco do Brasil e o Bradesco têm promovido reestruturações, priorizando o investimento em tecnologia e autosserviço.
Entretanto, essa transição não leva em conta as disparidades sociais e geográficas do Brasil, onde muitos cidadãos ainda dependem do atendimento físico. A ausência de políticas públicas voltadas à inclusão digital também agrava esse cenário.
Com informações de: Jornal Correio