A proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1 voltou a avançar no Congresso Nacional, mas os trabalhadores ainda não devem esperar uma mudança imediata nas regras.
Após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, ficou acertado que a proposta será tratada como uma das prioridades do Congresso nos próximos dias. O Senado confirmou que o fim da escala 6×1 está entre as matérias consideradas prioritárias.
O avanço mais próximo deve ocorrer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde a PEC 221/2019 está em tramitação.
O texto já passou pela Câmara dos Deputados e prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de repouso por semana, sem redução salarial.
Mesmo com a retomada da tramitação, a expectativa política é de que a votação definitiva no plenário do Senado possa ficar para depois das eleições de 2026.
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O que foi acertado sobre o fim da escala 6×1?

A retomada das negociações ocorreu após encontro realizado no Palácio da Alvorada entre Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta.
Entre as pautas discutidas estavam:
- fim da escala 6×1;
- PEC da Segurança Pública;
- medida provisória relacionada à chamada taxa das blusinhas;
- marco legal dos minerais críticos;
- propostas relacionadas a data centers.
O Senado confirmou oficialmente que a PEC do fim da escala 6×1 foi incluída entre as prioridades para os próximos dias.
Isso representa um avanço político importante, especialmente porque a proposta passou parte do ano aguardando encaminhamento dentro do Senado.
PEC deve ser analisada pela CCJ do Senado
A próxima etapa relevante ocorre na Comissão de Constituição e Justiça.
A PEC 221/2019 foi enviada para a CCJ do Senado, onde o senador Omar Aziz (PSD-AM) foi escolhido como relator.
O parecer apresentado pelo relator é favorável ao avanço da proposta e mantém, em linhas gerais, o texto aprovado anteriormente pela Câmara.
A previsão é que o relatório seja analisado durante o esforço concentrado do Senado no início de setembro.
Esse esforço concentrado ocorre porque boa parte dos parlamentares está envolvida nas campanhas eleitorais em seus estados.
Aprovação na CCJ acaba com a escala 6×1?
Não.
Esse é um dos pontos mais importantes para os trabalhadores.
Mesmo que a PEC seja aprovada pela CCJ, a escala 6×1 não acaba automaticamente.
A comissão analisa principalmente aspectos constitucionais, jurídicos e legislativos da proposta.
Depois disso, uma PEC ainda precisa passar pelo plenário do Senado.
Como se trata de uma alteração na Constituição Federal, o rito de aprovação é mais rigoroso do que o de um projeto de lei comum.
Quantos votos são necessários no Senado?
Uma Proposta de Emenda à Constituição precisa ser aprovada em dois turnos de votação.
No Senado, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada turno.
Se o texto aprovado pelo Senado for exatamente o mesmo que passou pela Câmara, a PEC poderá seguir para promulgação.
Caso os senadores façam alterações substanciais, a matéria poderá precisar voltar para análise dos deputados.
Por isso, mesmo uma aprovação na CCJ representa apenas mais uma etapa do processo.
Plenário pode ficar para depois das eleições
Apesar do avanço na comissão, diferentes sinais políticos indicam que a análise definitiva da PEC pode ocorrer somente após as eleições de 2026.
Davi Alcolumbre já havia sinalizado anteriormente que um tema de grande impacto econômico e trabalhista poderia exigir discussão mais aprofundada no Senado.
Representantes do setor produtivo também defenderam que a discussão ocorresse fora do período eleitoral, argumentando que uma mudança na jornada de trabalho precisa ser acompanhada de estudos sobre seus efeitos nas empresas e no emprego.
Em julho, parlamentares já discutiam a possibilidade de deixar a votação definitiva para depois das eleições.
Assim, o cenário mais provável neste momento é de avanço na CCJ, sem garantia de votação imediata no plenário.
Quando serão as eleições de 2026?
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro.
Caso seja necessário segundo turno, a votação ocorrerá no fim do mesmo mês.
Na prática, deixar a votação para depois das eleições significa que o Senado poderá retomar o tema entre o fim de outubro e os últimos meses do ano legislativo.
No entanto, ainda não existe uma data definitiva anunciada para a votação da PEC no plenário.
O que a proposta muda na jornada de trabalho?
Atualmente, a Constituição estabelece que a duração normal do trabalho não pode ser superior a oito horas diárias e 44 horas semanais, salvo situações específicas previstas em negociação.
A PEC em discussão reduz o limite semanal.
O texto aprovado pela Câmara estabelece uma transição para chegar a 40 horas semanais, sem redução de salário.
Também estabelece dois dias de descanso remunerado por semana.
Na prática, a intenção é substituir modelos como o 6×1, no qual o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um.
Escala 5×2 pode substituir a 6×1
Um dos principais efeitos da mudança seria ampliar a adoção da escala 5×2.
Nesse sistema, o trabalhador exerce suas atividades durante cinco dias e tem dois dias de descanso.
Isso não significa necessariamente que todos os trabalhadores passariam a descansar aos sábados e domingos.
Empresas que funcionam durante toda a semana poderiam continuar organizando escalas diferentes.
Um supermercado, hospital ou restaurante, por exemplo, poderia manter trabalhadores atuando aos sábados e domingos, desde que respeitasse os limites de jornada e descanso previstos na nova regra.
Salário poderá ser reduzido?
O texto debatido no Congresso prevê redução da jornada sem diminuição salarial.
Esse ponto é fundamental porque uma redução proporcional no salário poderia diminuir significativamente o efeito da mudança para os trabalhadores.
A proposta busca justamente preservar a remuneração enquanto reduz a quantidade máxima de horas trabalhadas na semana.
Ainda assim, os detalhes finais dependem do texto que efetivamente for aprovado pelo Senado.
Quem trabalha em escala 6×1 hoje?
A escala é comum principalmente em atividades que funcionam durante praticamente toda a semana.
Entre elas estão:
- supermercados;
- farmácias;
- bares e restaurantes;
- hotéis;
- comércio;
- serviços de atendimento;
- segurança;
- logística;
- parte das atividades industriais.
Nesse modelo, uma pessoa pode trabalhar durante seis dias e descansar no sétimo.
Os dias de descanso podem variar conforme a escala montada pela empresa.
Mudança não significa fechamento de comércio aos domingos
Uma dúvida comum é se o fim da escala 6×1 obrigaria estabelecimentos a fechar durante dois dias por semana.
Não necessariamente.
A mudança está relacionada principalmente à jornada dos trabalhadores, e não aos dias de funcionamento da empresa.
Um supermercado poderia continuar funcionando todos os dias, por exemplo.
Para isso, precisaria organizar seus funcionários em escalas diferentes, garantindo que cada empregado tivesse os períodos de descanso exigidos pela legislação.
É justamente essa reorganização que está no centro das preocupações apresentadas por parte dos empresários.
Empresas apontam preocupação com custos
Representantes do setor produtivo defendem uma transição cuidadosa para qualquer redução da jornada.
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O principal argumento envolve aumento de custos.
Uma empresa que atualmente utiliza funcionários em escala 6×1 poderia precisar contratar mais trabalhadores ou reorganizar turnos para continuar funcionando durante o mesmo período.
O impacto tende a variar muito conforme o setor.
Empresas de tecnologia e escritórios que já trabalham de segunda a sexta-feira podem sentir pouca diferença.
Já setores intensivos em mão de obra e com funcionamento aos finais de semana podem enfrentar adaptações maiores.
Trabalhadores defendem mais tempo de descanso
Do outro lado da discussão, sindicatos e movimentos favoráveis à proposta argumentam que dois dias de descanso podem melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Entre os pontos apresentados estão maior tempo para:
- convivência familiar;
- descanso físico;
- lazer;
- estudos;
- cuidados pessoais;
- atividades domésticas.
Defensores da redução da jornada também argumentam que ganhos de produtividade podem compensar parte da diminuição das horas trabalhadas.
Esse debate sobre produtividade e jornada já ocorre há anos em diferentes países.
Por que o tema ganhou força em 2026?
O fim da escala 6×1 ganhou grande repercussão política e social nos últimos anos.
O tema passou a mobilizar trabalhadores nas redes sociais, sindicatos, parlamentares e representantes empresariais.
Em 2026, a discussão avançou significativamente.
A Câmara aprovou a PEC em 27 de maio, encaminhando o texto ao Senado.
Depois de permanecer aguardando andamento, a proposta foi encaminhada para a CCJ do Senado em agosto.
A reunião entre Lula, Motta e Alcolumbre ajudou a colocar novamente a matéria entre as prioridades do Congresso.
O que ainda precisa acontecer?
Para quem acompanha a discussão, o caminho pode ser resumido em algumas etapas.
Primeiro, a CCJ do Senado precisa analisar o parecer sobre a PEC.
Se houver aprovação, o texto fica disponível para avançar na Casa.
Depois disso, será necessária a inclusão da proposta na pauta do plenário.
No plenário, são exigidos dois turnos de votação e pelo menos 49 votos favoráveis em cada um.
Caso o Senado aprove exatamente a redação enviada pela Câmara, a mudança poderá ser promulgada.
Se houver alterações, o texto pode precisar retornar à Câmara.
Trabalhador precisa fazer alguma coisa agora?
Não.
Enquanto a PEC não concluir sua tramitação e não for promulgada, as regras atuais continuam valendo normalmente.
Empresas não são obrigadas a abandonar a escala 6×1 apenas porque a proposta avançou no Congresso.
Da mesma forma, a aprovação na CCJ não altera contratos automaticamente.
Qualquer mudança prática dependerá da aprovação definitiva e das regras de transição estabelecidas pelo texto final.
Fim da escala 6×1 ainda não tem data para começar

Apesar do novo acordo político, ainda é cedo para determinar quando — ou mesmo se — a nova jornada começará efetivamente a valer.
A proposta avançou bastante em 2026: foi aprovada pela Câmara, chegou ao Senado e agora está na CCJ.
Porém, o passo mais difícil continua sendo a votação no plenário do Senado.
O acordo entre Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre aumenta as chances de avanço da matéria, mas não elimina as resistências políticas e econômicas.
Para os trabalhadores, portanto, a principal conclusão é simples: a discussão do fim da escala 6×1 avançou, mas ainda não existe mudança imediata na jornada.
Se o plenário realmente ficar para depois das eleições, o futuro da PEC deverá ser decidido apenas na reta final de 2026.



