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Desemprego no Brasil e Jackson Hole estão entre os destaques econômicos desta quinta

Desemprego no Brasil cai a 5,3%, enquanto Jackson Hole e dados dos EUA entram no radar dos investidores nesta quinta-feira.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··10 min de leitura
desemprego

A quinta-feira, 27 de agosto, reúne uma série de indicadores e eventos capazes de mexer com o mercado financeiro no Brasil e no exterior. Entre os destaques estão a nova taxa de desemprego brasileira, o início do simpósio de Jackson Hole, dados econômicos dos Estados Unidos e números fiscais do governo federal.

No Brasil, a principal novidade veio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A taxa de desocupação caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado ficou abaixo dos 5,8% registrados no trimestre terminado em abril.

Ao mesmo tempo, investidores internacionais acompanham o início do simpósio anual de política econômica em Jackson Hole, nos Estados Unidos. A atenção está concentrada especialmente no discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, marcado para sexta-feira, 28 de agosto. O calendário oficial do Fed confirma a participação do dirigente no evento.

O conjunto de dados pode influenciar o comportamento do Ibovespa, do dólar e dos juros futuros, principalmente diante das dúvidas sobre os próximos passos dos bancos centrais.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O mercado de trabalho brasileiro voltou a apresentar números fortes.

Segundo a PNAD Contínua, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026. O resultado representa queda de 0,5 ponto percentual em comparação com o trimestre encerrado em abril, quando o indicador estava em 5,8%.

Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a taxa era de 5,6%, também houve recuo.

O contingente de desempregados chegou a aproximadamente 5,8 milhões de pessoas, redução de cerca de 503 mil pessoas frente ao trimestre anterior.

Ao mesmo tempo, o número de brasileiros ocupados atingiu 103,3 milhões, o maior patamar da série histórica da pesquisa.

O dado reforça a percepção de que o mercado de trabalho segue relativamente resistente, mesmo em um ambiente de juros elevados.

Por que o desemprego importa para os investidores?

A taxa de desemprego não é acompanhada apenas por quem procura trabalho.

Para o mercado financeiro, o indicador ajuda a medir o ritmo da economia e pode influenciar as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.

Um mercado de trabalho muito aquecido tende a sustentar o consumo das famílias e os salários. Isso é positivo para a atividade econômica, mas também pode dificultar a desaceleração da inflação em determinados setores.

Por outro lado, uma deterioração rápida do emprego pode sinalizar perda de força da economia e aumentar a possibilidade de cortes de juros.

Por isso, investidores costumam analisar a PNAD em conjunto com inflação, atividade econômica, salários e dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged.

Jackson Hole começa com atenção sobre os juros dos EUA

No cenário internacional, o grande evento da semana é o simpósio de política econômica de Jackson Hole, realizado no estado norte-americano de Wyoming.

O encontro reúne dirigentes de bancos centrais, economistas, representantes do mercado e autoridades para discutir os principais desafios da economia global.

Apesar de o evento começar nesta quinta-feira, o momento mais aguardado pelo mercado está previsto para sexta-feira.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, fará um discurso durante o simpósio em 28 de agosto. A participação aparece no calendário oficial do banco central norte-americano.

A fala será acompanhada de perto em busca de pistas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.

O que o mercado espera ouvir de Kevin Warsh?

Investidores querem principalmente entender como o Fed avalia inflação, crescimento econômico e mercado de trabalho.

Outro ponto importante é o comportamento dos títulos públicos norte-americanos, os chamados Treasuries.

Quando os rendimentos desses papéis sobem, as condições financeiras ficam mais apertadas, já que aumenta o custo de financiamento e os títulos dos EUA se tornam mais atraentes para investidores globais.

Isso pode diminuir o fluxo de recursos para países emergentes, incluindo o Brasil.

Por esse motivo, qualquer sinal de que o Fed pretende manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo pode provocar alta do dólar e pressão sobre bolsas internacionais.

Já uma sinalização favorável à redução dos juros pode melhorar o apetite por ativos de maior risco.

Dados dos Estados Unidos também entram no radar

Além de Jackson Hole, a agenda norte-americana inclui indicadores importantes.

Entre eles estão dados do comércio exterior e os pedidos semanais de auxílio-desemprego.

Esses números ajudam investidores a avaliar a saúde da maior economia do mundo.

Os pedidos de seguro-desemprego são acompanhados principalmente como um termômetro de curto prazo do mercado de trabalho.

Uma elevação consistente desses pedidos pode indicar aumento das demissões. Já números baixos costumam reforçar a percepção de um mercado de trabalho ainda forte.

A combinação entre emprego, inflação e consumo é fundamental para as decisões do Federal Reserve.

Contas externas brasileiras também chamam atenção

Outra divulgação importante desta quinta-feira envolve o setor externo brasileiro.

O Banco Central divulgou os números das transações do Brasil com o restante do mundo referentes a julho.

O déficit em transações correntes chegou a aproximadamente US$ 8,1 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira.

O resultado merece atenção porque mostra a diferença entre os recursos que entram e saem do país por meio de comércio, serviços, rendas e transferências.

Apesar do déficit, a entrada de investimento direto no país continua sendo um dos principais elementos observados por economistas para avaliar a capacidade de financiamento das contas externas.

Governo Central registra superávit em julho

As contas públicas também ganharam espaço na agenda.

O Governo Central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho de 2026, segundo o Tesouro Nacional. No mesmo mês de 2025, havia sido registrado déficit de R$ 59,1 bilhões.

Segundo o Tesouro, houve crescimento real da receita líquida e queda expressiva das despesas na comparação anual.

O resultado primário mostra a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública.

Esse indicador é acompanhado de perto pelo mercado porque ajuda a medir a trajetória das contas públicas e o cumprimento das metas fiscais.

Dívida Pública Federal passa de R$ 9,29 trilhões

Outro dado fiscal relevante divulgado nesta semana mostrou que a Dívida Pública Federal atingiu R$ 9,298 trilhões em julho.

O volume representa alta de 0,22% em relação aos R$ 9,27 trilhões registrados em junho.

Segundo o Ministério da Fazenda, houve resgate líquido de R$ 65,14 bilhões no período, enquanto a apropriação de juros adicionou aproximadamente R$ 85,53 bilhões ao estoque.

A evolução da dívida é importante porque influencia a percepção de risco fiscal do país e, consequentemente, as taxas cobradas por investidores para financiar o governo.

Vale avalia recuperação de terras raras em rejeitos

No ambiente corporativo, a Vale também aparece entre os destaques.

A mineradora estuda a possibilidade de recuperar terras raras, ouro e outros minerais presentes em rejeitos de mineração.

A iniciativa faz parte de uma estratégia de maior aproveitamento dos resíduos gerados nas operações.

A companhia já reaproveita rejeitos para produção de minério de ferro e avalia agora se outros materiais presentes nesses depósitos podem ser explorados economicamente.

O interesse ganha relevância diante do aumento da demanda internacional por minerais considerados estratégicos para setores como veículos elétricos, baterias, eletrônicos e energia renovável.

Banco do Brasil inicia renegociação de dívidas rurais

O Banco do Brasil também está no radar dos investidores após iniciar renegociações dentro do programa federal voltado à reestruturação de dívidas do setor rural.

Segundo informações divulgadas pela instituição, aproximadamente 113 mil clientes podem possuir operações elegíveis, representando um volume potencial de até R$ 100 bilhões.

A iniciativa ocorre após o banco enfrentar aumento da inadimplência no agronegócio.

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No segundo trimestre, a inadimplência acima de 90 dias do segmento rural chegou a 6,27%, contra 3,16% um ano antes.

A renegociação pode contribuir para reduzir provisões e melhorar a qualidade da carteira de crédito nos próximos trimestres.

Mercado acompanha cenário político brasileiro

Além dos dados econômicos, o ambiente político continua influenciando os investidores.

Com a aproximação do calendário eleitoral de 2026, pesquisas regionais e entrevistas com candidatos ganham espaço na avaliação do mercado.

Investidores costumam acompanhar especialmente propostas relacionadas à política fiscal, gastos públicos, reformas econômicas, tributação e relacionamento do Brasil com outros países.

A volatilidade tende a aumentar quando pesquisas eleitorais indicam mudanças relevantes nas expectativas sobre o cenário político.

Ibovespa vinha de sequência de altas

Na quarta-feira, 26 de agosto, o Ibovespa encerrou o pregão praticamente estável.

O principal índice da Bolsa brasileira fechou aos 174.586,26 pontos, avanço de apenas 0,01%.

Apesar da pequena variação, o resultado representou o sexto fechamento consecutivo no campo positivo.

Durante o pregão, o índice chegou a superar 176 mil pontos, mas perdeu força ao longo da sessão.

O comportamento mostra que investidores continuam avaliando com cautela a combinação entre cenário fiscal brasileiro, política monetária internacional e eleições.

O que pode mexer com o dólar e a Bolsa agora?

Nas próximas sessões, alguns fatores devem continuar direcionando o mercado.

O primeiro é a reação aos números do mercado de trabalho brasileiro.

Um mercado de trabalho forte pode reforçar a expectativa de que o Banco Central tenha menos espaço para reduzir rapidamente os juros.

Outro ponto será o discurso do presidente do Federal Reserve em Jackson Hole.

Caso Kevin Warsh sinalize juros elevados por mais tempo, o dólar pode ganhar força globalmente e ativos de países emergentes podem sofrer pressão.

Se o discurso indicar maior abertura para flexibilização monetária, o movimento pode ocorrer no sentido contrário.

Sexta-feira terá novos indicadores importantes

A agenda continuará movimentada na sexta-feira, 28 de agosto.

Além do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole, investidores brasileiros devem acompanhar novos indicadores econômicos.

Entre eles estará o Caged, que mede a criação de empregos formais no país.

O indicador complementa os dados da PNAD porque mostra especificamente a movimentação de vagas com carteira assinada.

Também entram no radar indicadores de inflação e novos dados internacionais.

Por isso, o comportamento dos mercados nesta quinta-feira pode servir apenas como preparação para uma sexta-feira ainda mais importante.

Desemprego e Jackson Hole dominam atenção dos investidores

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A combinação de dados domésticos e eventos internacionais torna esta semana especialmente relevante para quem acompanha o mercado financeiro.

No Brasil, a queda do desemprego para 5,3% e o recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas reforçam a força do mercado de trabalho.

Nas contas públicas, o superávit de R$ 10,8 bilhões do Governo Central em julho oferece outro elemento para a avaliação do cenário fiscal.

No exterior, porém, as atenções permanecem concentradas em Jackson Hole.

O discurso de Kevin Warsh na sexta-feira poderá ajudar a definir as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve e, consequentemente, influenciar dólar, juros, commodities e bolsas em diversos países.

Para o investidor brasileiro, será uma combinação de fatores domésticos e internacionais que pode determinar o tom dos mercados nos próximos dias.

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