Um estudo recente conduzido pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação, em parceria com a farmacêutica EMS, revela um importante resultado.
Fim da extensão de patentes reduz em 20% o valor de remédios oncológicos, aponta estudo
Estudo mostra que fim da extensão automática de patentes reduziu 20% dos preços de remédios oncológicos, beneficiando acesso e concorrência.
A extinção da extensão automática da vigência das patentes no Brasil provocou uma queda média de 20% nos preços mínimos regulados de remédios oncológicos de alto custo.
A decisão, tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, representou um marco regulatório, que vem fomentando maior concorrência e diminuindo a duração dos monopólios farmacêuticos no país.
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O estudo e seus principais resultados

Contexto da decisão do STF
A extinção da extensão automática das patentes foi resultado da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5529, julgada pelo STF.
Essa ação questionou a validade do prolongamento automático da vigência das patentes, prática comum até então para compensar atrasos nos processos do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
Com a decisão, a exclusividade conferida pelas patentes passou a ter duração estritamente limitada, permitindo que concorrentes entrem mais cedo no mercado.
Metodologia do estudo
O levantamento, intitulado O Impacto da Concorrência: evidências do fim da extensão automática das patentes pelo STF, foi apresentado no Fórum Esfera EMS em Brasília, no dia 6 de agosto de 2025.
Cristiano Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), liderou a pesquisa com base em dados da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
O estudo utilizou um modelo econométrico para avaliar o impacto da entrada antecipada de concorrentes nos preços regulados de medicamentos oncológicos.
Resultados principais
O estudo constatou que, após o fim da extensão automática, os preços regulados desses medicamentos tiveram uma redução média gradual de 20%, atribuída principalmente ao aumento da concorrência no setor, mais do que à regulação isolada dos preços-teto.
Concorrência como motor da redução de preços
O papel da competição no mercado farmacêutico
A análise ressalta que a presença de mais empresas concorrentes no mercado é o fator determinante para a queda dos preços, superando o impacto exclusivo das regras regulatórias.
Ao reduzir o monopólio prolongado, a decisão do STF quebrou barreiras que mantinham preços elevados e dificultavam o acesso a tratamentos essenciais.
Barreira criada por prorrogações de patentes
Embora a proteção de patentes seja fundamental para estimular investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o estudo alerta para os efeitos negativos de prazos excessivos ou extensões automáticas.
Essas práticas criam barreiras artificiais à entrada de novos competidores e prejudicam o acesso a medicamentos, especialmente em países com menor capacidade econômica, como o Brasil.
Impactos para o Sistema Único de Saúde (SUS)
Redução de custos e ampliação do acesso
A decisão do STF tem um impacto direto na redução dos custos para o SUS, que é o principal comprador de medicamentos oncológicos no Brasil.
Com preços mais baixos, o sistema público de saúde consegue ampliar o acesso a tratamentos eficazes para pacientes com câncer, além de melhorar a gestão orçamentária.
Aumento da previsibilidade regulatória
Ao eliminar a extensão automática, a decisão também trouxe maior segurança jurídica e previsibilidade para o mercado, aspectos fundamentais para o planejamento das políticas públicas e para a indústria farmacêutica.
Desafios jurídicos e regulatórios ainda presentes
Insegurança jurídica por prorrogações judiciais
Apesar dos avanços, o estudo destaca que o ambiente regulatório ainda enfrenta desafios.
Empresas titulares de patentes têm recorrido ao Judiciário para solicitar prorrogações pontuais das exclusividades, substituindo a análise administrativa do INPI por decisões judiciais que dificultam a uniformidade e previsibilidade das regras.
Recomendações para o poder público
Para mitigar esses desafios, o Instituto Esfera e a EMS sugerem que o Judiciário leve em conta os impactos econômicos e sociais das prorrogações nas decisões.
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Além disso, recomendam que Executivo e Legislativo trabalhem para acelerar os processos administrativos no INPI e reduzir o número de litígios relacionados a patentes.
Perspectivas para o mercado farmacêutico brasileiro
Custo de oportunidade das prorrogações de monopólio
Fernando Meneguin, diretor acadêmico do Instituto Esfera, afirma que o estudo evidencia o custo de oportunidade gerado pela prorrogação excessiva dos monopólios farmacêuticos, que afeta o bem-estar social ao manter preços elevados e restringir a oferta de medicamentos acessíveis.
Estímulo à inovação e saúde pública
Ao garantir maior previsibilidade e fomentar a concorrência, a decisão fortalece o equilíbrio entre o incentivo à inovação e o direito à saúde, promovendo um mercado farmacêutico mais dinâmico e justo para pacientes, indústrias e governo.
Posicionamento da EMS e impactos para a indústria

Compromisso com regulação moderna e competitiva
O diretor executivo jurídico da EMS, Gustavo Svensson, reforçou o compromisso da empresa com um ambiente regulatório transparente e competitivo.
Para ele, o fim da extensão automática representa mais do que uma correção jurídica — simboliza a consolidação de um cenário que estimula o desenvolvimento científico, a concorrência saudável e a ampliação do acesso da população a medicamentos de qualidade.
Transformação de políticas públicas em benefícios sociais
“Para a EMS, inovar é também transformar políticas públicas em benefício da saúde coletiva”, afirmou Svensson, destacando o papel da indústria na promoção de avanços na medicina e na qualidade de vida da população.
Considerações finais
A extinção da extensão automática da vigência das patentes, determinada pelo STF, provocou uma redução significativa nos preços regulados dos medicamentos oncológicos, estimada em 20%.
Esse avanço contribui para ampliar o acesso a tratamentos essenciais no Brasil, favorecendo o Sistema Único de Saúde e promovendo um ambiente competitivo que estimula a inovação responsável.
Entretanto, o cenário ainda requer aperfeiçoamentos regulatórios e jurídicos para consolidar os ganhos e garantir segurança e previsibilidade para todos os agentes envolvidos.
O diálogo entre governo, indústria e sociedade civil será fundamental para construir políticas que promovam equilíbrio entre inovação tecnológica, saúde pública e desenvolvimento econômico sustentável.
A pesquisa do Instituto Esfera e da EMS reforça que políticas inteligentes e decisões judiciais alinhadas ao interesse social podem gerar impactos positivos expressivos, tornando medicamentos oncológicos mais acessíveis e melhorando a qualidade de vida de milhões de brasileiros.
