O comércio internacional sofreu um duro golpe após os Estados Unidos encerrarem a chamada isenção de minimis, que permitia a entrada de pacotes de baixo valor sem cobrança alfandegária.
Fim da isenção de pacotes baratos nos EUA derruba envios internacionais em 80%
Após o fim da isenção de pacotes nos EUA, envios internacionais caem 80%. Entenda impacto da medida no comércio global.
A decisão do governo de Donald Trump, em vigor desde 29 de agosto, provocou queda imediata de mais de 80% no volume de encomendas internacionais destinadas ao país, segundo a União Postal Universal (UPU), órgão da ONU que coordena os sistemas postais em 192 países.
Leia mais: Apple Music facilita migração de playlists do Spotify
O que mudou com o fim da isenção

Até agosto, compras no exterior de até US$ 800 (cerca de R$ 4,3 mil) podiam entrar nos EUA sem inspeção alfandegária ou impostos. Essa política facilitava o comércio eletrônico e era amplamente usada por consumidores que compravam pequenos pacotes no exterior.
Agora, cada remessa precisa ser avaliada e taxada pela alfândega americana (U.S. Customs and Border Protection). Transportadoras aéreas e operadores logísticos ficaram responsáveis por calcular, recolher e repassar os tributos. Dependendo do país de origem, a tarifa pode variar de 10% a 50% do valor da mercadoria.
Impacto imediato: queda drástica e suspensões
Os efeitos foram instantâneos. Dados da UPU revelam que as trocas de informações entre correios nacionais registraram queda de 81% nos envios em apenas um dia após a medida.
Além disso, ao menos 88 operadores postais suspenderam parcial ou totalmente os envios para os EUA, alegando falta de estrutura técnica para recolher e transferir os tributos. Algumas companhias aéreas também informaram que não têm condições de assumir essa responsabilidade, gerando ainda mais incerteza para consumidores e lojistas internacionais.
Justificativa do governo Trump
Segundo Donald Trump, a isenção funcionava como uma “brecha” que beneficiava empresas estrangeiras, prejudicando a indústria americana, além de abrir espaço para o tráfico de drogas por meio de pequenos pacotes.
A regra, vigente desde 1938, foi acusada pelo governo de se tornar obsoleta diante do avanço do e-commerce global.
A medida tem paralelos com a chamada “taxa das blusinhas”, adotada no Brasil em 2023, que passou a cobrar 60% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, antes isentas.
O que ainda é permitido entrar sem taxação
Apesar do fim da isenção para compras, algumas exceções permanecem válidas:
- Presentes de até US$ 100 (R$ 540) enviados por familiares ou amigos podem ser recebidos sem cobrança.
- Viajantes podem trazer dos EUA lembranças pessoais de até US$ 200 (R$ 1 mil) sem imposto.
Reação internacional e críticas
A União Postal Universal enviou carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertando para os riscos da decisão. A agência afirmou que os países não tiveram tempo suficiente para ajustar seus sistemas, classificando a medida como uma “grande disrupção operacional”.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Segundo a entidade, a suspensão dos serviços pode prejudicar não apenas consumidores e empresas, mas também pequenas remessas pessoais — como documentos, presentes e produtos de baixo valor.
Consequências para consumidores e lojistas
A nova política americana já gera consequências significativas:
- Consumidores enfrentam atrasos, maiores custos e incertezas nas compras internacionais.
- Pequenos lojistas de outros países, que dependiam das vendas para os EUA, estão entre os mais prejudicados.
- Companhias aéreas e transportadoras buscam alternativas para adaptar sistemas de cobrança, mas muitas ainda estão paralisadas.
Especialistas apontam que a medida pode estimular a desaceleração do comércio eletrônico global, afetando especialmente os mercados emergentes que dependem de exportações de baixo valor.
O que esperar daqui para frente

Ainda não há previsão de flexibilização por parte do governo americano. A tendência, segundo analistas, é que o comércio internacional se reorganize, com aumento nos custos de logística e possível redirecionamento de rotas de exportação.
Enquanto isso, consumidores devem se preparar para um cenário de compras internacionais mais caras e restritas, especialmente em sites estrangeiros que enviam diretamente para os EUA.
Com informações de: g1
