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Naskar não consta na CVM; entenda o que isso significa para investidores

CVM confirma que fintech Naskar não tinha registro para operar. Caso envolve clientes sem acesso a investimentos e pressão por regulação.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Naskar não consta na CVM; entenda o que isso significa para investidores

A crise envolvendo a fintech Naskar Gestão de Ativos ganhou um novo capítulo após o posicionamento oficial da Comissão de Valores Mobiliários. O órgão regulador informou que a empresa não possuía autorização para atuar nos mercados supervisionados pela autarquia, aumentando a preocupação de milhares de investidores que relatam dificuldades para acessar seus recursos.

O caso veio à tona depois que clientes passaram a denunciar atrasos nos pagamentos prometidos pela empresa e a indisponibilidade do aplicativo usado para acompanhar os investimentos. A situação gerou insegurança entre investidores e reacendeu o debate sobre a fiscalização de fintechs no Brasil.

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CVM afirma que Naskar não tinha registro

Em comunicado divulgado na segunda-feira (11), a CVM esclareceu que a Naskar não possuía registro para operar no mercado regulado pela autarquia. O órgão destacou ainda que acompanha movimentações suspeitas relacionadas ao mercado de capitais e pode adotar medidas administrativas quando identifica possíveis irregularidades.

A comissão também reforçou que investidores podem verificar se empresas financeiras possuem autorização para atuar por meio do Cadastro Geral de Regulados da própria CVM. A ferramenta é pública e permite consultar instituições, administradores de carteira, corretoras e demais participantes do sistema financeiro supervisionado.

Na prática, a ausência de registro não significa automaticamente que houve crime financeiro, mas representa um forte sinal de alerta para investidores, principalmente quando a empresa promete retornos elevados e constantes.

Promessa de rendimento acima do mercado chamou atenção

Segundo relatos de clientes, a Naskar oferecia rendimento mensal de cerca de 2% ao mês, percentual considerado elevado em comparação aos investimentos tradicionais disponíveis no mercado brasileiro.

Para efeito de comparação, aplicações conservadoras, como CDBs, Tesouro Selic e fundos DI, normalmente acompanham a taxa básica de juros. Mesmo em cenários de juros altos no Brasil, retornos fixos mensais acima da média do mercado costumam despertar atenção de especialistas em investimentos.

Em um dos exemplos relatados por investidores, uma aplicação de R$ 1 milhão poderia gerar cerca de R$ 20 mil mensais em rendimentos pagos pela empresa.

O problema começou quando os pagamentos previstos para o início de maio deixaram de ser realizados. Poucos dias depois, investidores relataram que o aplicativo da fintech saiu do ar.

Cerca de 3 mil clientes relatam dificuldades

De acordo com informações divulgadas sobre o caso, a Naskar administraria aproximadamente R$ 900 milhões pertencentes a cerca de 3 mil clientes.

Após a interrupção dos pagamentos, investidores tentaram contato com os responsáveis pela empresa, mas afirmam não ter obtido retorno imediato. Entre os sócios citados estão Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu.

Além das dificuldades de comunicação, clientes também relataram preocupação após a interrupção do funcionamento do aplicativo utilizado para acompanhamento dos investimentos.

A fintech chegou a manter operações no Distrito Federal e posteriormente em São Paulo, mas investidores afirmam que houve mudança de endereço sem aviso prévio.

Sindicato cobra regras mais rígidas para fintechs

O caso também provocou reação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, que defendeu maior rigor na regulamentação das fintechs e instituições financeiras digitais.

A presidente da entidade, Neiva Ribeiro, afirmou que episódios recentes mostram fragilidades no sistema de fiscalização dessas empresas.

Segundo o sindicato, a ausência de controles mais rígidos pode aumentar riscos para consumidores e facilitar operações financeiras suspeitas, como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

O crescimento acelerado das fintechs nos últimos anos ampliou o acesso da população a serviços financeiros digitais, mas também aumentou o debate sobre supervisão e proteção ao investidor.

O que é uma fintech e por que o setor cresceu tanto

As fintechs são empresas que oferecem serviços financeiros com forte uso de tecnologia. Elas atuam em áreas como pagamentos, crédito, investimentos, contas digitais e transferências financeiras.

Nos últimos anos, o setor ganhou espaço no Brasil graças à praticidade, menores taxas e processos menos burocráticos em comparação aos bancos tradicionais.

Hoje, o país possui centenas de fintechs em operação, incluindo empresas autorizadas pelo Banco Central do Brasil e pela CVM.

No entanto, especialistas alertam que investidores devem verificar cuidadosamente a regularização da empresa antes de transferir recursos, especialmente em investimentos que prometem ganhos muito acima da média do mercado.

Aplicativo da Naskar foi desativado após rescisão contratual

Outro ponto importante do caso envolve o aplicativo utilizado pelos clientes da fintech.

A empresa Alphacode Tecnologia da Informação, responsável pelo desenvolvimento do app, informou que encerrou unilateralmente o contrato com a Naskar após ausência de comunicação por parte da fintech.

Segundo a companhia de tecnologia, a própria Naskar tinha autonomia total para ativar ou desativar o sistema. A Alphacode também ressaltou que atuava apenas como fornecedora de serviços tecnológicos, sem participação nas operações financeiras oferecidas aos clientes.

O site da Naskar continuava disponível mesmo após o aplicativo sair do ar.

Polícia registra ocorrências relacionadas ao caso

A crise também chegou às autoridades policiais. A Polícia Civil do Distrito Federal registrou dezenas de boletins de ocorrência relacionados ao caso.

Os registros foram feitos por investidores que alegam dificuldades para acessar informações e recuperar recursos aplicados na empresa.

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Até o momento, as apurações seguem em andamento e podem envolver diferentes frentes de investigação, incluindo análise financeira e possível atuação irregular no mercado de capitais.

Como investidores podem evitar golpes financeiros

O episódio envolvendo a Naskar reforça cuidados básicos que especialistas recomendam antes de investir dinheiro em qualquer instituição financeira.

Verifique se a empresa possui autorização

Antes de investir, é fundamental consultar se a empresa possui autorização do Banco Central, da CVM ou de outros órgãos reguladores competentes.

A consulta pode ser feita gratuitamente nos canais oficiais das autarquias.

Desconfie de rentabilidade muito alta

Promessas de lucro elevado e constante, principalmente sem explicações claras sobre riscos e estratégias, merecem atenção redobrada.

No mercado financeiro, retornos maiores normalmente estão associados a riscos maiores.

Pesquise histórico e reputação

Buscar informações sobre a empresa, sócios, reclamações e processos judiciais pode ajudar a identificar sinais de alerta antes da aplicação financeira.

Leia contratos e termos de investimento

Muitos investidores acabam aderindo a aplicações sem compreender exatamente como o dinheiro será administrado. Ler contratos e exigir transparência é essencial.

Naskar diz que iniciou contato com investidores

Em comunicado enviado aos clientes, a Naskar informou que iniciou um processo de contato com investidores por meio de e-mails de “circularização”.

Segundo a empresa, os clientes devem encaminhar documentos para análise individual das situações apresentadas.

A fintech também orientou investidores que não receberam comunicação a entrar em contato por endereço eletrônico disponibilizado pela companhia.

Enquanto isso, milhares de clientes seguem aguardando esclarecimentos sobre os recursos aplicados e o futuro das operações da empresa.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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