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Dólar avança a R$ 5,147 enquanto Bolsa recua com alta do petróleo e juros no radar

O dólar voltou a ganhar força diante do real, enquanto a Bolsa brasileira encerrou o pregão em queda. Por trás desse movimento estão duas preocupações que afetam praticamente toda a economia: a disparada do petróleo e as próximas decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, 14 de setembro, a moeda norte-americana […]

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 13 min de leitura
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O dólar voltou a ganhar força diante do real, enquanto a Bolsa brasileira encerrou o pregão em queda. Por trás desse movimento estão duas preocupações que afetam praticamente toda a economia: a disparada do petróleo e as próximas decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira, 14 de setembro, a moeda norte-americana avançou e terminou negociada em torno de R$ 5,147. Já o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,91%, aos 185.500 pontos, interrompendo parte do movimento positivo observado nas semanas anteriores.

Embora essas oscilações possam parecer restritas a investidores, seus efeitos chegam ao cotidiano. Um dólar mais caro pode pressionar preços de alimentos, combustíveis, eletrônicos e viagens, enquanto os juros influenciam financiamentos, empréstimos, investimentos e o ritmo de geração de empregos.

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Por que o dólar subiu e a Bolsa caiu?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O mercado financeiro reagiu a uma combinação de incertezas internacionais e domésticas. A principal delas veio do petróleo, que voltou a superar a marca de US$ 100 por barril diante dos riscos de interrupção no abastecimento mundial.

O contrato futuro do petróleo Brent, usado como referência internacional, chegou a ser negociado a US$ 105,68. As tensões no Oriente Médio e as dificuldades nas negociações relacionadas à navegação pelo Estreito de Hormuz aumentaram o temor de que parte da oferta global seja comprometida.

O Estreito de Hormuz é uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Uma parcela relevante do petróleo consumido no mundo passa por essa região. Qualquer ameaça à circulação de navios pode provocar uma rápida elevação das cotações.

Quando esse risco aumenta, investidores costumam procurar ativos considerados mais seguros, principalmente o dólar e os títulos do governo dos Estados Unidos. Esse movimento reduz a procura por moedas de países emergentes, como o real, e ajuda a explicar a valorização da moeda norte-americana.

Como o petróleo caro afeta o dólar e a economia brasileira?

A alta do petróleo produz efeitos diferentes no Brasil. Por um lado, pode beneficiar empresas exportadoras e companhias do setor, como a Petrobras. Por outro, aumenta o risco de inflação e encarece diversas etapas da produção.

O petróleo não é usado apenas na fabricação de gasolina e diesel. Ele também está presente em plásticos, produtos químicos, embalagens, fertilizantes e materiais empregados por diferentes indústrias.

O diesel merece atenção especial porque é utilizado no transporte da maior parte das mercadorias no Brasil. Quando o combustível fica mais caro, transportar alimentos, medicamentos e produtos industrializados também pode custar mais.

Isso não significa que uma alta do petróleo internacional será repassada imediatamente aos postos. Os preços dos combustíveis dependem de fatores como política comercial das distribuidoras, cotação do dólar, impostos, mistura de biocombustíveis, logística e margem de revendedores.

Mesmo assim, petróleo e dólar subindo ao mesmo tempo aumentam a pressão potencial. Como o barril é negociado internacionalmente em moeda norte-americana, a valorização do dólar deixa a matéria-prima ainda mais cara quando o preço é convertido para reais.

Expectativa por juros aumentou a cautela

Além do petróleo, investidores aguardam as decisões do Comitê de Política Monetária, o Copom, no Brasil, e do Federal Reserve, o Fed, nos Estados Unidos.

A divulgação das duas decisões na mesma data é conhecida no mercado como “super quarta-feira”. A expressão não representa uma medida oficial, mas é utilizada quando os bancos centrais das duas economias anunciam suas taxas de referência em um mesmo dia.

No Brasil, a Selic estava em 14% ao ano depois de o Banco Central ter reduzido a taxa nas reuniões anteriores. O mercado discutia a possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, mas a alta do petróleo poderia limitar a continuidade desse movimento.

Nos Estados Unidos, a preocupação era diferente. Indicadores de emprego ainda fortes e uma alta de 0,4% nos preços ao produtor em agosto reforçaram a possibilidade de aperto monetário. O Fed havia mantido sua taxa na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano nas cinco reuniões anteriores.

Até a publicação das decisões, qualquer mudança continua sendo apenas uma expectativa. Caberá aos comunicados do Banco Central e do Federal Reserve confirmar não apenas as novas taxas, mas também quais poderão ser os próximos passos.

Por que os juros dos Estados Unidos afetam o dólar no Brasil?

Os títulos públicos norte-americanos são considerados investimentos de baixo risco. Quando os juros nos Estados Unidos aumentam, esses papéis passam a oferecer uma remuneração maior.

Nesse cenário, parte dos investidores pode retirar recursos de países emergentes para aplicar no mercado norte-americano. A saída de capital reduz a quantidade de dólares disponível no Brasil e pode elevar a cotação da moeda.

Imagine um investidor internacional que precisa escolher entre um título dos Estados Unidos e um investimento brasileiro. Para aceitar o risco maior do Brasil, ele espera receber uma remuneração adicional.

Se os juros norte-americanos sobem, essa diferença diminui. O investidor pode concluir que não vale mais a pena assumir o risco cambial, político e econômico de manter dinheiro em um mercado emergente.

Por isso, uma eventual elevação dos juros pelo Fed tende a pressionar moedas como o real, embora o resultado dependa de outros fatores, como a situação fiscal brasileira, o preço das commodities e o próprio nível da Selic.

E o que pode acontecer com a Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve como referência para operações financeiras, influencia o custo do crédito e ajuda o Banco Central a controlar a inflação.

Juros elevados tendem a desestimular o consumo e os investimentos financiados. Com uma procura menor por bens e serviços, empresas encontram mais dificuldade para aumentar preços, o que ajuda a conter a inflação.

Por outro lado, juros altos deixam empréstimos, financiamentos e parcelamentos mais caros. Também podem desacelerar a atividade econômica e dificultar a geração de empregos.

O desafio do Copom é avaliar se existe espaço para reduzir a Selic sem provocar uma nova pressão sobre os preços. O Banco Central havia cortado a taxa para 14% ao ano em agosto, conforme o histórico de comunicados da instituição.

A disparada do petróleo torna essa decisão mais delicada porque pode atingir combustíveis, fretes e custos industriais. Um dólar mais alto também aumenta o preço em reais de produtos importados.

Se o Copom reduzir a Selic, mas adotar um comunicado cauteloso, o mercado poderá interpretar que os próximos cortes serão mais lentos ou até interrompidos. Portanto, o texto divulgado depois da reunião pode ser tão importante quanto a decisão numérica.

Por que o Ibovespa caiu mesmo com o petróleo em alta?

O avanço do petróleo costuma favorecer ações de empresas ligadas à commodity. Contudo, o Ibovespa reúne companhias de vários setores, e nem todas se beneficiam do barril mais caro.

Empresas de transporte, varejo, construção, indústria e consumo podem enfrentar custos maiores. Além disso, a expectativa de juros elevados reduz o valor atribuído pelo mercado aos lucros que essas companhias poderão obter no futuro.

Outro fator foi a realização de lucros. O Ibovespa acumulava uma valorização de aproximadamente 12,5% desde 17 de agosto. Depois de uma sequência positiva, alguns investidores decidiram vender ações para garantir os ganhos obtidos.

O índice também apresentava uma alta concentrada em um grupo limitado de empresas. Esse detalhe importa porque uma recuperação sustentada costuma envolver diferentes setores, e não apenas algumas ações de grande peso.

Apesar da queda do índice, a valorização do petróleo ajudou a limitar as perdas de companhias petrolíferas. O efeito, porém, não foi suficiente para compensar o desempenho negativo de outros segmentos.

Entrada de estrangeiros ainda sustentava o mercado

Os investidores estrangeiros têm participação importante na Bolsa brasileira e respondem por uma parcela expressiva do volume negociado na B3.

Desde 21 de agosto, o saldo desses investidores estava positivo, com aproximadamente R$ 11 bilhões em aportes. A entrada de recursos externos ajudou o Ibovespa a avançar nas semanas anteriores.

Esse movimento, no entanto, não é garantido. Petróleo caro, juros maiores nos Estados Unidos e aumento da instabilidade internacional podem reduzir o interesse por ativos brasileiros.

Para saber se a recente valorização da Bolsa representa uma tendência mais duradoura, será necessário observar se a entrada de capital estrangeiro continuará e se a alta alcançará um número maior de ações e setores.

O dólar a R$ 5,147 afeta os preços imediatamente?

A cotação do dólar não é transferida automaticamente aos consumidores. O repasse depende do produto, do estoque das empresas, dos contratos de importação e da capacidade de cada companhia de absorver custos.

Produtos diretamente importados costumam reagir com maior rapidez. É o caso de determinados eletrônicos, componentes industriais, medicamentos, máquinas e insumos agrícolas.

Outros itens sentem o impacto de forma indireta. O trigo, por exemplo, pode ficar mais caro porque o Brasil importa parte do que consome. Fertilizantes e defensivos agrícolas também possuem forte ligação com o mercado externo.

Se a alta do dólar durar apenas poucos dias, algumas empresas podem manter seus preços. Caso a valorização seja prolongada, o repasse tende a se tornar mais provável.

O que muda para quem pretende viajar ou comprar dólar?

Quem tem uma viagem internacional programada deve evitar decisões tomadas apenas por causa de uma oscilação diária. Prever o melhor momento para comprar moeda é difícil até mesmo para especialistas.

Uma estratégia utilizada para reduzir o risco é fazer compras em etapas. Em vez de adquirir todos os dólares de uma vez, o viajante pode dividir o valor entre diferentes datas e formar uma cotação média.

Também é importante comparar o valor efetivo total, que inclui câmbio, tarifas e Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF. A cotação divulgada no noticiário normalmente representa o mercado financeiro e não será necessariamente a mesma encontrada em bancos e casas de câmbio.

Para compras internacionais no cartão, o consumidor deve acompanhar as regras da instituição e a cotação aplicada. Manter uma reserva para variações cambiais também ajuda a evitar surpresas no orçamento.

O que o investidor deve acompanhar agora?

A queda de um único pregão não é suficiente para indicar o fim da valorização da Bolsa. Da mesma forma, a alta diária do dólar não garante que a moeda continuará avançando.

Nos próximos dias, os pontos mais importantes são:

  • as decisões de juros do Copom e do Federal Reserve;
  • os comunicados divulgados pelos dois bancos centrais;
  • a cotação internacional do petróleo;
  • a situação da navegação pelo Estreito de Hormuz;
  • o comportamento dos investidores estrangeiros na B3;
  • as novas projeções para inflação e Selic;
  • a reação dos títulos públicos brasileiros e norte-americanos.

Quem investe deve evitar mudanças bruscas motivadas somente pelas oscilações do dia. A carteira precisa considerar prazo, objetivo, necessidade de liquidez e tolerância ao risco.

O Tesouro Direto e outros investimentos de renda fixa podem reagir às expectativas sobre a Selic. Já ações, fundos imobiliários e ativos internacionais podem apresentar volatilidade mais elevada enquanto persistirem as incertezas.

O que esse cenário significa para o consumidor?

O principal risco para as famílias é a combinação de inflação pressionada e crédito ainda caro. Se petróleo e dólar permanecerem em níveis elevados, empresas podem enfrentar custos maiores e repassar parte deles aos preços.

Ao mesmo tempo, uma Selic alta mantém pesadas as taxas de empréstimos, financiamentos e cartão de crédito. Esse cenário exige atenção especial de quem pretende assumir uma nova dívida.

Antes de contratar crédito, o consumidor deve comparar o Custo Efetivo Total, conhecido como CET. Esse indicador reúne juros, tarifas, seguros e outros encargos, mostrando quanto a operação realmente custará.

Também vale revisar despesas sensíveis ao câmbio e aos combustíveis. Viagens internacionais, compras importadas e serviços contratados em dólar podem exigir uma margem maior no orçamento.

O mercado continuará instável?

A tendência é de volatilidade até que o mercado conheça as decisões dos bancos centrais e tenha mais clareza sobre o fornecimento mundial de petróleo.

O dólar encerrou o pregão perto de R$ 5,147, enquanto o Ibovespa recuou aos 185.500 pontos. Esses números mostram o aumento da cautela, mas não permitem afirmar, isoladamente, que começou uma tendência definitiva de alta da moeda ou de queda das ações.

O próximo passo do leitor é acompanhar as decisões oficiais do Banco Central e do Federal Reserve, evitando conclusões baseadas apenas nas projeções do mercado. Para consumidores e investidores, o momento recomenda planejamento, diversificação e atenção ao custo do crédito.

Perguntas frequentes

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Por que o dólar subiu para R$ 5,147?

O dólar avançou com o aumento da procura por ativos considerados seguros, diante da alta do petróleo, das tensões no Oriente Médio e da expectativa pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Por que a Bolsa caiu?

O Ibovespa recuou com a cautela internacional, a possibilidade de juros elevados por mais tempo e a realização de lucros depois da valorização acumulada nas semanas anteriores.

Petróleo caro faz a gasolina subir imediatamente?

Não necessariamente. O preço nas refinarias e nos postos depende de câmbio, política comercial, impostos, biocombustíveis, logística e margens de distribuição e revenda. Uma alta prolongada, entretanto, aumenta a pressão.

O que é a super quarta-feira?

É o nome usado pelo mercado para a data em que o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve anunciam, no mesmo dia, suas respectivas decisões sobre juros.

Juros maiores nos Estados Unidos fazem o dólar subir?

Podem contribuir para isso. Com rendimentos maiores nos títulos norte-americanos, investidores podem retirar dinheiro de mercados emergentes, reduzindo a oferta de dólares nesses países.

A queda do Ibovespa significa que todas as ações caíram?

Não. O Ibovespa representa uma carteira de ações. Algumas empresas podem subir mesmo quando o índice fecha em baixa, como pode ocorrer com petrolíferas durante uma valorização do petróleo.

É um bom momento para comprar dólar?

Não existe garantia de que a cotação atual seja a melhor. Para despesas futuras, comprar em etapas pode reduzir o risco de concentrar toda a operação em um dia desfavorável.

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