O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão de crescimento econômico para o Brasil em 2026, apesar de manter um tom cauteloso sobre os efeitos das tensões comerciais globais. A nova projeção foi divulgada na terça-feira (29) no relatório Perspectiva Econômica Global e indica um cenário de crescimento moderado, mas cercado por riscos externos, especialmente relacionados às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Projeção do FMI para o PIB do Brasil

Crescimento revisto para cima
| Ano | Projeção anterior (%) | Projeção atual (%) | Variação |
|---|---|---|---|
| 2025 | 2,0 | 2,3 | +0,3 p.p. |
| 2026 | 2,0 | 2,1 | +0,1 p.p. |
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Comparativo com projeções do governo brasileiro
Enquanto o FMI adota um tom conservador, o Ministério da Fazenda permanece mais otimista. A seguir, uma comparação entre as projeções atualizadas:
| Ano | Projeção FMI | Projeção Ministério da Fazenda |
|---|---|---|
| 2025 | 2,3% | 2,5% |
| 2026 | 2,1% | 2,4% |
Essa diferença nas projeções reflete não apenas metodologias distintas, mas também diferentes percepções sobre os efeitos da política econômica e do ambiente internacional.
Riscos à frente: tarifas dos EUA sob análise
Tarifas americanas e seus efeitos
Embora o FMI tenha baseado suas estimativas em políticas atuais, o relatório chama atenção para a possibilidade de repercussões econômicas negativas advindas do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos, que afetariam diretamente exportadores brasileiros de produtos industrializados e agroindustriais.
A tarifa de 50% sobre importações de certos produtos brasileiros, anunciada recentemente pelos EUA, ainda não foi incorporada ao modelo do FMI. Contudo, o Fundo alerta que, caso essas medidas persistam ou se intensifiquem, o impacto pode ser significativo tanto para o Brasil quanto para outras economias emergentes.
Impactos nas exportações brasileiras
Os setores mais afetados devem incluir:
- Agroindústria: café, suco de laranja e carne processada;
- Indústria aeronáutica: especialmente exportações de aeronaves e peças;
- Mineração: com potencial aumento de custos logísticos e tarifários.
América Latina e economias emergentes: um panorama regional
O FMI também revisou suas projeções para a América Latina e Caribe, indicando uma alta de 0,2 ponto percentual na estimativa de crescimento para 2025, chegando a 2,2%, e mantendo em 2,4% a previsão para 2026.
Já para o grupo das Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, o crescimento projetado é mais robusto:
| Ano | Projeção FMI |
|---|---|
| 2025 | 4,1% |
| 2026 | 4,0% |
O Brasil, portanto, cresce abaixo da média regional, revelando desafios estruturais persistentes que limitam seu desempenho relativo.
Cenário global: crescimento revisto, mas abaixo da média histórica
Revisão das projeções globais
O crescimento global também foi levemente revisado para cima:
| Ano | Projeção atual | Projeção anterior (jan/25) | Média histórica pré-pandemia |
|---|---|---|---|
| 2025 | 3,0% | 3,3% | 3,7% |
| 2026 | 3,1% | 3,3% | 3,7% |
Apesar da revisão positiva, o FMI destaca que a economia mundial ainda não recuperou o dinamismo anterior à pandemia, e que os riscos continuam elevados.
Inflação global e condições financeiras
A inflação mundial deve continuar sua trajetória de queda, mas ainda estará acima das metas em países desenvolvidos:
- Inflação global estimada para 2026: 3,6%
- Nos EUA: tarifas devem pressionar os preços ao consumidor
A combinação de déficits fiscais elevados e juros elevados também preocupa o Fundo, uma vez que essas condições podem restringir o crédito e desacelerar a recuperação.
EUA, Europa e China: as três potências em destaque

Estados Unidos e Zona do Euro
| Região | Projeção 2025 (%) | Projeção 2026 (%) |
|---|---|---|
| Estados Unidos | 1,9 | 2,0 |
| Zona do Euro | 1,0 | 1,2 |
China
A potência asiática teve um salto nas projeções, reflexo de uma atividade econômica mais forte do que o esperado no primeiro semestre. As novas estimativas do FMI indicam:
| Ano | Projeção anterior | Projeção atual |
|---|---|---|
| 2025 | 4,2% | 5,0% |
| 2026 | 4,0% | 4,2% |
Perguntas frequentes (FAQ)
As tarifas dos EUA afetam a economia brasileira?
Sim. Tarifas elevadas sobre produtos brasileiros podem reduzir exportações, impactando setores como agroindústria e indústria de bens de capital.
Qual é o impacto das tarifas no crescimento global?
As tarifas aumentam os custos de importação e, ao serem repassadas aos consumidores, podem desacelerar o consumo e restringir o crescimento.
Considerações finais
A leve melhora na projeção de crescimento do Brasil para 2026 reflete resiliência econômica, mas o cenário ainda é frágil. A guerra comercial entre EUA e parceiros estratégicos, aliada a um ambiente financeiro global restritivo, impõe desafios significativos para países em desenvolvimento.
O Brasil segue avançando, mas de forma moderada, e o desempenho futuro dependerá, em grande parte, da capacidade de mitigar impactos externos, promover reformas estruturais e ampliar a competitividade de sua economia.
