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Crescimento do Brasil em 2027 preocupa? Entenda as projeções divulgadas pelo FMI

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo suas projeções para a economia brasileira e prevê uma desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. De acordo com o relatório Perspectiva Econômica Mundial, a atividade econômica do país deve crescer 2,2% em 2026 e 1,9% no próximo ano.

As estimativas representam reduções de 0,2 e 0,3 ponto percentual, respectivamente, em relação às projeções divulgadas pela instituição em julho. O cenário indica que o Brasil continuará crescendo, mas em ritmo mais moderado diante das condições financeiras restritivas, da diminuição dos estímulos fiscais e das incertezas no ambiente internacional.

A avaliação do FMI reforça as preocupações sobre a capacidade de sustentação da atividade econômica brasileira nos próximos trimestres. Embora o país mantenha perspectivas de expansão, juros elevados encarecem o crédito, dificultam investimentos e podem reduzir o consumo das famílias.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Juros altos limitam consumo e investimentos

A política monetária é um dos principais fatores por trás da desaceleração projetada. Mesmo com a perspectiva de redução gradual da taxa Selic, o custo do dinheiro continua sendo uma preocupação para empresas e consumidores.

Quando os juros estão elevados, financiamentos de veículos, imóveis e equipamentos ficam mais caros. Empresas também enfrentam custos maiores para ampliar fábricas, contratar trabalhadores ou renovar estoques.

Uma pequena empresa varejista, por exemplo, pode adiar a abertura de uma nova unidade porque o financiamento necessário se tornou menos vantajoso. Da mesma forma, famílias endividadas podem reduzir gastos com produtos e serviços para priorizar o pagamento de empréstimos.

O Banco Central procura equilibrar esse cenário com o controle da inflação. Reduzir os juros rapidamente demais pode estimular a demanda e dificultar a convergência dos preços para a meta. Por isso, a velocidade dos cortes depende da avaliação sobre a inflação, as expectativas econômicas e os riscos internos e externos.

Menos estímulos fiscais podem afetar a atividade

Outro fator citado pelo FMI é a redução do impulso fiscal. Gastos públicos, transferências de renda e investimentos governamentais podem estimular a atividade econômica, especialmente quando chegam a famílias com maior propensão a consumir.

Quando esse impulso diminui, parte da demanda que sustentava o comércio e os serviços pode perder força. O efeito depende, entre outros fatores, da composição das despesas públicas, da arrecadação e das condições de crédito.

O quadro fiscal também influencia a percepção de risco dos investidores. Dúvidas sobre a trajetória da dívida pública podem pressionar os juros de longo prazo e dificultar o financiamento de empresas e do próprio governo.

PIB brasileiro já mostra sinais de desaceleração

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a compreender o cenário. Depois de crescer 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, a economia brasileira apresentou expansão de 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, abaixo do avanço de 1,1% observado no primeiro trimestre.

A perda de ritmo não significa necessariamente uma recessão. O PIB continua crescendo, mas a atividade econômica avança mais lentamente. Para avaliar a situação, também é necessário observar o desempenho da indústria, dos serviços, do agronegócio, do consumo das famílias e dos investimentos.

O mercado financeiro brasileiro apresenta projeções ainda mais moderadas do que as do FMI. No Boletim Focus de 2 de outubro de 2026, a mediana das estimativas apontava crescimento de 1,85% em 2026 e de 1,4% em 2027.

A diferença entre as projeções mostra que há incerteza sobre a intensidade da desaceleração. As estimativas podem mudar conforme novos indicadores de inflação, emprego, atividade econômica e política fiscal sejam divulgados.

Inflação deve cair, mas desemprego pode aumentar

Inflação
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O FMI projeta redução da inflação brasileira de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Apesar da melhora esperada, a inflação ainda representa um desafio para o poder de compra da população.

Preços elevados de alimentos, combustíveis, energia e serviços afetam principalmente famílias que destinam grande parte da renda às despesas essenciais. Mesmo quando a inflação diminui, isso não significa que os preços voltarão aos níveis anteriores: significa que podem subir mais lentamente.

O mercado brasileiro, segundo o Focus de 2 de outubro, esperava inflação de 5,01% em 2026 e 4,3% em 2027, acima das projeções do FMI para os dois anos.

No mercado de trabalho, o Fundo prevê que a taxa de desemprego aumente de 6% em 2025 para 6,2% em 2026 e 6,8% em 2027. Essa projeção não representa uma certeza, mas aponta para o risco de que a desaceleração da atividade reduza o ritmo das contratações.

Para os trabalhadores, um cenário assim pode significar maior dificuldade para encontrar vagas em determinados setores, enquanto empresas podem adiar expansões e novas contratações.

Economia mundial enfrenta riscos e oportunidades

O FMI estima que o PIB mundial cresça 3,4% em 2026 e 3,6% em 2027, um ritmo superior ao previsto para o Brasil. Mesmo assim, a instituição destaca riscos relacionados a conflitos geopolíticos, barreiras comerciais, inflação e desequilíbrios fiscais.

A alta dos preços de energia pode elevar os custos de transporte e produção, pressionando a inflação em diferentes países. Para o Brasil, os efeitos dependem da evolução do petróleo, do câmbio e dos preços internacionais de matérias-primas.

Por outro lado, os investimentos em inteligência artificial podem aumentar a produtividade e estimular novos negócios. Caso esses ganhos se disseminem pela economia, poderão contribuir para um crescimento global mais forte.

O desempenho brasileiro também dependerá da capacidade de ampliar investimentos, elevar a produtividade e manter condições macroeconômicas que favoreçam o planejamento das empresas.

Foto: Stefani Reynolds/Bloomberg News, Brenno Carvalho/Agência O Globo

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