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França avalia mineração de Bitcoin como solução para excedente energético nuclear

Legisladores franceses propõem estudar mineração de Bitcoin para absorver excesso de energia nuclear, criar valor econômico, geração de calor e mais.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Bitcoin

Em 12 de junho de 2025, legisladores franceses apresentaram à Assembleia Nacional uma proposta instigante: explorar a mineração de Bitcoin para absorver o superávit energético causado pela produção de eletricidade nuclear e renovável.

Embora a França seja líder em geração de energia limpa – com mais de 70 % de sua eletricidade vindo de usinas nucleares –, esse modelo também resulta em frequentes excedentes que geram custos e desperdício.

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Dinâmica do excedente: por que isso é importante

Segundo dados de 2024, a França enfrentou momentos em que o preço da eletricidade no mercado de atacado ficou negativo, obrigando operadores a cobrarem para escoar energia .

A transmissão de energia para países vizinhos também gerou cerca de €5 bilhões no ano passado, resultado recorde de exportações, mas deixou claro que armazenar grandes quantidades continua sendo um entrave técnico.

Bitmining como solução estratégica

Mineração de Bitcoin
Imagem: Acervo do Unsplash (Creative Commons)

Vantagens técnicas da mineração para a rede elétrica

A mineração de Bitcoin demanda alta flexibilidade: equipamentos podem ser ligados ou desligados rapidamente, consumindo energia quando ela está disponível e ajudando a amortecer picos de produção. Isso reduz o desgaste de usinas nucleares, otimiza o uso das renováveis e estabiliza o sistema elétrico nacional.

Capturando calor desperdiçado

As instalações de mineração geram calor significativo, que pode ser reutilizado para aquecimento urbano ou industrial. Essa integração, já aplicada em países como a Escandinávia, permitiria fortalecer inclusive a tendência de cidades energicamente eficientes .

O relatório-embrião da Adan

Em 7 de maio de 2025, o think tank Adan divulgou um estudo que qualificou a mineração de Bitcoin como “oportunidade estratégica” para a França.

O documento alertou para o impacto do uso intensivo de energia, os custos de modulação nuclear (que somam cerca de €66 bilhões com manutenção até 2028) , e propôs um piloto com a EDF e regras específicas para mineração de baixo carbono.

Apoio ministerial e articulações políticas

A ministra digital francesa, Clara Chappaz, declarou publicamente que a viabilidade da mineração com excedente nuclear deve ser seriamente analisada. Reforçando a ideia, disse que é necessário atuar “sem ideologia”, focando no potencial econômico e energético, e mencionou sua visita à Ledger como marco dessa mudança.

A figura da extrema-direita, Marine Le Pen, também defendeu a medida, afirmando que “desistir da produção elétrica é desistir da criação de riqueza” durante visita à usina Flamanville. A proposição revelou que o interesse em BTC transcende posicionamentos ideológicos, embora levante questões técnicas importantes.

Reflexos europeus e globais

A França integra uma tendência global: na Bielorrússia, governos estudam mineração com excedente; no Paquistão, alocação de 2 000 MWh para data centers de BTC e IA ; já a Suíça e a Rússia avançam com medidas semelhantes. Esses movimentos indicam que a mineração energética não está restrita apenas ao plano técnico, mas assume caráter estratégico.

Regulamentação ambiental em debate

A UE avalia taxonomias de sustentabilidade que podem incluir mineração cripto, mas a discussão esbarra em regulamentos como o plano da Comissão Europeia para incluir atividades de mineração orientadas à mitigação climática .

Desafios e preocupações

Mudanças técnicas no sistema nuclear

Usinas nucleares têm restrições de modulação e estão sujeitas a corrosão e custos de manutenção elevados. Alterar curvas operacionais para alimentar mineração pode exigir adaptações caras e até controversas .

Impacto regulatório

Criar um setor regulado de mineração com baixo carbono exige normas sobre licença, emissão e energia renovável. Produtores precisarão conter carbono embutido no equipamento e garantir rastreabilidade do uso energético.

Centralização na mineração

A concentração de sites de mineração próximo a usinas nucleares pode causar centralização, o que contraria a filosofia descentralizada do Bitcoin. É essencial planejar zones segmentadas e distribuídas.

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Benefícios previstos

Segundo o estudo da Adan, cada GW de mineração pode gerar entre US$100 a US$150 milhões por ano, diminuindo custos de manutenção nuclear e otimizando investimentos em infraestrutura .

A reciclagem de calor e o uso de energia limpa reduzem emissões e promovem criar empregos regionais. Além disso, o incentivo ao Web3 e inovação tecnológica pode atrair startups e capital estrangeiro para a França.

Próximos passos e recomendações

Relatório oficial solicitado

A emenda parlamentar exige um relatório formal do governo sobre viabilidade técnica, econômica e regulatória para integrar mineração de Bitcoin ao sistema energético nacional.

Piloto com EDF e centros industriais

Propõe-se implementar projetos-piloto com a EDF, microfazendas de mineração em zonas industriais desativadas e testes pilotos que explorem desalinhamentos entre oferta e demanda.

Construção de um modelo sustentável

A partir desse piloto, a França poderá avançar na criação de uma cadeia de mineração nacional, com selo verde e compliance energético, diante do crescimento da Web3 e competição global.

Conclusão – Bitcoin a serviço do equilíbrio energético

Bitcoin
Imagem: REDPIXEL.PL / Shutterstock.com

A proposta da França revela a convergência entre desafios energéticos e inovações financeiras. Ao buscar transformar excedentes em potencial econômico e sustentável, o país assume o protagonismo de uma estratégia em voga internacionalmente.

Com racional técnico, financeiro e ambiental, o movimento pode consolidar o país como referência em mineração limpa — desde que haja regulamentação clara, transparência e preocupação ambiental.

Essa iniciativa pode marcar o início de uma nova era onde Bitcoin não apenas espelha valor digital, mas também reforça políticas de energia e soberania econômica.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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