Em uma das maiores investigações envolvendo entidades ligadas a aposentados e pensionistas, a Polícia Federal revelou em 2025 um esquema bilionário de fraudes operado por dirigentes de associações supostamente voltadas à defesa dos direitos de beneficiários do INSS. O escândalo, que envolve recebimento indevido de programas como Bolsa Família e Auxílio Brasil, expôs uma teia de irregularidades que atingiu diretamente a credibilidade de instituições criadas para representar a população mais vulnerável do país.
Investigação aponta que líderes de entidades fraudulentas do INSS recebiam o Bolsa Família
Polícia Federal revela esquema de fraude com associações de aposentados. Dirigentes recebiam Bolsa Família e Auxílio Brasil!
A PF investiga ao menos três associações nacionais envolvidas diretamente no esquema. O caso mostra como entidades sem estrutura adequada foram utilizadas como fachada para desviar recursos públicos, mascarar a identidade de fraudadores e manipular dados do Cadastro Único (CadÚnico), sistema essencial para acesso a programas sociais federais.
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Associações investigadas: uma estrutura de fachada
Quais entidades estão no centro das investigações?
As organizações sob investigação são:
- AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas Brasileiros)
- ABSP/AAPEN (Associação Brasileira dos Servidores Públicos/Associação dos Aposentados e Pensionistas do Nacional)
- Universo (Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral e Próprio da Previdência Social)
Atuação em mais de 4 mil municípios
As três entidades alegavam atuar em mais de 4.000 municípios brasileiros, mas a PF constatou que não possuíam infraestrutura técnica, administrativa ou financeira para isso. Eram, na prática, organizações fantasmas utilizadas para firmar convênios, negociar contratos e intermediar descontos em aposentadorias e pensões, muitas vezes sem autorização dos beneficiários.
Quem são as dirigentes beneficiárias de programas sociais?
Um dos aspectos mais alarmantes da investigação é que as presidentes e gestoras dessas entidades constam como beneficiárias de programas sociais, muitos deles destinados exclusivamente a famílias em situação de extrema pobreza.
Principais nomes identificados pela PF
Maria Ferreira da Silva (88 anos)
- Ex-presidente da AAPB
- Inscrita no CadÚnico com renda per capita de R$ 1.320
Maria Liduina Pereira de Oliveira (56 anos)
- Ex-presidente da AAPB
- Beneficiária do Bolsa Família até 2015
Maria Eudenes dos Santos (65 anos)
- Ex-presidente da ABSP/AAPEN
- Recebeu Bolsa Família até 2021 e Auxílio Brasil até 2022
Francisca da Silva de Souza (71 anos)
- Ex-presidente da ABSP/AAPEN
- Recebeu Bolsa Família até 2015
Valdira Prado Santana Santos (79 anos)
- Presidente da Universo
- Constava no CadÚnico em 2025
Como o esquema operava?
Utilização de dirigentes em situação de vulnerabilidade
A investigação aponta que os verdadeiros operadores da fraude colocaram pessoas em situação de vulnerabilidade social — como idosas e beneficiárias de programas sociais — na liderança das associações, criando um “escudo de impunidade”. Essas dirigentes, muitas vezes, não tinham participação real nas decisões operacionais, servindo como laranjas para ocultar os mentores do esquema.
Desvios de recursos e ocultação de identidade
As entidades simulavam prestação de serviços, como assessoria jurídica, descontos associativos e convênios com o INSS. Por trás dessas operações, escondiam-se contratos fraudulentos, cobranças indevidas em benefícios previdenciários e emissão de boletos para serviços inexistentes. Os valores eram então redirecionados a contas de terceiros ou empresas ligadas aos idealizadores do golpe.
O impacto financeiro e social das fraudes
Prejuízo aos cofres públicos
A PF ainda não concluiu o cálculo final, mas estima-se que os desvios possam ultrapassar R$ 1 bilhão, somando-se o que foi extraído diretamente dos aposentados com valores recebidos indevidamente de programas sociais. O dano não se limita ao erário — afeta a confiança da população nas instituições públicas e sociais.
Violação da política social
O uso indevido do CadÚnico por parte de dirigentes dessas associações compromete a integridade dos programas sociais, tirando oportunidades de quem realmente precisa e fragilizando os critérios de elegibilidade do Bolsa Família, BPC e outros benefícios.
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Falhas na fiscalização e necessidade de reformas

Ausência de controle sobre associações
O caso evidencia uma falta de fiscalização sobre entidades que lidam com dados e recursos públicos. Muitas dessas associações atuavam sem controle direto do Ministério da Cidadania, do INSS ou dos Tribunais de Contas, o que facilitou a proliferação de fraudes.
O papel da governança nas entidades representativas
Especialistas defendem reformas nos critérios de criação, habilitação e monitoramento de associações de aposentados e pensionistas. Isso inclui:
- Exigência de transparência nos estatutos e contratos;
- Apresentação de balanços financeiros auditados;
- Criação de um registro nacional com regras mínimas de governança;
- Fiscalização regular por órgãos de controle como CGU, TCU e Receita Federal.
A resposta da sociedade e dos órgãos públicos
O que diz a Polícia Federal?
A PF declarou que novas diligências estão em andamento e que mais nomes deverão ser incluídos no inquérito nos próximos meses. Também estão sendo analisadas as movimentações bancárias das entidades e das pessoas ligadas diretamente à administração das associações.
O que acontece com as associações?
As três entidades envolvidas estão com atividades suspensas, e os registros estão sendo analisados pelo Ministério da Justiça, que poderá revogar o CNPJ das instituições envolvidas.
Próximos passos das investigações

Identificação de cúmplices e redes paralelas
A PF irá aprofundar as conexões entre essas associações e possíveis empresas de fachada, contadores, advogados e ex-servidores públicos que possam ter facilitado ou operado o esquema.
Avaliação de prejuízos aos beneficiários do INSS
Além do impacto nos cofres públicos, será avaliada a extensão do dano aos aposentados e pensionistas que tiveram seus benefícios descontados indevidamente por meio de autorizações falsificadas ou contratos inexistentes.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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