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Criminosos lucraram até com FGTS e seguro-desemprego via Caixa Tem, aponta PF

PF prende suspeitos de fraudes no Caixa Tem. Grupo desviava FGTS e seguro-desemprego com ajuda de funcionários corrompidos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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A Polícia Federal (PF) desencadeou nesta quinta-feira (19) a segunda fase da Operação Farra Brasil, que mira uma organização criminosa especializada em fraudes no aplicativo Caixa Tem. O sistema é usado para o pagamento de benefícios sociais, como o auxílio emergencial, FGTS e seguro-desemprego.

De acordo com as investigações, criminosos chegaram a subornar funcionários da Caixa Econômica Federal e de lotéricas, garantindo acesso privilegiado a dados de beneficiários. Com isso, valores eram desviados em larga escala, atingindo diretamente cidadãos em situação de vulnerabilidade.

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Como funcionava o esquema de fraude

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Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Cooptação de funcionários

Segundo a Delegacia de Polícia Federal de Niterói, os suspeitos ofereciam propina a empregados da Caixa e a atendentes de casas lotéricas. Um único funcionário chegou a receber mais de R$ 300 mil para facilitar o acesso de criminosos às contas do Caixa Tem.

Desvio de benefícios sociais

Com os dados em mãos, o grupo realizava transferências e saques irregulares. As principais vítimas eram beneficiários de programas sociais, mas a fraude também atingiu recursos de FGTS e seguro-desemprego, que são fundamentais para trabalhadores desempregados ou em situação emergencial.

Dimensão do prejuízo

Desde a criação do aplicativo em 2020, a PF identificou cerca de 749 mil contestações relacionadas a movimentações suspeitas. O volume levou a Caixa a realizar ressarcimentos superiores a R$ 2 bilhões nesse período.


Ação da Polícia Federal no Rio de Janeiro

Prisões e cidades-alvo

Os seis mandados de prisão preventiva foram cumpridos em três municípios do Rio de Janeiro: Niterói, São Gonçalo e Cachoeiras de Macacu. Além das prisões, os agentes também realizaram buscas para coletar documentos, dispositivos eletrônicos e provas que reforcem a investigação.

Crimes atribuídos aos suspeitos

Os integrantes do grupo investigado devem responder por:

  • Organização criminosa
  • Furto qualificado
  • Corrupção ativa e passiva
  • Inserção de dados falsos em sistemas de informação

As penas podem ultrapassar 20 anos de prisão, dependendo das condenações em cada caso.


A primeira fase da operação e novos desdobramentos

A primeira etapa da Operação Farra Brasil, deflagrada em abril, já havia resultado na prisão de 16 investigados. Na ocasião, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, além da adoção de medidas cautelares.

Essas ações forneceram novas provas, confirmando que os criminosos mantinham as atividades fraudulentas mesmo após o cerco inicial. O avanço das apurações embasou a Justiça Federal a expedir os seis mandados de prisão preventiva na segunda fase.


Caixa Tem: inovação digital e alvo de golpes

Caixa tem bpc
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Do auxílio emergencial ao FGTS

Criado em 2020, o Caixa Tem foi fundamental para a distribuição do auxílio emergencial durante a pandemia da Covid-19. Desde então, tornou-se a principal ferramenta para pagamentos de benefícios sociais, trabalhistas e previdenciários.

No entanto, a popularização do aplicativo atraiu também a atenção de criminosos especializados em fraudes bancárias eletrônicas.

Vulnerabilidades exploradas

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A Coordenação de Repressão a Fraudes Bancárias Eletrônicas da PF acompanha o crescimento das denúncias e aponta que criminosos exploram falhas como:

  • Senhas fracas ou compartilhadas por usuários
  • Cooptação de funcionários internos
  • Phishing e clonagem de dispositivos móveis

Essas práticas têm gerado altos prejuízos, tanto para os cofres públicos quanto para a credibilidade da plataforma.


Impactos para os beneficiários

Prejuízo direto aos mais vulneráveis

A maioria das vítimas está entre os trabalhadores de baixa renda, que dependem dos programas sociais como única fonte de sustento. Para muitas famílias, a fraude significou não receber o benefício no mês esperado, criando ainda mais dificuldades financeiras.

Ressarcimentos e burocracia

Embora a Caixa Econômica Federal garanta o ressarcimento dos valores desviados, o processo pode ser lento. Em muitos casos, as vítimas precisam apresentar boletins de ocorrência e protocolos de contestação, enfrentando filas e prazos longos até a devolução.


Próximos passos das investigações

A PF segue analisando documentos e dispositivos apreendidos nesta segunda fase da operação. A expectativa é identificar outros integrantes da organização criminosa e possíveis ramificações em diferentes estados.

A corporação também deve ampliar o monitoramento sobre fraudes digitais envolvendo benefícios sociais, que se tornaram alvo frequente de golpes desde a pandemia.

Imagem: Miguel Lagoa/shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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