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Fique atento! Entidades investigadas continuam descontando valores de aposentados do INSS

Entidades investigadas por fraude seguem lucrando com descontos indevidos nas aposentadorias, mesmo sob investigação do INSS, CGU e Polícia Federal.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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Mesmo após serem colocadas sob investigação por suspeita de fraudes, 23 entidades continuam arrecadando milhões com descontos automáticos sobre os benefícios de aposentados do INSS. Levantamento feito com dados oficiais do próprio Instituto Nacional do Seguro Social mostra que, entre abril de 2024 e março de 2025, essas organizações somaram R$ 2,1 bilhões em arrecadação com mensalidades associativas. A manutenção desse volume expressivo de receitas ocorre mesmo depois da série de denúncias publicada pelo portal Metrópoles, que revelou aumentos abusivos de até 300% no faturamento dessas entidades num período de apenas um ano.

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Cobranças sem consentimento geram protestos e processos

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Imagem: Canva e Freepik

Os descontos, muitas vezes realizados sem o consentimento dos aposentados, têm gerado uma avalanche de queixas e processos judiciais. De acordo com auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), 98% dos aposentados ouvidos afirmaram que jamais autorizaram a cobrança da mensalidade associativa. O número reforça a suspeita de que o sistema está sendo utilizado de maneira fraudulenta.

Falta de transparência e demora nas ações

Apesar das evidências reunidas, o INSS tomou poucas medidas concretas. Apenas uma entidade teve seu acordo de cooperação técnica rescindido, enquanto as outras continuam operando normalmente, inclusive com faturamentos superiores a R$ 100 milhões por ano. O próprio INSS, após as denúncias, iniciou procedimentos internos que podem resultar no cancelamento dos acordos que permitem o desconto direto na folha de pagamento. No entanto, até o momento, essas investigações têm avançado lentamente.

O esquema das assinaturas digitais e físicas suspeitas

Caso Walter: assinatura questionável e tentativa de intimidação

O aposentado Walter (nome fictício), descobriu, em 2024, descontos de R$ 77,60 em seu benefício. Ao consultar o portal Meu INSS, encontrou lançamentos atribuídos à associação Master Prev, que ele desconhecia totalmente. Ao solicitar o cancelamento e o ressarcimento, foi surpreendido com a exigência de envio de documentos pessoais. Em resposta judicial, a associação apresentou uma ficha com uma suposta assinatura física de Walter, além de uma confirmação digital — ambas contestadas por ele e por seu advogado, que apontou inconsistências nos traços gráficos.

Assinatura digital e ligações entre entidades

A situação se complicou ainda mais quando se descobriu que a empresa responsável pela suposta assinatura digital, a “Assine Pro”, utilizava o mesmo número de telefone de outra entidade, a Amar Brasil, que também atua com descontos em benefícios previdenciários. Juntas, Master Prev e Amar Brasil arrecadaram cerca de R$ 381 milhões em apenas um ano.

A atuação do Judiciário e a morosidade nas punições

Caso Valdir: assinatura falsa e manobra judicial

Outro exemplo é o do aposentado Valdir Prado, de Barretos (SP), que identificou descontos indevidos feitos pela Unibap (União Brasileira dos Aposentados da Previdência), entidade com sede no Distrito Federal. Ao questionar judicialmente, Valdir teve que enfrentar uma suposta prova de contrato apresentada pela entidade — com assinatura que, segundo ele, é falsa. Apesar de ter solicitado uma perícia grafotécnica, a Unibap não pagou os honorários do perito, impedindo a realização da prova. A Justiça, seguindo entendimentos anteriores, deu razão a Valdir e impôs multa de R$ 3 mil à associação. Essa prática de não pagar perícias é, segundo advogados, comum entre essas entidades, que assim dificultam o avanço dos processos.

Falta de fiscalização eficaz contribui para continuidade das fraudes

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Imagem: Divulgação / INSS

Bilhões arrecadados com base em consentimento duvidoso

Entre abril de 2024 e março de 2025, as 23 entidades investigadas mantiveram sua atuação ativa, com descontos diretos nos benefícios dos aposentados — totalizando mais de R$ 2,1 bilhões arrecadados. Isso ocorreu mesmo após o alerta feito por auditorias da CGU e do próprio INSS. Segundo investigação interna enviada à Polícia Federal, estima-se que pelo menos R$ 45 milhões tenham sido descontados indevidamente dos aposentados entre 2023 e 2024. No entanto, os procedimentos para responsabilização e rescisão dos acordos seguem lentos e pouco eficazes.

A fragilidade nos mecanismos de controle e autorização

Falhas no processo de autorização

O INSS exige que as entidades tenham autorização expressa dos aposentados para realizar qualquer desconto. Entretanto, tanto auditorias quanto decisões judiciais demonstram que essa exigência tem sido amplamente ignorada, com falsificações de assinaturas, uso indevido de assinaturas digitais e ausência de transparência nos contratos. A CGU alertou para a necessidade de maior rigor na checagem dos dados fornecidos pelas entidades. Ainda assim, os casos seguem ocorrendo sem respostas efetivas do sistema de fiscalização.

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Consequências para os aposentados

Impacto financeiro direto e sensação de impotência

O prejuízo direto aos aposentados é evidente. Além de perderem parte de sua já limitada renda mensal, muitos enfrentam uma longa jornada judicial para reaver valores descontados indevidamente. A burocracia e a morosidade da Justiça tornam o processo desgastante, e, em muitos casos, os idosos desistem de buscar seus direitos. Advogados especializados relatam que muitas ações judiciais envolvem valores baixos, o que desestimula inclusive a atuação de escritórios particulares, já que os custos processuais superam os montantes a serem ressarcidos.

Perspectivas e necessidade de reformulação no sistema

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

Medidas urgentes e revisão dos acordos

Especialistas e órgãos de controle apontam a necessidade urgente de reformulação dos acordos de cooperação técnica entre o INSS e as entidades. Também é fundamental aprimorar o processo de verificação das autorizações e garantir que os aposentados tenham canais acessíveis para contestar cobranças indevidas. A criação de uma plataforma única, segura e transparente para gerenciar autorizações e bloqueios de descontos é vista como uma solução viável e necessária.

O que dizem as entidades

As associações citadas evitam comentar publicamente os casos individuais. Algumas afirmam que seguem as regras do INSS e alegam que os descontos são autorizados pelos próprios beneficiários. Outras sequer retornam os contatos da imprensa. Enquanto isso, cresce o número de ações judiciais em todo o país, e aposentados continuam relatando surpresas desagradáveis ao conferirem os extratos de seus benefícios.

Conclusão

Apesar de estarem sob investigação por práticas consideradas fraudulentas, entidades continuam operando com autorização do INSS e faturando bilhões em cima de aposentados. A lentidão nas respostas institucionais e a fragilidade dos mecanismos de controle fazem com que o problema persista, ampliando o sentimento de injustiça entre os beneficiários da Previdência Social. É urgente que medidas estruturais sejam adotadas para proteger os aposentados e assegurar a integridade do sistema de descontos, que deveria existir para beneficiá-los — não para explorá-los.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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