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Fraude no INSS: associação de pesca movimentou R$ 100 milhões em descontos de beneficiários, diz COAF

Fraude no INSS movimentou R$ 100 milhões, segundo o Coaf. Entenda o caso da CBPA e veja como as investigações avançam. Leia mais!

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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A Polícia Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificaram um esquema de fraudes envolvendo o INSS, com movimentações que chegam a R$ 100 milhões. O caso gira em torno da CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura), que teria realizado descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas por meio de um acordo firmado com o instituto.

A investigação aponta que parte desses valores foi direcionada a empresas ligadas a suspeitos de crimes previdenciários.

Segundo o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) e documentos obtidos pelo Poder360, as transações ocorreram entre dezembro de 2023 e maio de 2025. O presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, será ouvido pela CPMI do INSS nesta segunda-feira (3.nov.2025). A AGU (Advocacia-Geral da União) solicitou o bloqueio dos bens dele e da confederação, após o indício de desvio de recursos públicos.

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INSS sob investigação: o que o Coaf descobriu

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O Coaf considerou “incompatível” o volume de R$ 100 milhões movimentado pela CBPA, alegando que a entidade não possui capacidade financeira para justificar os valores. O relatório descreve operações “atípicas e suspeitas”, reforçando indícios de irregularidades no uso de recursos vinculados ao INSS.

As movimentações ocorreram a partir de descontos associativos aplicados nos contracheques de beneficiários, autorizados por um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a CBPA e o instituto. O dinheiro deveria custear serviços voltados a aposentados e pescadores, como acesso à telemedicina, capacitação e benefícios assistenciais.

O papel da CBPA e os serviços oferecidos

Fundada em 2020, a CBPA afirma representar mais de 1 milhão de filiados em 21 estados brasileiros. Entre os serviços oferecidos estão programas de capacitação profissional, auxílio-funeral e descontos em medicamentos. Apesar da função declarada, as investigações apontam que a confederação atuava como um dos “eixos centrais” do esquema de desvio de recursos do INSS.

Em nota, a CBPA declarou que cumpre suas obrigações legais e que “reconhece a importância do controle institucional para proteger aposentados de práticas fraudulentas”. A entidade também destacou que mantém planos de benefícios regulares e que “repudia qualquer ato ilícito”.

Abraão Lincoln e o histórico de investigações

Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, atual presidente da CBPA, é suplente de deputado estadual pelo Republicanos no Rio Grande do Norte. Em 2015, ele foi preso pela Polícia Federal por envolvimento em venda ilegal de permissões de pesca industrial. Agora, volta a ser citado em uma nova investigação, desta vez relacionada ao INSS e à movimentação financeira da CBPA.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) apresentou o requerimento para que Lincoln fosse convocado à CPMI. O objetivo é esclarecer o papel da confederação e as ligações com empresas suspeitas de intermediação de recursos.

“Careca do INSS” e a rede de empresas investigadas

O nome de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, reapareceu nas apurações. Segundo a PF, ele seria uma peça-chave na estrutura das fraudes. Suas empresas — Prospect Consultoria e Acca Consultoria — receberam cerca de R$ 6,7 milhões da CBPA em um período de 12 meses.

As companhias de Antunes são apontadas como intermediárias na lavagem de dinheiro e no repasse de valores desviados do INSS. Além disso, outras entidades como Ambec, AP Brasil, Cebasp e Unaspub também estão sob investigação por ligações com o empresário. Estima-se que o total desviado pelo grupo supere R$ 31 milhões desde 2022.

Impacto sobre aposentados e pensionistas do INSS

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Os aposentados e pensionistas afetados por descontos indevidos relataram dificuldades em identificar as cobranças em seus contracheques. Muitas dessas deduções eram apresentadas como “taxas associativas”, sem autorização direta dos beneficiários. Esse tipo de fraude reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa no sistema de convênios e descontos do INSS.

Entre as medidas propostas por parlamentares e órgãos de controle estão:

  • Revisão dos acordos de cooperação com associações;
  • Auditorias nos repasses de valores;
  • Criação de um sistema digital de consentimento de descontos;
  • Maior transparência sobre as entidades conveniadas.

Repercussão política e investigações em andamento

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A CPMI do INSS deve se concentrar nas próximas semanas em depoimentos de representantes da CBPA e das consultorias envolvidas. O caso, segundo fontes do Congresso, pode levar à revisão dos critérios de autorização de descontos em benefícios previdenciários.

O Coaf e a PF continuam cruzando dados financeiros para identificar o caminho dos recursos. Já a AGU busca reaver parte dos valores desviados e responsabilizar os envolvidos.

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Com informações de: Poder360

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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