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Banco do Brasil alerta: funcionário teria exigido R$ 1 milhão para invasão de sistema

Funcionário do BB é investigado por cobrar R$ 1 milhão para permitir invasão da rede; PCDF realiza Operação Remoto Shell.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
banco do brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na manhã de quinta-feira, 26, a Operação Remoto Shell, que investiga um funcionário da área de tecnologia do Banco do Brasil (BB) suspeito de colaborar com criminosos para invadir a rede corporativa da instituição.

O caso ganhou repercussão nacional após a revelação de que o colaborador teria cobrado R$ 1 milhão para repassar suas credenciais de acesso aos sistemas internos do banco. O objetivo dos fraudadores era explorar brechas de segurança e executar fraudes bancárias de alto impacto financeiro.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Como funcionava o esquema?

Segundo as apurações da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o funcionário utilizava seu conhecimento técnico e credenciais privilegiadas para oferecer acesso remoto à infraestrutura interna do Banco do Brasil, uma das maiores instituições financeiras da América Latina.

Esse tipo de acesso, se não contido a tempo, poderia permitir aos criminosos realizar transferências não autorizadas, fraudes com dados de clientes, e comprometer sistemas sensíveis, como os relacionados à compensação bancária, pagamentos e gestão de contas empresariais.

Apreensão de provas e perícia digital

Durante a operação, os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no endereço do investigado. Foram recolhidos um celular e um notebook, com materialidade significativa que indica participação ativa no esquema criminoso.

Os dispositivos agora passam por perícia técnica, que analisará arquivos, registros de mensagens, softwares instalados, scripts de automação, e qualquer vestígio que comprove a cessão indevida de acesso aos fraudadores.

Banco do Brasil colaborou com as investigações

Em nota oficial, o Banco do Brasil informou que a tentativa de invasão foi detectada internamente e frustrada antes que qualquer prejuízo se concretizasse. O monitoramento interno da instituição financeira foi fundamental para acionar a polícia e impedir o avanço da operação criminosa.

Posicionamento do Banco do Brasil:

“O Banco do Brasil informa que detectou e frustrou a tentativa por meio de monitoramento interno e adotou todas as providências no seu âmbito de atuação. O BB acionou a polícia e colabora com as investigações sobre o caso.

O banco possui processos estabelecidos para monitoramento e apuração de situações suspeitas contra a instituição e acrescenta que seu padrão de governança inibe que acessos isolados a credenciais de qualquer funcionário possam causar impactos financeiros a clientes ou à empresa.”

Crimes investigados: invasão e associação criminosa

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Imagem: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

A Polícia Civil conduz a investigação com base nos seguintes crimes:

  • Invasão de dispositivo informático (Art. 154-A do Código Penal);
  • Associação criminosa (Art. 288 do Código Penal).

Caso as suspeitas sejam confirmadas, o funcionário poderá responder criminalmente, com penas que podem ultrapassar oito anos de prisão, além de processos administrativos internos e civis por danos à imagem da instituição.

O que é a Operação Remoto Shell?

O nome da operação, “Remoto Shell”, faz referência ao tipo de acesso remoto a sistemas operacionais que os criminosos buscavam obter, com o objetivo de manipular servidores e estações de trabalho dentro da rede do banco.

Esse tipo de ataque é altamente sofisticado e normalmente envolve conhecimento técnico avançado e acesso privilegiado — como o que teria sido fornecido pelo funcionário investigado.

Prevenção e governança no setor bancário

O caso reforça a importância de políticas de segurança cibernética rígidas em instituições financeiras, principalmente na gestão de acessos e monitoramento contínuo.

Medidas de proteção implementadas:

  • Segregação de funções críticas;
  • Auditoria constante de acessos administrativos;
  • Autenticação em múltiplos fatores (MFA);
  • Monitoramento comportamental por inteligência artificial;
  • Política de acesso temporário e mínimo necessário.

O Banco do Brasil, em especial, é considerado uma instituição robusta em termos de segurança da informação e compliance, sendo avaliado frequentemente por órgãos reguladores como o Banco Central e a CVM.

Impacto reputacional e riscos evitados

Apesar de a fraude ter sido frustrada antes da execução, o simples fato de um colaborador estar envolvido em tentativa de violação interna gera riscos reputacionais severos, tanto para a confiança dos clientes quanto para a imagem da instituição no mercado financeiro.

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Segundo especialistas em segurança digital, fraudes internas são mais difíceis de prevenir, pois envolvem perfis com acesso legítimo e conhecimento dos processos.

Riscos que poderiam ter ocorrido:

  • Vazamento de dados sensíveis de clientes;
  • Perda de integridade de sistemas contábeis;
  • Desvio de grandes quantias financeiras;
  • Comprometimento de contratos e operações de crédito;
  • Bloqueio ou sequestro de sistemas internos por ransomware.

Ações futuras e lições para o setor

O caso da Operação Remoto Shell servirá de exemplo para o setor bancário como um todo. A expectativa é que outros bancos e fintechs revisem seus modelos de concessão de acesso a sistemas críticos, ampliem suas rotinas de monitoramento e aprimorem os processos de contratação e compliance interno.

Além disso, cresce a necessidade de:

  • Auditorias internas independentes;
  • Capacitação continuada em ética e segurança da informação;
  • Canal de denúncias anônimas ativo e protegido;
  • Integração de políticas de cibersegurança com RH e TI.

Responsabilidade civil e trabalhista

Além das esferas criminal e institucional, o funcionário investigado poderá ser alvo de ação civil por danos materiais e morais à instituição, bem como demissão por justa causa prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A legislação brasileira é clara quanto à responsabilidade do empregado por atos dolosos contra o empregador, principalmente quando envolvem violação de confiança e prejuízos potenciais a terceiros.

Um alerta para o setor de tecnologia

Banco do Brasil
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O episódio também joga luz sobre os riscos associados à terceirização e terceirização de mão de obra em áreas sensíveis, como segurança da informação e infraestrutura digital.

Em muitos casos, os profissionais terceirizados têm níveis elevados de acesso, mas são contratados com menor controle ou integração à cultura da empresa, o que pode representar um ponto de vulnerabilidade.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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